Gosto do Natal, sempre gostei. Gosto de fazer árvore de natal mesmo quando apenas coloco os enfeites finais e a estrelinha no topo. Gosto de fazer o presépio com musgo artificial e farinha, ainda que seja pela primeira vez. Gosto de ver a casa toda enfeitada com objectos alusivos a esta quadra. Gosto da magia das luzes que iluminam as cidades. Gosto de comer castanhas assadas com o meu namorado ou de beber chocolate quente enquanto lhe sujo o casaco com as palhinhas. Gosto de aprender a fazer os doces de natal, mesmo sabendo que amanha já não me vou lembrar. Gosto de andar pela casa à noite, iluminada pelos efeitos das luzinhas no escuro. Gosto de passear pela cidade de mãos dadas com o Amor e sentir o frio no meu corpo e a paz no meu coração. Gosto de comprar prendas para as minhas verdadeiras amigas, ainda que seja a primeira vez que o faço. Gosto do fogo da lareira que já não existe mas que um dia já aqueceu uma família inteira. Gosto de dar, gosto de dizer que gosto das pessoas, sem um motivo aparente. Gosto de tentar andar de patins no gelo, mesmo quando caio três vezes seguidas. Gosto de trocar prendas sem saber o que me vai calhar. Gosto de ir as compras e querer oferecer tudo a toda a gente. Gosto das minhas prendas, gosto de desembrulhar lentamente, de espreitar, de abanar, de apalpar antes de ver, sabendo que será algo que certamente vou gostar. Gosto quando ofereço presépios miniatura em forma de sino á minha “verdadeira” avozinha e a vejo sorrir de alegria, apenas porque me lembrei dela. Gosto de prendas pequeninas mas com um grande valor simbólico. Gosto do espírito de solidariedade, de amor e de harmonia que existe na minha casa. Gosto de estar sentada com os meus pais a ver filmes infantis o dia inteiro e sentir-me criança com eles, novamente. Gosto do jantar de natal. Gosto de ter de esperar pela meia-noite para abrir as prendas, embora isso quase nunca aconteça. Gosto de imaginar, todos os anos, o meu natal ideal, com a casa cheia e uma família enorme com quem partilhar todos estes momentos. Gosto de pensar que um dia vou conseguir ter um Natal perfeito, embora saiba que nada acontece como desejamos ou planeamos. Gosto de pensar que este foi o melhor Natal que já tive, com verdadeiro significado familiar.
Não gosto de mensagens de Natal feitas, enviadas por pessoas que durante o ano nem sequer falam comigo e se lembram que eu existo só porque é Natal. Não gosto de me sentir “obrigada” a responder a todos os que me mandam mensagens desse género. Não gosto de sentir que não aproveitei uma noite porque bebi demasiado. Não gosto do excesso de consumismo, embora eu também contribua para ele. Não gosto de só se lembrarem das pessoas com dificuldades nestas alturas. Não gosto de as notícias e os jornais usarem esta época para ganharem dinheiro e audiências. Não gosto da Hipocrisia, característica destas alturas. Não gosto de pensar que já não tenho os meus avós como tinha quando era pequena e a família enchia a minha cozinha. Não gosto de já não ouvir barulho de fundo quando falo com os meus pais. Não gosto de me lembrar que o meu avô faz anos dois dias depois do Natal e que eu sinto tanto a falta dele. Não gosto de não ter tempo para estar com a minha família porque a universidade me toma tempo e paciência. Não gosto do Natal terminar sempre, solitariamente, depois de se abrirem as prendas. Não gosto que a noite de Natal termine tão depressa. Não gosto de passar o Natal longe do meu irmão e do meu afilhado de quem morro de saudades. Não gosto de saber que não tenho uma família unida, como gostaria. Não gosto que estes momentos sejam tão efémeros. Não gosto de já não ser criança no Natal, embora saiba o meu sorriso e olhar brilhante vão permanecer para sempre ou pelo menos eu gostava que assim fosse.















