sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Insuficiência

Insuficiência. O vento mudou as estações e virou-as de pernas para o ar. O tempo passou sem dar conta e os minutos passaram a ser a minha sombra. Os minutos que correm, que voam, que fazem os momentos acontecerem de forma rápida demais e que depois deixam um buraco naquele lugar a que chamamos coração. Os minutos, a minha sombra, passaram num piscar de olhos. Seres sujos e imundos entraram nos meus sonhos e nos meus pesadelos mais mórbidos. Sombras de um quase nada, que já pouco se vê ou sente. Sombras de uma vida apaixonantemente depressiva, isolada e individualista. Sombras de um pobre diabo amaldiçoado à razão, á capacidade dos homens, dos seres humanos, dos pobres e comuns mortais condenados a este facto que impede a vida. Estes pobres diabos isolados de tudo, até de si mesmos, impedem-se de sentir e para isso constroem um mundo novo, decorado de duras pedras que vão construir muralhas bem rijas e bem fortes, um abrigo duro, sujo e escuro, daquilo que muitos consideram ser a “nossa” sociedade. Mas essas sombras de gente sentem, no fundo desse castelo escuro, eles sentem. E quando sentem, tremem e tem medo. E o medo devora a sua alma como uma toupeira diabólica, escavador de mentes profundas e vazias. O medo que não os deixa sentir e os impede de amar, porque amar para eles é impossível. Insuficiência de emoção. Insuficiência de tempo. Insuficiência de palavras. Insuficiência de distancia. Insuficiência de ser. Insuficiência de estar. Insuficiência de sentir. Insuficiência de lutar. Insuficiência de amar. Insuficiência. A mais pura e mais intensa, insuficiência. Insuficiência Humana.

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