quarta-feira, 4 de junho de 2008

O deserto.

E a menina pequenina com um sorriso de 5 anos desfeito, a alma coberta de lágrimas e o corpo machucado de tantas cicatrizes, lentamente, chegou perto do anjo das asas negras, e olhou para ele e para o seu sorriso que sempre a acompanhara em pensamento.
Como era bonito aquele anjo! Os seus longos cabelos castanhos, os seus caracóis ondulados como as ondas do mar que devasta uma essência, o seu porte, a sua postura, estava com a cabeça baixa e os olhos choravam o sangue que corria nas suas veias até ela chegar perto dele. Quando a menina se aproximou daquele ser, as suas lágrimas secaram, o seu sorriso apareceu, e os seus olhos ganharam um brilho diferente.
A menina apaixonou-se por aquele anjo protector, que cuidava dela todos os dias, uma paixão diferente de todas as outras, no entanto, uma paixão intensa. E sempre que a menina chegava perto dele, ele abria as suas longas asas negras e abraçava-a acabando com o seu sofrimento. E a menina vivia feliz porque tinha um anjo sempre com ela, que a protegia, que voava com ela, que dançava no silêncio com ela, aquelas danças que mais ninguém iria entender. Mas um dia, a menina apareceu, naquele deserto escuro e quente,e como sempre, olhou para o anjo, esperando que ele olhasse para ela e entendesse que, mais uma vez, ela precisava dele e que ele iria entender, de certeza, o que ela tinha e abriria as suas longas asas curando a sua tristeza. Porém naquele dia o anjo não se moveu, não levantou a cara, não sorriu, os seus olhos não brilharam. Naquele dia o anjo não abriu as suas asas à menina e ela voltou costas e chorou sozinha, sentada naquele deserto escuro de emoções…

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