Há aprendizagens na vida que são preciosas para a nossa construção pessoal. Há erros humanos que se podem tornar demasiado perigosos na nossa vida se não forem controlados. Não podemos querer construir pessoas como se fossem puzzles usando vários pedaços pessoas, não podemos nem devemos preencher espaços em branco com espaços de outra cor, de outra pessoa. Cada pessoa é única pelas suas características, sejam elas boas ou más, inatas ou aprendidas, façam elas sofrer ou sejam elas fruto de felicidade, isso não interessa. É errado fazer puzzles de pessoas, isso pode gerar confusões internas não só para o puzzlelista mas também para as peças desse mesmo puzzle. Porque acabamos por acreditar que com um bocadinho de uma pessoa e outro bocadinho de outra que tem as peças que precisamos seremos totalmente felizes e acabamos por ver que nem sempre o que precisamos na nossa vida é o que queremos. Acabamos por entender que nos iludimos, que julgamos gostar dos dois puzzles ao mesmo tempo e da mesma maneira, não vendo que afinal havia um puzzle mais simples e que nos era mais fácil de completar enquanto o outro era mais complexo e poderia levar muito mais tempo a montar. Não podemos sempre escolher o caminho mais simples, porque esse é o caminho que precisamos mas nem sempre é o que queremos, nem sempre é o caminho que mais nos completa, nem sempre é o caminho que nos trará felicidade. De outro modo, até pode ser um caminho feliz mas faltara sempre alguma coisa que rejeitámos do caminho mais complexo, gerando frustração ao concluir que erramos na nossa escolha. As pessoas não são puzzles, eu sei. Mas por vezes há que analisar as situações de forma racional, sem emoções, sem sentimentos, sem coração, como se ele fosse feita de pedra dura e suja. Erros humanos.
Hoje sei que estive quase a optar pelo caminho mais fácil, mais igual a mim, mais gémeo da minha essência. O que realmente queria e precisava, estava bem longe, bem dentro de mim, escondido dentro das minhas palavras, oculto pelos meus olhos, pelo brilho do caminho mais fácil. O que amo esta em tudo o que faço, em tudo o que digo, em tudo o que escrevo com o coração escancarado a realidade. Porque hoje não há medos, não há incertezas, hoje há segurança em nós. No caminho mais complexo mas também o que me recompensa mais a alma. Erros humanos, que não se podem evitar mas que o tempo pode e vai curar. O tempo. O guardião de todos os segredos.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
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