sábado, 29 de dezembro de 2007

Acredito

Aquela chama quase vazia começou lentamente a aumentar, sem eu dar conta, sem eu perceber, voltei a sentir o coração quente, de novo. Depois de uma grande tempestade, de casas destruídas e corações virados do avesso, parece que afinal ainda existe algum sentimento, e que tudo pode ser reconstruído. Parece que afinal aquela saudade que existia dentro do meu peito era apenas um carinho muito especial e não o amor da minha existência, aquele que justifica o facto de o viver, apenas para o encontrar. A distância revelou muita coisa que estava escondida por entre fragilidades e medos. A distância ajudou a destapar aquilo que estava coberto de areias bem pesadas, de sorrisos mal entendidos e brilhos nos olhos tão fortes que por vezes ate ardiam.
E a chama voltou a brilhar, não com a mesma intensidade que brilhou um dia, mas com a mesma força de crescer, forte e brilhante. Porque o mal de que padeceu foi demasiado intenso para se poder livrar dele de forma tão fácil como um estalar de dedos.
Mas há esperança de que essa chama, antes pequena e agora maior, volte a brilhar com a mesma intensidade e cor e brilho e ate cheiro com que brilhava antigamente.
Porque há mudanças necessárias, porque há vidas por preencher, porque há pessoas capazes de mover mundos para ficar com alguém e pessoas que simplesmente esperam que esses mundos se mexam. Porque há pessoas que lutam pelo que querem e pelo que acreditam e mudam ate o mundo, se necessário for. E por essas pessoas, essa chama nasce e renasce, tantas vezes quantas forem necessárias. Por ti, por nós, pela nossa chama, pelo nosso amor, pela nossa perfeição quando estamos juntos. Acredito.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Pensamento

E o pensamento continua a encher os meus dias. Pensei que se estivesse distante que tudo se iria dispersar mas isso não esta a acontecer, por agora. Os pensamentos invadem a minha mente, eu invado-me a mim mesma na esperança de entender o que sinto. O pensamento antecede o sentimento. O sentimento é perigoso, muito perigoso. Porque existem duas almas muito semelhantes, muito iguais, que pensam do mesmo modo, que reagem das mesmas formas, que se olham e se vêem como num espelho, que criaram um mundo paralelo onde só existem eles. E esse mundo, mesmo longe, continuava a ser alimentado pelos dois, de forma individual. Todos os dias eram maior e mais perfeito, a perfeição das perfeições. O mundo é injusto. A vida é injusta. Porque nos coloca ela a pessoa certa no pior momento? Porque nos obriga ela a recuar na mesma decisão e quando ela se aproxima há um desgosto enorme, uma perda de essência sem qualquer explicação. Mas quando essa perda se afasta, sinto-me bem, feliz, realizada. Mas sinto a falta de alimento no meu coração. Sinto a falta de um anjo que um dia me encontrou. Tenho medo que tudo isto me leve a uma estrada sem fim ou a um poço sem fundo. Gostava de saber que vai dentro de mim e o que devo fazer. Porque neste momento me sinto um barco à deriva e sem norte. Mas valores mais altos se levantam e há que lutar por eles com unhas e dentes. Porque são eles o alimento desta vida, a satisfação e o orgulho. Manter e intensificar esta luta de treze anos é o meu objectivo principal.
Lutar. Lutar. Lutar. E ganhar.

Medo

Tenho medo. Tenho medo de ser traída pelas palavras, pelos actos e pelas emoções. Tenho medo de os meus olhos dizerem a verdade quando a sinto e que no momento importante eles fiquem sem brilho. Tenho medo de não voltar a ser conquistada por aquele que já chamei de amor da minha vida. Tenho medo daqueles olhos meigos que me despem sem pudor. Tenho medo daquelas palavras que ditas ao vento me enchem a alma de cor. Tenho medo que o tempo passe e tudo se mantenha igual. Tenho medo essencialmente de mim mas não por mim. Tenho medo que um dia tudo saia de mim e não sei qual será o efeito disso. Tenho medo de me apaixonar, se é que não estou já apaixonada. Tenho medo destas mesmas palavras e de tudo o que elas podem mostrar e provar. Tenho medo. A minha alma tem medo. As minhas palavras têm medo. O meu corpo tem medo. Sou um ser amedrontado que vive dentro do medo e da incerteza. Um ser já foi muito feliz mas que hoje já não sabe sequer onde se perdeu a paixão. Aquele sentimento de dar as mãos e tremer por dentro. Aquele brilho no olhar, aquela vozinha doce que apetece sempre dizer quando se ama alguém. Sinto que há possibilidades de tudo recuperar mas só o tempo o ira dizer. E ate lá continuarei assim, cheia de medo do meu futuro.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Insuficiência

Insuficiência. O vento mudou as estações e virou-as de pernas para o ar. O tempo passou sem dar conta e os minutos passaram a ser a minha sombra. Os minutos que correm, que voam, que fazem os momentos acontecerem de forma rápida demais e que depois deixam um buraco naquele lugar a que chamamos coração. Os minutos, a minha sombra, passaram num piscar de olhos. Seres sujos e imundos entraram nos meus sonhos e nos meus pesadelos mais mórbidos. Sombras de um quase nada, que já pouco se vê ou sente. Sombras de uma vida apaixonantemente depressiva, isolada e individualista. Sombras de um pobre diabo amaldiçoado à razão, á capacidade dos homens, dos seres humanos, dos pobres e comuns mortais condenados a este facto que impede a vida. Estes pobres diabos isolados de tudo, até de si mesmos, impedem-se de sentir e para isso constroem um mundo novo, decorado de duras pedras que vão construir muralhas bem rijas e bem fortes, um abrigo duro, sujo e escuro, daquilo que muitos consideram ser a “nossa” sociedade. Mas essas sombras de gente sentem, no fundo desse castelo escuro, eles sentem. E quando sentem, tremem e tem medo. E o medo devora a sua alma como uma toupeira diabólica, escavador de mentes profundas e vazias. O medo que não os deixa sentir e os impede de amar, porque amar para eles é impossível. Insuficiência de emoção. Insuficiência de tempo. Insuficiência de palavras. Insuficiência de distancia. Insuficiência de ser. Insuficiência de estar. Insuficiência de sentir. Insuficiência de lutar. Insuficiência de amar. Insuficiência. A mais pura e mais intensa, insuficiência. Insuficiência Humana.