quinta-feira, 20 de novembro de 2008

20 de Novembro de 2006


2 anos.
Ela entrou dentro daquele autocarros, pelas 7horas da manha, despediu-se da família, que tinha o maior sorriso de orgulho do mundo e levou com elas todos os sonhos, medos, dúvidas e incertezas que sentia. Os 18 anos de vida revelavam a cada segundo a sua inexperiência, a sua insegurança, o medo de não conseguir, de falhar, de desiludir todos aqueles que amava e que acreditavam nela. Era tudo tão novo, tão diferente, tão adulto. Sentia-se pequenina no meio daqueles homens todos, vestidos da mesma maneira e que se comportavam todos da mesma forma. Mas, á medida que o tempo foi passando deixou de se sentir pequena sentiu-se progressivamente, do mesmo tamanho que todos os outros. Aprendeu que as pessoas não se medem pela sua patente, embora ela conte, mas sim pelas suas atitudes. Aprendeu também a valorizar a amizade, o amor, a camaradagem, a saudade e a independência. Cresceu. Durante três messes não aprendeu apenas a disparar uma arma, a formar-se em grupo, a comportar-se de forma adequada, a ajudar quem precisava, a liderar alguém, não! As lições que retirou desses messes não se escrevem em meras palavras, tem de ser vividas, na pele, com o suor que derramamos, com o nosso corpo que range, com tudo aquilo que somos, em pleno. E sem saber, tudo aquilo que se aprende lá dentro acabamos por aplicar no nosso quotidiano, com as pessoas que conhecemos, sem nos lembrarmos do local onde aprendemos.

Resta a saudade daqueles tempos ingénuos…
Dos domingos…em que ficamos todos na conversa até as tantas!
Das sextas feiras…em que vínhamos para casa
Do juramento de bandeira…em que me senti tão orgulhosa de tudo…
Da semana de campo…
Da marcha de 12 quilómetros…que fiz depois de 4 dias sem dormir, comer…

Do dia 27 de Fevereiro: o dia em que sai daquele mundo que tanto me ensinou…

“Onde há glória todo o perigo é doce”
“Vontade e Valor”


CFGCPE0607
Carregueira.
RI1.

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