Primeiro, a história começou com uma Omissão quase perfeita, na altura em eu não sabia bem em que realidade viver…Mais tarde, toda esta Omissão deu lugar a um Descoordenamento interno que durou cerca de dois anos…Hoje, Mordo o Coração daqueles que “por mim passam”, com as minhas palavras, os meus sentimentos, os meus pensamentos, as minhas vitórias e derrotas, bem como todos as epifanias que fui tendo ao longo destes quatro anos de sobrevivência deste espaço.
Após quatro anos de resistência na minha vida, decido terminar com este “diário” bem como com este ciclo na minha vida, que já ”tantos” seguidores conhecem. Não quero mais que aqueles que não me pertencem nem fazem parte de mim me “leiam” e como tal, vou mudar-me, vou mudar a minha residência e “ viver” num espaço onde me sinta realmente livre para escrever e ser quem sou, sabendo que não estou a ser “vigiada” ou “perseguida inconscientemente”!
Os que me “morderam o coração” serão contactos, os restantes...
quinta-feira, 18 de março de 2010
Último momento narcisico...
terça-feira, 16 de março de 2010
Do you know me at all?
I can't lose no more time it's now or never
and I'll try to remember who i used to be
I've got one last chance to get myself together"
'Cause I don't belong to anyone
Nobody belongs to me"
(It's the way, it's the way, it's the way that I want it)
segunda-feira, 8 de março de 2010
Lição de Vida Nº1


Paixão. Aquele sentimento incontrolável que enche cada poro do nosso corpo e penetra a alma com uma profundidade quase impossível de alcançar. Esqueço-me com frequência que sou uma pessoa apaixonada, que o meu combustível são as borboletas no estômago e a vontade constante de sorrir e rir de tudo, como se estivesse embriagada de amor, não o estando, de facto. Gosto de sair à rua e mesmo estando a chover eu sinto o sol a queimar-me a pele, sinto o seu calor no meu corpo, sinto a vida e entrar em mim e uma vontade constante de me rir de mim própria. Sinto-me ridiculamente feliz. Como uma criança pequena quando lhe dão uma caixa de chocolates inteira só para ela ou quando vai ao jardim brincar e corre pelo parque inteiro balbuciando palavras inexistentes na sua linguagem tão própria. Sinto que o sol deste dia me transmitiu uma energia contagiante e só me apetece dançar. Apetece-me sair de casa e viver a vida, conhecer outras almas perdidas como eu no meio da chuva e dançar com elas, rodopiar o tango da vida e terminar exausta de ter dançado toda a minha vida, desta forma apaixonada. Nesse momento poderei dizer que vivi a minha vida da minha maneira e não me arrependo de um passo de dança que fiz ao som de uma melodia inventada por dois amantes.
Um dia ainda vou envergar um vestido vermelho, prender o cabelo, calçar uns sapatos e dançar contigo a dança do amor...ao som da eternidade que nos acompanha com uma melodia interminavelmente apaixonada..
domingo, 7 de março de 2010
Odeio-te
Odeio-te. Odeio-te por tudo o que me fazes sentir. Odeio-te por fazeres as minhas lágrimas caírem, odeio-te por todas as vezes que me fizeste sorrir e que não me saem da cabeça. Odeio-te por cada viagem que fizemos juntos, por cada estrela que me mostraste num céu só nosso, por cada brilho no olhar que me deste e não reconheço mais em mim. Odeio-te por me fazeres sentir completa, por me amares desse jeito tão teu que nem tenho palavras para descrever. Odeio-te por encaixares como mais ninguém conseguiu até hoje. Odeio-te por todas as vezes que me abraçaste como se o mundo fosse acabar. Odeio-te por cada filme que vimos juntos, enrolados um no outro, por entre carinhos, ternura e afecto, que só nós sabemos como é. Odeio-te por cada olhar que trocamos, em silêncios eternos, como se o mundo tivesse parado. Odeio-te por ainda sentir o teu perfume em mim. Odeio-te por cada beijo que me roubaste, por cada toque, por cada palavra no meu ouvido. Odeio-te por todas as marcas de amor e prazer que cravaste no meu peito. Odeio por te querer matar dentro de mim e não ter coragem, não ser capaz de te desenhar com outras linhas, de te pintar com outros tons ou simplesmente substituir a tela, como fiz tantas outras vezes. Odeio-te. Odeio-te. Odeio-te. Odeio-te tanto e gostava ainda mais de conseguir afastar-me de tudo o que és e de tudo o que significas. Gostava de conseguir não pensar em perder-te (quando, no fundo, já te perdi), de não pensar que alguém te vai roubar de mim (quando, no fundo, já não me pertences), de não pensar que um dia me posso arrepender e não posso voltar atrás. Odeio-te por cada música tua que tocaste dentro do meu peito. Odeio-te por cada palavra, por cada gesto, por cada texto, por cada dia que encheste a minha vida de ti. Odeio-te por cada mudança que fizeste por mim, por cada gesto, por cada evolução tua, por cada mês que celebrei do teu lado. Odeio-te por não conseguires ver-te ao invés de olhares para mim e para o que eu estou a sentir. Odeio-te por cada minuto de saudades tuas, do teu cheiro, do teu corpo, da tua essência que me fazes sentir. Odeio-te por cada mensagem onde me dizes que também me odeias. Odeio-te ainda mais quando sei que tudo isto é inverso, que tudo isto é controverso e que as palavras que uso fazem e não fazem sentido numa miríade de sensações e sentimentos que nem eu própria sei definir, apenas sei que te Odeio. Hoje, amanha e depois. O ódio ainda vai permanecer muito tempo dentro de mim, da forma mais tranquila que eu conseguir encontrar para tu não permaneceres.
