terça-feira, 24 de março de 2009

Let it rain


A chuva começa a cair lentamente. Eles encontram-se frente a frente. Olham um para o outro como se fosse a primeira vez. Com o seu olhar tentam dizer aquilo que é impossível traduzir em palavras, tudo aquilo que só o silêncio sabe contar. Ela e os seus olhos negros, ele e os seus olhos verdes, brilhantes de saudades, meigos como o seu toque, doces como a sua pele. Ela, a mulher que o espera, ele, o guerreiro de uma batalha infinita que começou há muitas vidas atrás. Ele, venceu a guerra e este é o seu regresso. Olham-se interminavelmente. Os seus olhos percorrem as saudades de outros tempos, a paixão de viver e o desejo de serem um. Muitas vidas se passaram, muitas batalhas decorreram mas eles permaneceram vivos, esperando o renascer, sabendo que esse dia chegaria. A chuva começa a tornar-se cada vez mais forte e eles continuam a olhar-se. Começam a andar, lentamente, passo a passo…. Param. Encontram-se frente a frente, como da primeira vez. Agora é diferente, os tempos são diferentes, os contornos do desenho têm outra textura, agora é o tempo certo. Os seus olhos encontram-se profundamente cravados um no outro. São um espelho. O reflexo de um tem a figura do outro. As formas encaixam na perfeição, como se fossem desenhados para se encontrarem, para se completarem. O abraço. O contacto com a alma de um faz nascer o espírito do outro. Permanecem assim, agarrados, consumidos pelos momentos, pela magia, pela vida que os circunda. A chuva consumiu tudo á sua volta, no entanto, eles permanecem. O abraço é tão forte como a chuva que cai, que trespassa as pedras da calçada, que alimenta os campos e que faz a vida crescer. Eles são vida e vidas um no outro e agora são um…finalmente!

Dedicated to: My poet @
24 de Março.

Um comentário:

João52 disse...

lindo, simplesmente lindo este seu texto... ADOREI... não tenho palavras para poder descrever tal momento...

um optimo dia

saudações poéticas