sábado, 28 de junho de 2008

Silêncio

Deito-me no silêncio, ele abraça-me e envolve-me na sua imensa tristeza, nas suas lágrimas invisíveis mas destruidoras, no seu desespero, na sua lenta morte espiritual.
Os meus olhos fecham-se, o corpo encolhe-se, o coração começa a deixar de bater lentamente e as lágrimas caem sem direcção, cheias de dor, tanta dor que à medida que caem vão queimando tudo por onde passam.
O silêncio sempre me fez confusão, como se um dia, sem eu estar à espera, me engolisse totalmente e eu ficasse assim, no desespero, sem reacção, sem forma de ser ou estar, sem capacidade de pensar e de agir, desesperada na imensidão do meu sofrimento. Lentamente ele vai-me abraçando mortiferamente, como se me quisesse espetar as farpas mais bicudas no coração, como se fazem aos touros nas arenas, sem piedade. O silêncio, que muitas vezes me acompanhou com sorrisos felizes, com abraços quentes e sensações agradáveis, hoje abraça-me a chorar, a desesperar, a morrer aos bocados.
O silencio, aquele que poderia ser o meu mais fiel companheiro é hoje o mais fiel dos demónios, que me deixa sem respostas, sem perguntas, sem saber o que dizer ou como dizer, que me atormenta a cada segundo que passa, em que não sinto nada.
Eis que chega a altura deste silêncio se desfazer e de tomar uma atitude, de vez…

Quero sentir os meus gritos no ar, quero gritar até que nada sinta, quer gritar de desespero, de tristeza, quero que todos oiçam os meus gritos, tão altos e estridentes que ninguém conseguiria ficar indiferente. Gostava de gritar de raiva e de ódio, que são as poucas coisas que me tem acompanhado, nestas horas de horror. Mas nem eu consigo gritar nem a voz me saem, nem as palavras fazem sentido, já nem eu própria faço algum sentido. No chão do meu quarto, deitadas na minha cama, na atmosfera do meu quarto, estão todas as peças deste novelo de incertezas, espalhadas e descoordenadas, negras como o meu espírito, perfumadas como um esgoto, e nada faz sentido…nada encaixa e tal como elas, também as minhas pelas ficam espalhas e descoordenadas, sem fazer sentido…

2 comentários:

Cláudia Silva disse...

O silencio nem sempre é triste. Depende da forma como o vivemos. Uns melhores que outros mas todos nós nos deparamos com ele em algum momento..

Eu gosto do silencio...prefiro-o ás palavras. Oiço tanto no silencio...vejo tanto... Mais do que no meio das conversas...

É preciso aprender a viver com ele e a tirar dele o melhor partido... Aprende-se com o tempo, acredito.

A solidão quando é propositada sabe bem... o silêncio é a mesma coisa.. Quando nos calamos porque queremos sabe bem, sabe bem não falar, e muito melhor não ouvir.

Oiço a minha cabeça...oiço as pequenas partes de mim que me gritam aos ouvidos. Oiço o coração bater...oiço-me respirar... é uma espécie de meditação.

Mas sim...ás vezes também assusta... Quando não se quer ouvir o coração, quando não se quer ouvir a consciencia a gritar porque alguma coisa não devia ter sido assim. Mas mesmo nesses momentos eu gosto do silencio. Porque gosto que haja alguma coisa que me faça ouvir-me...mais do que ouvir os outros quero ouvir-me a mim. Porque as respostas estão em mim...sempre em mim...

Não tenhas medo do silêncio...encara-o como uma guerreira e tira dele o melhor que pode ter...como de tudo o resto...



Beijinho

Rubi Girão disse...

Aloha. olha depois pa peça dia 2 no garcia marcas tu? eu ja marquei para mim. e pa dia 3 no convento ja te marquei lugar.