quinta-feira, 23 de julho de 2009

A viagem actual de ontem...




Tenho saudades de viagens de outros tempos. Tempos em que não conhecia os caminhos por onde andava, onde só queria percorrer rapidamente os quilómetros que faltavam para chegar ao destino final. Foi nessa altura que aprendi a saborear o Alentejo, a degustar lentamente cada pedaço de céu verde, de natureza, de vida. Naquela altura, os comboios eram diferentes e eu também. Eles eram mais velhos, com pouco conforto e uma janela enorme. Contrariamente, eu era mais nova, com um coração confortavelmente virgem e uma janela aberta á experiência e ao mundo.

No tempo do coração virgem as janelas do comboio fascinavam-me. Lembro-me que davam para baixar e eu ficava de pé, com os braços de fora, apenas a saborear o vento húmido e depois quente á medida que chegava ao Alentejo. A natureza era sentida e apreciada de uma forma diferente, podia ver o movimento inexistente, podia ver a vida a deslocar-se e senti-la no vento que batia na minha cara. Actualmente as viagens não têm a mesma piada, a experiência é muito diferente. Os comboios são mais confortáveis, quase não se sente o movimento, tem casas de banho e podemos fazer quase de tudo mas as janelas estão totalmente fechadas, tornando o ambiente mais frio onde a natureza quase não se pode sentir.

Na memória ficou o cheiro do vento, da natureza na minha face, o cheiro das cidades e do campo, do apito do comboio quando chegava ao destino. Na minha mente ficou aquela adolescente que percorria os caminhos até á capital nos quais aprendeu a sentir a Natureza da Vida.

2 comentários:

Anônimo disse...

esse alentejo roubou-me o coração *

Marco disse...

Doces memórias de pedaços de felicidade inconsciente. Esses e outros momentos serão sempre relembrados no futuro, com maior intensidade se intensamente o presente não for Carpe-Diem. Apreciemos tu e eu, Niz de bem querer... Amo-te