quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Mundos Mudos

Mundos mudos. Onde as pessoas não falam. Onde as pessoas não sentem. Onde as pessoas se impedem de viver. Onde as pessoas impedem a felicidade. Onde as pessoas se impedem de existir. Mas existem.
Seres que querem falar mas as palavras não saem, como se não soubessem falar e tudo o que querem dizer sai exactamente ao contrário. Seres que precisam de ser ouvidos mas as suas palavras estão cheias de enigmas e não há ninguém para os escutar e entender. Seres carentes de vida e de humanidade mas esses são os condenados, pois os humanos regrediram e continuam a regredir cada vez mais, adormecendo todas as suas capacidades sendo cada vez mais o que sempre foram, animais. E como animais que são, transformam-se por instinto e reagem por instinto, por insatisfação e por inveja, a pior praga fabricada pelo homem.
Mundos Mudos. Onde ninguém pára para escutar, onde ninguém se cala para ouvir, onde ninguém olha para observar e as palavras se perdem no ar, onde os sons se desvanecem ficando cada vez mais ténues até desaparecerem.
Existe música nesses mundos, música oculta que ninguém ouve, que ninguém entende, que ninguém quer ouvir. A musica que são as vibrações dos animais, os poucos sentimentos dos animais e as preocupações e angústias desses mesmos animais, um pouco racionais. A insuficiência de existir.

Um comentário:

Ricardo Gomes disse...

Eu queria existir um dia... Não me deixaram... Tentei outravez... Mas não me deixaram outravez... Então... fugi, fui para um mundo onde toda a gente me queria e que toda a gente me detestava... Não sabia o que fazer... estava perdido... Será que tinha feito bem? Não deveria ter estado na solidão!? Porque fugir da prisão quando é ela que nos segura... mas arrisquei, fui em frente, e cá estou... Uma experiência sem igual, pronta a aceitar como a detestar... Mas porquê!?

...

Porque sou assim...Inconsequente