sábado, 6 de março de 2010
Leituras eternas ao cair da tarde
“Vivemos todos num labirinto. Olho-me ao espelho e mal reconheço o homem que nele se reflecte. Estou gordo. Inchado. Tenho olheiras. A pele cinzenta à volta dos olhos. E pêlos, pêlos horríveis que saem todas as semanas do nariz e das orelhas. Faço 55 anos em Outubro.
Nos braços nasceram-me sinais. Todos os anos nascem, o médico diz que é natural, tão natural como a barriga de álcool e a falta de vista. Agora, ando sempre de óculos na ponta do nariz. Até me dão um ar vagamente interessante. Se quiser, ainda seduzo mulheres com menos de 40 anos. Faço 55 anos em Outubro.
Olho para o espelho e não me vejo como sou. Na imagem estou lá eu, há 20 anos atrás, antes dos pêlos indesejados, da miopia que chegou sem pré-aviso, da barriga que não pára de crescer, quando ainda acreditava que só valia a pena estar com uma mulher por quem tivesse a maior tesão do mundo. Não o tesão habitual, que um homem pode ter por qualquer corpo quando olha e cobiça. O tesão do podre, da posse, da carne, o tesão que te dá vontade de cravar um ferro em brasa com as tuas iniciais no corpo dela, para que ela seja só tua, mesmo que fuja e nunca mais volte.
A minha mulher já não é nem bonita. Os traços da cara tornaram-se fortes, duros, marcados como linhas a tinta da china. Só o olhar se mantém vivo, atento, expressivo, como o de uma leoa. Tenho medo do olhar dela, por isso escondo o meu atrás dos óculos, uso a miopia como arma de defesa. Não sei se amo, sei que não posso viver sem ela. Estamos os dois a envelhecer, estamos os dois cansados de beber e de comer e de fumar tanto. Estamos os dois perdidos no mesmo labirinto. Às vezes, encontramo-nos no meio das nossas bebedeiras civilizadas e eu vejo-a jovem, bela, magra, ainda poupada às minhas ausências e falhas, e penso que estou quase outra vez a apaixonar-me por ela.“
Outra história da Raposa e do Principezinho
"A raposa olhou para aquele rapaz bonito e com um ar frágil e percebeu imediatamente que era um Príncipe. Em volta, não havia ninguém, apenas a cor dourada do trigo e o céu azul lá em cima, numa abóbada muito suave, a perder de vista. O Príncipe não tinha vindo de carro nem desembarcado de nenhuma nave espacial, por isso a raposa achou que ele tinha caído do céu, e depois riu-se para dentro, como quem descobre um defeito um bocado parvo na sua própria personalidade, porque nada cai do céu, tudo o que se consegue na vida custa muito a ganhar e é infinitamente mais fácil perder tudo do que manter o mais importante. Mas, por outro lado, mesmo que tivesse caído do céu, se aquele rapaz tão bonito lhe tinha aparecido no caminho, alguma função iria ter na sua vida solitária e errante, sempre à procura de um abrigo que lhe servisse de casa, de um amigo que pudesse amar, de uma outra vida vivida em partilha, que já tinha lido em romances e visto em filmes, mas que nunca conhecera.
