
Por vezes surgem pessoas na nossa vida que nem esperamos, nem muito menos pensamos que possam ter algo a ver connosco. Tudo isto porque ambos temos um trauma e ambos nao o conseguimos esquecer,sao diferentes é verdade, mas o mecanismo de defesa é exactamente o mesmo. E entre os seus textos e o seu passado, encontrei este pedaço de letras que me fez imediatamente recordar, quase que sentir, o que já vivi, o que ja senti e que me acompanha dia após dia,sem que eu queira, sem que eu mande, sem que eu consiga coordenar isso, ainda.
Nao foi escrito por mim mas as minhas memórias e maneira de sentir assemelha-se em tudo a ele.
"Desde o primeiro dia em que coloquei os pés nesta instituição fui sempre bem tratado, foi me sempre inculcado o espírito de camaradagem, duma que nunca encontrarei cá fora.Dos dias passados ao relento na semana de campo, do nada ter a que me agarrar a não ser o sorriso dos meus camaradas quando o meu corpo se encontrava gelado. O de sentir que se caísse me ajudariam. O aprender o básico do comportamento militar. O disparar da G3, o sentir o medo dos aspirantes e instruendos no ar. O campo de tiro, O som da culatra atrás. O encostar a arma ao ombro, Apontar, suster a respiração, apontar, e disparar. Sentir o coice da arma que os nossos antepassados levavam consigo para as nossas colónias no ultramar. Saber que tudo isso termina, saber que tudo isso acaba, que terei que colocar um ponto final na minha vida militar.
É incomportável para já eu conseguir sequer conceptualizar, imaginar como será o vazio da minha vida, no momento em que passar á disponibilidade. Mas eu estou me a habituar á ideia, é que não é nada que eu já não soubesse quando entrei para o Exército. O tempo encarrega-se de me roubar as horas. Encarrega-se de as desfazer, de puxar umas vezes lentamente o novelo, outras tão velozmente que parece que o fio do tempo está a voar não a passar normalmente.
Se gosto destes minutos onde a tomada de consciência me pesa? Gosto e não gosto, creio que é inevitável porque me levará a pensar irremediavelmente em qual será o rumo da minha vida. Não gosto porque me lembra que o relógio de Areia que se encontra umas vezes visível outras invisível, me leva inexoravelmente á perda. A vida é uma sucessão de Perdas e de Vitórias.
A tropa fez-me crescer. Tornou-me diferente, e por isso quero me envolver no dia á dia da vida militar até á altura em que deixarei de o ser no papel, porque sempre serei militar. Sempre, até o sangue deixar de correr nas minhas veias."
Marco.
Porque ha coisas na vida que nunca passam,vivem connosco.

Um comentário:
texto muito bom, pois é detalhado mas não é aborrecido, e ´´e homogeneo e equilibrado. Parabens genuinos.
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