"Ao espelho, onde vês o reflexo entre o homem que és e aquele que gostarias de ser, respiras fundo e desejas que essa mulher chegue um dia, não demasiado cedo para te assustar nem demasiado tarde, porque, entretanto, pode aparecer outra e tu vais deixar-te ir, convencido de que é essa, e não eu, a mulher da tua vida.
O que tu não sabes, meu querubim cansado, é que do outro lado do espelho eu te vigio, como se fosse o teu avesso, e te protejo como se fosse o teu presente, e te desejo, como se pudesse ser o teu futuro.
Mas ainda é demasiado cedo, é ainda tempo de guardar no silêncio dos dias a vontade de te querer. É ainda de manhã, tu estás atrasado para o trabalho e eu estou adiantada na tua vida. Por isso respiro fundo do outro lado da tua imagem e espero - sentada no baloiço, lá mesmo em cima, para que não me vejas - que um dia dês o salto para o outro lado da tua vida. E sejas quem sempre sonhaste, para que te vejas ao espelho como eu já te vejo. Como és."
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Vou contar-te um segredo...
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Meu amor, não é tarde nem cedo para quem se quer tanto...
“(…) Nietzsche, que tinha tanto de louco como de sábio, escreveu que a grandeza de um homem está em ser uma ponte e não uma meta. Mas ninguém consegue construir uma ponte sozinho, nem carregar um piano, nem mudar uma casa, por isso aprendi algo mais difícil; aprendi a ficar quieta quando aquilo que mais quero e desejo não depende só de mim. E com essa nova e preciosa lição veio a paz, a tranquilidade, a harmonia dos dias sossegados e das noites de sono profundo.
(…)
Cada escravo carrega a chave da sua liberdade. E tu tens a tua perdida no fundo do mar. Do teu mar de dúvidas, de solidão, de incertezas, por detrás do teu muro de auto-suficiência onde te escondes, imaginando-te protegido por uma armadura, porque cresceste sozinho num mundo que te era estranho e que agora se tornou familiar, mas que não faz parte do teu passado nem combina bem com a tua herança genética.
(…)
Cada vez que converso contigo ou te escrevo a pedir-te que aprendas a ser livre, porque acredito que só assim conseguirás aproximar-te dos teus sonhos, respondes-me com amargura e silêncio.
Temo que tudo o que escrevo ou digo não sirva para nada.(...)”
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Broken Strings
You can't feel anything
That your heart don't want to feel
I can't tell you something that ain't real
Oh the truth hurts
And lies worse
How can I give anymore
When I love you a little less than before
[ A verdade é mesmo esta. Não se pode tocar com cordas partidas. Não dá, nem tentem. Ou se arranjam as antigas e se volta a tocar a mesma melodia ou se compram cordas novas. Sem cordas não se toca, sem se tocar não há música, sem música não há sintonia. As pessoas não são cordas mas a melodia tem de continuar...e eu sem música não vivo. Ponto Final. ]
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Manifesto Manifesto
"Querem os nossos sentimentos pois então aqui os têm. Bem ou mal, é isto. Viemos para Évora, muitos de nós, porque tínhamos um sonho, um sonho que era o Teatro, era uma palavra tão estranha como o sonho que cegamente habitávamos. Viemos com a esperança ilusória de que o nosso sonho ou a determinação obstinada do nosso coração nos tinham guiado a este lugar estranho habitado por corpos e palavras e uma imaginação que voava livremente. Eu quero falar-vos de liberdade. Eu quero falar-vos de paixão. Eu quero falar-vos de sonhos. A liberdade é sempre minha. Sempre. Isso é inquestionável. Para me exprimir plenamente, a minha criação não pode ser moldada de acordo com interesses pessoais de outros ou por questões estéticas alheias. Aqui só há interesses, só isso. E os interesses de uns influenciam o crescimento da criação de pessoas que vieram atrás de uma peixão, de sonhos, que vieram atrás de uma liberdade que só pode ser alcançada por meios artísticos. Tenho cada vez mais a noção de que se não me pudesse exprimir aqui no teatro e por formas artísticas, eu, pessoalmente, já estava preso por atentado ao pudor, por exemplo. O problema não são só os interesses. O problema é a falta de compreensão, a falta de paixão, a falta de coração, a falta de vontade. Focamos os nossos problemas no lixo que se acumula, nas fracas infra-estruturas, nas deficientes condições sanitárias e esquecemo-nos de uma lição que o Teatro nos ensinou. Que o teatro não é uma coisa material – tendemos sempre a desviar a nossa atenção disso. E desviamos do quê? Podem vocês perguntar. Chama-se paixão. Chama-se estar apaixonado. Estar apaixonado é cuidar e não desistir quando estamos magoados. Somos pequenos quase sempre e esquecemo-nos de que a universidade não serve para comer e calar, mas para comer e dar a comer de volta, mesmo quando algumas pessoas não têm a boca aberta. Não vim para aqui para ser mais um. Quero marcar a diferença. Como posso fazê-lo quando quem me deveria abrir as asas cortamas? Quando os que me deveriam fazer crescer me empurram mais para baixo? Somos pequeninos e os grandes matam-nos os sonhos. Se calhar de alguma coisa que nunca sentimos vivo. Andam-se aí a matar palavras. Mostram-nos mundos só para dizer que não podemos tocar. Ou podemos tocar mas não podemos provar. Fazem o papel de Deus quando são só humanos que se esqueceram daquilo que um dia também amaram. Não sou de guerras nem de lutas. Sou artista, sou vulnerável. Não brinquem com aquilo que amo. Não me impinjam tempos, nem formas, nem matérias. O teatro é livre e só assim é que vale a pena. Nós somos livres e só assim é que os sonhos e o amor permanecem vivos. Mesmo quando tudo parece morto, estático, inerte e sem solução.
Hoje o meu pai chorou comigo ao telefone por eu já não querer estar aqui, porque me ouviu chorar. E disse-me, mas gostas tanto disso, gostavas tanto de estar aí. E o que é que eu digo a isto? Agora não tenho nada para dizer. Há um homem que admirei a minha vida toda, que dizia, como se falasse comigo. “Mais vale morrer de pé do que viver ajoelhado”. Acabou-se o tempo de silêncio, de fingir que as atitudes não magoam, e que nós só temos de comer. Isto sou eu a arrotar e cheira quem quer. A arte não vale a pena se não a mudarmos, se não gritarmos bem alto, se não exprimirmos, se não fizermos ouvir o nosso pé a bater no chão. Se não estamos aqui para marcar vidas então estamos aqui para quê?"
Cláudia Miriam, Daniel Moutinho, Joana Velez e Tânia Dias.
3º ano do curso de Teatro da Universidade de Évora.
Projecto O.V.N.I.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Aceitação incondicional
(...)“Aceitar é construir sobre a realidade que conheço, que tenho. Aceitar-se pressupõe conhecer-se, saber interrogar-se e amar-se. Aceitar-se implica auto-estimar-se. A auto-estima é a auto-avaliação amorosa do nosso próprio conceito. Por outras palavras, é a aceitação positiva incondicional do que somos, sentindo-nos pessoas valiosas.” Aceitar-se é a possibilidade de dialogar de verdade consigo mesmo. Quando conseguimos dialogar com o nosso mundo interior e aceitá-lo de forma incondicional, estaremos mais aptos a aceitar um possível problema que possa surgir(...).