Como era muito curiosa e simpática, meteu conversa com ele.
- Quem és tu?
- Sou um Príncipe que quer conhecer o mundo. E tu?
- Sou uma raposa solitária e viajada que está farta de correr o mundo e quer encontrar uma casa.
- Isso deve ser aborrecido - respondeu o Príncipe.
- O quê? Ser solitária ou estar farta?
- Estar farta. Eu sempre fui um solitário e preciso da solidão para entender o mundo. E viajar é tão bom, como te podes ter cansada?
- É da idade - respondeu a raposa. E, com um suspiro, deitou-se e colocou graciosamente o focinho bicudo e brilhante entre as patas da frente, como quem passa muito tempo a pensar.
- Mas tu pareces tão nova! - estranhou o Príncipe.
- É da alimentação - respondeu a predadora - só como carne fresca. E dos tratamentos de pele.
- Eu acho-te muito bonita - arriscou o Príncipe, com um sorriso muito tímido.
- Obrigada. Eu também te acho muito belo. Um bocadinho triste, talvez.
Ficaram os dois a olhar um p/ o outro, partilhando um silêncio tranquilo e cheio de idéias, como só acontece entre velhos amigos. E eles já eram velhos amigos.
- Onde está a tua família? A tua mãe, o teu pai e os teus irmãos?
- Os meus pais são de outro planeta e não tenho irmãos.
- Oh!... - exclamou a raposa, desapontada - então não sabes brincar, nem discutir, nem partilhar brinquedos…
- Mas também não me importo. Como tenho um planeta para cuidar, tive que crescer muito depressa e prefiro pensar e conhecer, em vez de brincar e partilhar.
- Eu tive 7 irmãos - contou a raposa, orgulhosa - por isso cresci a brincar.
Levantou o focinho, depois as patas dianteiras, depois o torso, e ficou sentada, muito direita, a olhar fixamente para os olhos do Príncipe. Já estava apaixonada por ele e queria prender-lhe o olhar para sempre, porque sabia que o ia perder e queria guardar o melhor dele. Mas os olhos dele eram difíceis de agarrar, porque as imagens lá dentro estavam sempre a mudar e a raposa percebeu que ele estava perdido e não sabia o que queria.
- Queres fazer um jogo comigo? - perguntou, com um sorriso matreiro.
- Não sei se consigo - respondeu o rapazinho, agarrando nervosamente as pontas do cachecol.
- É muito fácil. Eu faço-te uma pergunta e tu respondes. E como é tudo a brincar, podes responder o que quiseres. Gostavas de ser uma raposa?
- Não
- Porquê?
- Porque não podia mandar em ninguém.
- Assim não jogo - disse a raposa, subitamente entristecida - tu só sabes falar a sério.
- Não é verdade - respondeu o rapazinho - eu só sei é dizer a verdade e quase ninguém aguenta a verdade o tempo todo. Por isso é que ando sozinho.
A raposa baixou outra vez o torso e voltou a encaixar o focinho por entre as patas. Tinha que pensar muito bem no que ia dizer a seguir, porque, como estava apaixonada, ardia ao mesmo tempo de medo e de vontade e queria fazer as coisas o melhor possível.
- Eu acho que tu podias escolher ser feliz.
- Mas eu sou feliz - respondeu o Príncipe. Eu amo o conhecimento e vivo de acordo com a minha paixão; viajar, correr o mundo, conhecer seres maravilhosos, como tu… - e, dizendo isto, sentou-se ao lado da raposa e pousou a sua mão branca e lisa no lombo dela. A raposa estremeceu das patas à cabeça. Queria guardar para sempre aquele toque, o calor da mão dele a inundá-la por dentro. Queria tornar-se num animal doméstico devoto ao seu dono. Queria mudar de vida e alcançar a outra, a sonhada e desejada, depois de tantos livros e filmes. Mas ele também tinha que querer o mesmo que ela, ou corriam o risco de ficar apenas os melhores amigos.
Então a raposa pensou, pensou e decidiu ficar calada. Tudo o que dissesse dali para frente ia estragar o seu sonho, o momento perfeito que lhe tinha caído do céu. Sabia que queria que aquele momento se eternizasse, por isso fechou os olhos.
Tudo tem um princípio e tudo tem um fim, pensou. Mas não vou pensar no que não está nas minhas mãos. E, sem falar, enroscou-se a ele, como se fosse para sempre."

.jpg)
