Sinto o mundo a fugir-me entre os dedos: as cores começam, lentamente a transformar-se, os perfumes começam a desaparecer, os ventos mudaram a sua direcção e o mar está agitado, cada vez mais agitado. O músculo alojado do lado esquerdo do corpo deixa de dar sinal, as emoções começam a perder a intensidade e o meu mundo está a voltar a ser preenchido a preto e branco novamente, porque eu gosto dele assim, porque é a minha maneira de lidar com a alienação da minha mente, porque é a forma que o meu ser tem de se equilibrar. O mundo pintado a preto e branco é o mundo onde eu estou sempre, mas sempre bem, independentemente de os outros estarem mal ou não, porque nada me abala, porque, simplesmente, não acredito em nada, apago essa capacidade de ver e sentir outros seres como eu, pessoas, acho. Porque quando conheci esse mundo encontrei a minha melhor amiga, a solidão. Aquela que me acolhia de braços abertos, aquela que me dava força sempre que estava deprimida, que me fazia levantar e me mostrava a beleza do mundo, do meu jeito. Esse mundo foi aquele onde fui a mais feliz e mais triste de sempre, feliz porque aprendi a estar sozinha, a ter apenas os essenciais, os do coração, perto de mim e os outros, os outros teriam muito que fazer para chegar a mim, porque eu simplesmente não deixava que entrassem nesse mundo e era tão mais feliz assim. A razão de toda essa minha felicidade é o facto de me proibir de “sentir”, ou seja, o desprezo e a despreocupação eram as minhas aliadas, as minhas irmãs, e o “barulho” exterior era musica que eu simplesmente não ouvia, porque não queria.
Claro que nesse mundo estava presa a muitos ideais de vida, que tantas pessoas à minha volta não entenderam, nem entenderão, porque há coisas que só sentido, só passando por elas, para se dar o valor. Há momentos, há dores tão profundas que nos fazem criar defesas, às vezes, ate de nós mesmos. A diferença das pessoas está, na altura em que as devem ou não baixar. As pedras que destrui com orgulho continuam lá, prontas a construir um novo castelo, apenas com janelas altas, o suficiente para alguém se colocar em bicos de pés e espreitar lá para dentro, porque o seu interior, ficará apenas reservado aos verdadeiros, aos essenciais, aos que merecem mesmo entrar.
quarta-feira, 26 de março de 2008
terça-feira, 25 de março de 2008
Janela de mim..
Hoje quero, por momentos, deixar de ser eu, quero, por momentos, sair de mim e observar-me. Hoje quero ver aquela menina que vive dentro de mim, aquela menina que adora sonhar, que adora pintar a vida dela com desenhos a preto e branco, que ouve musicas tristes que, para ela, são odes ao equilíbrio. Aquela criança que sorri, de forma inocente, que se faz de ingénua porque não quer ver maldade em nada, porque enquanto assim é, pode imaginar o mundo das cores que quiser.
Tenho saudades da criança que desarrumava o quarto todo para brincar com as bonecas, da criança que sempre que recebia alguma coisa nova pulava louca de felicidade, mesmo que fosse uma simples caixa de papel, com cores. Porque para ela não lhe interessava o que era o presente, interessava-lhe que se lembravam dela, que lhe davam alguma coisa, por mais insignificante, que faziam sentir-se especial.
Tenho saudades da criança, que as vezes, por momentos, consegue rir-se de tudo e de nada e consegue ser feliz com nada perto de tudo o que tem.
Porque essa criança gosta de se aproximar das pessoas, de chegar-se devagarinho e de se sentir em “casa”, de sentir que aquele é o seu lugar, a sua nova casa, gosta de sentir que é especial, gosta de um abraço forte, no silêncio, gosta da saudade daquela pessoa que não vê há um dia ou dois, gosta de sentir a dor no peito da ausência, das palavras, dos actos, dos sorrisos e das gargalhadas daquele anjo que enche a sua vida de amor.
A criança do sorriso de 5 anos é o melhor de mim.
Tenho saudades da criança que desarrumava o quarto todo para brincar com as bonecas, da criança que sempre que recebia alguma coisa nova pulava louca de felicidade, mesmo que fosse uma simples caixa de papel, com cores. Porque para ela não lhe interessava o que era o presente, interessava-lhe que se lembravam dela, que lhe davam alguma coisa, por mais insignificante, que faziam sentir-se especial.
Tenho saudades da criança, que as vezes, por momentos, consegue rir-se de tudo e de nada e consegue ser feliz com nada perto de tudo o que tem.
Porque essa criança gosta de se aproximar das pessoas, de chegar-se devagarinho e de se sentir em “casa”, de sentir que aquele é o seu lugar, a sua nova casa, gosta de sentir que é especial, gosta de um abraço forte, no silêncio, gosta da saudade daquela pessoa que não vê há um dia ou dois, gosta de sentir a dor no peito da ausência, das palavras, dos actos, dos sorrisos e das gargalhadas daquele anjo que enche a sua vida de amor.
A criança do sorriso de 5 anos é o melhor de mim.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Utopias..
Sinto-me estranha hoje, não sei o que vai dentro de mim, não sei o que pensar com tanta coisa que me esta a encher a cabeça neste momento!. Não sei se é bom, se é mau, se me faz sorrir ou se me faz ter vontade de chorar, sinto falta de alguma coisa que não sei dar nome porque nem eu sei o que é. São aqueles dias em que sei que existo, simplesmente porque sim. Sem razão aparente, sem motivo suficientemente forte, apenas porque sim.
