2008.
Este foi o ano da descoberta. Descobri a amizade, a verdadeira. Para mim, a amizade é um processo que se constrói, todos os dias um bocadinho, por duas pessoas que gostam uma da outra, com demonstrações ou não, com palavras ou não, com silêncio ou não, com sorriso ou não, é apenas saber estar. Quando está apenas um, quando se fazem julgamentos, quando se fala sem se conhecer, quando não se respeita a individualidade do outro nem se preocupa em saber como ele se sente, se está bem ou mal e não se respeita a sua dor, não vale a pena insistir mais. A amizade para mim é muito mais que isso. A amizade não é medo, não é insegurança, não é despersonalização, não é inveja. A amizade é algo que nos põe um sorriso no rosto, que nos aproxima das pessoas, com quem podemos dizer aquilo que nos vem a cabeça, com quem podemos contar para uma gargalhada mas também para um abraço, um conforto. Quando queremos desabafar, a última coisa naquele momento que queremos é sermos julgados, ainda mais por pessoas tão significativas. Merecemos ouvir as verdades, por muito duras que sejam, mas não sermos julgados pelo que somos ou fazemos. Não podem querer que cresçamos de um dia para o outro e as criticas não ajudam, em nada. Pelo contrário, apenas magoam mais a cada dia e faz com que nos afastemos. E “amizade” dissolve-se.
Este ano foi o ano das paixões. Descobri que sou uma mulher de paixões assolapadas, que tenho que estar constantemente apaixonada para me sentir viva. Apaixonada pela minha família, pelos meus amigos, pelo meu curso, pelos meus projectos e quem sabe…por um homem merecedor. Descobri que é a paixão que me dá forças, que é o olhar brilhante que me faz ser realmente feliz, que é esta excitação que me provoca que me faz ser tudo aquilo que sou. Descobri que gosto de ser quem sou, da forma que sou, todos os dias, sem excepção. E quem gosta verdadeiramente de mim, gosta deste jeito mesmo. Infantil. Mimada. Inteligente. Sensível. Carinhosa. Insegura. Corajosa. Lutadora. Determinada. Vaidosa. Solidária. Lamechas…
Este ano foi o ano do amor. Descobri que os sentimentos podem surgir em duas semanas e durar um ano. Descobri que as pessoas não mudam, adaptam-se temporariamente. Descobri, também, que não vale a pena insistir em sentimentos individuais, que já terminaram há muito tempo mas que o que persiste é uma habituação. Descobri que ser sincera e verdadeira, despir uma alma para uma pessoa que pensamos ser o amor da nossa vida, não é uma boa opção. Por muito que se ame, por muito que se lute, por muito que se queira a pessoa para a toda a vida, deve haver sempre um mínimo de protecção, a nossa concha deve estar sempre pronta a nos receber de volta, no momento certo. Descobri que embora sinta sempre a falta de alguém, o que gosto mesmo é de estar sozinha. Independente de ninguém, a nível emocional.
Este foi o ano dos projectos. Quando 2008 começou, disse para mim mesma “este ano vou fazer aquilo que já quero fazer há muito tempo e que não fazia por preguiça” e assim fiz. Houve muitos dias cansativos, de trabalho acumulado, alguns desajustes de sono e de paciência, mas foi a melhor coisa que podia ter feito, até hoje. Os meus novos projectos proporcionaram-me conhecer muitas pessoas, desenvolver projectos, tornar-me mais (euro) activa, inserida dentro de uma fundação que me abriu as portas para os sonhos e para outros países também.
Este ano foi ano da família. Finalmente as pontas dos laços voltaram a unir-se. As aproximações chegaram ao coração e o bem-estar regressou, os mimos e o carinho são a constante dos meus dias, das pessoas mais importantes para mim nesta vida. Tudo isso graças a um pequeno “empurrãozinho” mental que me fez lutar pelo meu tesouro esquecido, a minha família. No final deste ano ganhei ainda uma “avozinha”, que me mostrou que a vida pode ser muito negra, que podemos sempre ter muita tristeza nos nossos dias mas que quando sabemos chegar ao coração, pelo menos durante algumas horas, as pessoas conseguem ser felizes, mesmo que depois os olhos voltem a ficar baços e o sorriso se dissolva. Aprendi a ouvir a mesma história todos os dias, a me perguntarem sempre a mesma coisa como se fosse a primeira vez e a saber sorrir, como da primeira vez.
Agora quero receber 2009 com um sorriso! =)


Um comentário:
Para escrever este comment tive de fazer uma pausa antes de o fazer, acredites ou não ao ler está espécie de retrospectiva de 2008 revi-me em quase tudo, é estranho mas vivi alguns desses mesmos sentimentos e nem todos bons, dei por mim com uma lágrima a escorregar-me pelo rosto enquanto lia, não sei como mas 2 pessoas que não se conhecem de lado nenhum conseguem viver as mesmas sensações é no mínimo irreal.
De facto os amigos e principalmente AQUELES amigos que se podem contar apenas com uma mão são o que temos de mais precioso e temos de os cultivar a amizade é como uma grande amor não se procura… Acha-se e quem tem a sorte de o achar tem um bem tão precioso que por vezes nem sabe o quanto, felizmente sei desta realidade e agarro-me a eles como irmãos e este laço prende-nos durante uma vida.
Em relação ao amor de facto é impressionante mas tu escreveste num post o que eu tive de aprender pela pior maneira e como um bom caranguejo sou um apaixonado por natureza pela vida, pelas pessoas, pelos trabalhos, pelos amigos e entrego-me sempre a 100% em tudo e nem sempre o deveria fazer por vezes saio magoado mas não consigo evitar sou assim e sempre vou ser assim.
2008 tambem foi muito importante para mim no que diz respeito á família descubri que são com eles que sem,pré podemos contar e mesmo que por vezes pensamos que não, são eles os primeiros a dar-nos a mão e a apoiar-nos é sem duvida um pilar importantíssimo na vida de uma pessoa.
Bem desculpa lá o mal jeito e enorme post, deixa cá enchiugar as lágrimas, que isto até parece mal…Sou um bocado lamechas mas adorei este post.
Desejo-te um feliz 2009, que consigas tudo aquilo que desejas para ti e para os que te rodeiam
Beijinhos
P.S.- Bolas agora é que vi o tamanho do post, desculpa mas eu quando estou assim escrevo, escrevo, escrevo, escrevo, escrevo, escrevo...
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