Sinto necessidade de outras coisas na minha vida, que não me façam estar sempre a pensar, que me façam parar a cabeça por momentos, preciso de me voltar a sentir útil mas não encontro forma de o atingir. Não encontro forma de arrancar este vazio que se voltou a instalar em mim novamente. Parece que a vida é uma droga, as coisas que antes nos fascinavam e nos preenchiam deixam de ser suficientes para nos curar os buracos fundos no caminho que queremos percorrer.
Não me sinto útil em nenhum aspecto neste momento, não sinto que haja alguma coisa que me faça sentir útil. E sim, sinto-me estúpida e sinto-me sozinha, sinto que preciso mais da vida do que o que possuo neste momento. Preciso de viver, preciso de me sentir viva, preciso de me sentir eu, preciso de trabalhar a sério, em alguma coisa que eu goste, preciso de alguma coisa, que me faça sentir eu mesma.
Porque, ás vezes, esqueço-me que não tenho só deveres mas também que tenho direitos. Tenho o direito de viver, de gritar, de falar, de estar com os mais importantes, de fazer alguma coisa por mim e não de me sentir inútil como me tenho sentido ultimamente. Sinto-me perdida dentro de uma ilusão, da qual, simplesmente, não estou a conseguir sair. A cada dia que passa, sinto-me a perder qualidades, sinto-me a perder fôlego, sinto-me cansada. Cansada de tudo. Cansada desta cidade, das pessoas que conheço desde que nasci, pessoas com quem nunca falei mas só as suas caras familiares já me enjoam. Sinto falta de alguma coisa nova, preciso de algo novo, preciso de fazer alguma coisa que me ajude a tapar estes buracos que começam a aumentar todos os dias mais um bocadinho e que eu, não querendo, acabo por deixar fugir, de mim. Tenho necessidades de sentir saudades de casa, de sentir saudades de tudo, se me sentir em casa quando volto após tempos que parecem anos longe do meu mundo.
O ser humano é sem dúvida um ser estranho, há pessoas que o que mais desejam é estar junto dos que amam, e eu, que tenho tudo á minha disposição, que sou privilegiada quero é estar longe de todos, o porquê, eu não sei, mas fazia-me bem, sentia-me livre, sentia-me eu mesma. Eu preciso de sentir saudades dos que amo, preciso de sentir saudades da minha casa, do meu quarto, dos meus amigos, da minha alma, preciso de me afastar de tudo e de todos.
Mas eu sei que o que desejo neste momento, é uma utopia, por enquanto. Neste momento, nada posso fazer por isso, nada posso fazer por este desejo enorme de desaparecer daqui, de ver outras caras, outras pessoas, outras paixões, outros locais.
Sinto saudades de me sentir perto, estando cada vez mais longe.
Sinto necessidade de outras coisas na minha vida, que não me façam estar sempre a pensar, que me façam parar a cabeça por momentos, preciso de me voltar a sentir útil mas não encontro forma de o atingir. Não encontro forma de arrancar este vazio que se voltou a instalar em mim novamente. Parece que a vida é uma droga, as coisas que antes nos fascinavam e nos preenchiam deixam de ser suficientes para nos curar os buracos fundos no caminho que queremos percorrer.
Não me sinto útil em nenhum aspecto neste momento, não sinto que haja alguma coisa que me faça sentir útil. E sim, sinto-me estúpida e sinto-me sozinha, sinto que preciso mais da vida do que o que possuo neste momento. Preciso de viver, preciso de me sentir viva, preciso de me sentir eu, preciso de trabalhar a sério, em alguma coisa que eu goste, preciso de alguma coisa, que me faça sentir eu mesma.
Porque, ás vezes, esqueço-me que não tenho só deveres mas também que tenho direitos. Tenho o direito de viver, de gritar, de falar, de estar com os mais importantes, de fazer alguma coisa por mim e não de me sentir inútil como me tenho sentido ultimamente. Sinto-me perdida dentro de uma ilusão, da qual, simplesmente, não estou a conseguir sair. A cada dia que passa, sinto-me a perder qualidades, sinto-me a perder fôlego, sinto-me cansada. Cansada de tudo. Cansada desta cidade, das pessoas que conheço desde que nasci, pessoas com quem nunca falei mas só as suas caras familiares já me enjoam. Sinto falta de alguma coisa nova, preciso de algo novo, preciso de fazer alguma coisa que me ajude a tapar estes buracos que começam a aumentar todos os dias mais um bocadinho e que eu, não querendo, acabo por deixar fugir, de mim. Tenho necessidades de sentir saudades de casa, de sentir saudades de tudo, se me sentir em casa quando volto após tempos que parecem anos longe do meu mundo.
O ser humano é sem dúvida um ser estranho, há pessoas que o que mais desejam é estar junto dos que amam, e eu, que tenho tudo á minha disposição, que sou privilegiada quero é estar longe de todos, o porquê, eu não sei, mas fazia-me bem, sentia-me livre, sentia-me eu mesma. Eu preciso de sentir saudades dos que amo, preciso de sentir saudades da minha casa, do meu quarto, dos meus amigos, da minha alma, preciso de me afastar de tudo e de todos.
Mas eu sei que o que desejo neste momento, é uma utopia, por enquanto. Neste momento, nada posso fazer por isso, nada posso fazer por este desejo enorme de desaparecer daqui, de ver outras caras, outras pessoas, outras paixões, outros locais.
Sinto saudades de me sentir perto, estando cada vez mais longe.
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