Deito-me no silêncio, ele abraça-me e envolve-me na sua imensa tristeza, nas suas lágrimas invisíveis mas destruidoras, no seu desespero, na sua lenta morte espiritual.
Os meus olhos fecham-se, o corpo encolhe-se, o coração começa a deixar de bater lentamente e as lágrimas caem sem direcção, cheias de dor, tanta dor que à medida que caem vão queimando tudo por onde passam.
O silêncio sempre me fez confusão, como se um dia, sem eu estar à espera, me engolisse totalmente e eu ficasse assim, no desespero, sem reacção, sem forma de ser ou estar, sem capacidade de pensar e de agir, desesperada na imensidão do meu sofrimento. Lentamente ele vai-me abraçando mortiferamente, como se me quisesse espetar as farpas mais bicudas no coração, como se fazem aos touros nas arenas, sem piedade. O silêncio, que muitas vezes me acompanhou com sorrisos felizes, com abraços quentes e sensações agradáveis, hoje abraça-me a chorar, a desesperar, a morrer aos bocados.
O silencio, aquele que poderia ser o meu mais fiel companheiro é hoje o mais fiel dos demónios, que me deixa sem respostas, sem perguntas, sem saber o que dizer ou como dizer, que me atormenta a cada segundo que passa, em que não sinto nada.
Eis que chega a altura deste silêncio se desfazer e de tomar uma atitude, de vez…
Quero sentir os meus gritos no ar, quero gritar até que nada sinta, quer gritar de desespero, de tristeza, quero que todos oiçam os meus gritos, tão altos e estridentes que ninguém conseguiria ficar indiferente. Gostava de gritar de raiva e de ódio, que são as poucas coisas que me tem acompanhado, nestas horas de horror. Mas nem eu consigo gritar nem a voz me saem, nem as palavras fazem sentido, já nem eu própria faço algum sentido. No chão do meu quarto, deitadas na minha cama, na atmosfera do meu quarto, estão todas as peças deste novelo de incertezas, espalhadas e descoordenadas, negras como o meu espírito, perfumadas como um esgoto, e nada faz sentido…nada encaixa e tal como elas, também as minhas pelas ficam espalhas e descoordenadas, sem fazer sentido…
sábado, 28 de junho de 2008
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Memórias.
Ela estava a andar pelas ruas, sozinha como sempre, com os papéis na mão, daqueles textos que tanto tinha gostado e que guardava como se da própria vida se tratasse, mas aqueles textos andavam sempre com ela, as suas memórias. Os seus longos e negros cabelos voavam e ondulavam à velocidade do vento e o céu estava negro, coberto de nuvens, prontas a explodir. Ela continuava, pelas ruas vazias, sozinha, como sempre esteve e como sempre se sentiu, com as folhas das suas memórias ao vento e com o céu negro mesmo por cima de si, sentindo-se cada vez mais pequena.
Pelas ruas vazias apenas conseguia distinguir as árvores tristes, sem folhas, como que chorando uma perda, talvez igual á sua, que começavam a abanar cada vez mais na negra noite em se instalava. Subitamente, começou-se a sentir viva, sentiu uma pequena grande gota de água na sua face, e após aquela, cada vez mais gotas caíam, mais rápidas, mais geladas, mais vivas. O seu corpo começou-se a sentir cada vez mais vivo, como nunca antes se sentira, e aquela tempestade inundou-a completamente. Inundou a sua alma, o seu corpo e as suas memórias. Ao saborear a doce tempestade esqueceu-se das suas memórias que começaram, lentamente, a desvanecer-se. No entanto, ela continuava a andar, com o corpo ensopado, a roupa com um tom mais escuro e uma sensação enorme de liberdade. Enquanto isso, as suas memórias foram perdendo cor, e cada passo que ela dava, mais os papéis voltavam a sua cor original e ela continuava a saborear aquele momento. E sem sentir nada, á medida que as suas memorias perdiam cor, também o seu cabelo perdia um pouco mais a sua cor, bem como o seu corpo, os seus olhos, a sua mão começaram, lentamente, a perder a essência, ela começou a desvanecer-se também, tal como os papeis que voltaram a ficar brancos. A chuva começou a ser ainda mais forte e a cair com mais força e quanto mais força ela caía nas ruas mais os papeis perdiam a cor azul bem como ela se ia, lentamente, desvanecendo. A chuva parou, as árvores deixaram de abanar e a única coisa que restou daquele momento foram os papéis, completamente secos, em branco, como novos, prontos a serem escritos novamente.
Pelas ruas vazias apenas conseguia distinguir as árvores tristes, sem folhas, como que chorando uma perda, talvez igual á sua, que começavam a abanar cada vez mais na negra noite em se instalava. Subitamente, começou-se a sentir viva, sentiu uma pequena grande gota de água na sua face, e após aquela, cada vez mais gotas caíam, mais rápidas, mais geladas, mais vivas. O seu corpo começou-se a sentir cada vez mais vivo, como nunca antes se sentira, e aquela tempestade inundou-a completamente. Inundou a sua alma, o seu corpo e as suas memórias. Ao saborear a doce tempestade esqueceu-se das suas memórias que começaram, lentamente, a desvanecer-se. No entanto, ela continuava a andar, com o corpo ensopado, a roupa com um tom mais escuro e uma sensação enorme de liberdade. Enquanto isso, as suas memórias foram perdendo cor, e cada passo que ela dava, mais os papéis voltavam a sua cor original e ela continuava a saborear aquele momento. E sem sentir nada, á medida que as suas memorias perdiam cor, também o seu cabelo perdia um pouco mais a sua cor, bem como o seu corpo, os seus olhos, a sua mão começaram, lentamente, a perder a essência, ela começou a desvanecer-se também, tal como os papeis que voltaram a ficar brancos. A chuva começou a ser ainda mais forte e a cair com mais força e quanto mais força ela caía nas ruas mais os papeis perdiam a cor azul bem como ela se ia, lentamente, desvanecendo. A chuva parou, as árvores deixaram de abanar e a única coisa que restou daquele momento foram os papéis, completamente secos, em branco, como novos, prontos a serem escritos novamente.
O deserto.
E a menina pequenina com um sorriso de 5 anos desfeito, a alma coberta de lágrimas e o corpo machucado de tantas cicatrizes, lentamente, chegou perto do anjo das asas negras, e olhou para ele e para o seu sorriso que sempre a acompanhara em pensamento.
Como era bonito aquele anjo! Os seus longos cabelos castanhos, os seus caracóis ondulados como as ondas do mar que devasta uma essência, o seu porte, a sua postura, estava com a cabeça baixa e os olhos choravam o sangue que corria nas suas veias até ela chegar perto dele. Quando a menina se aproximou daquele ser, as suas lágrimas secaram, o seu sorriso apareceu, e os seus olhos ganharam um brilho diferente.
A menina apaixonou-se por aquele anjo protector, que cuidava dela todos os dias, uma paixão diferente de todas as outras, no entanto, uma paixão intensa. E sempre que a menina chegava perto dele, ele abria as suas longas asas negras e abraçava-a acabando com o seu sofrimento. E a menina vivia feliz porque tinha um anjo sempre com ela, que a protegia, que voava com ela, que dançava no silêncio com ela, aquelas danças que mais ninguém iria entender. Mas um dia, a menina apareceu, naquele deserto escuro e quente,e como sempre, olhou para o anjo, esperando que ele olhasse para ela e entendesse que, mais uma vez, ela precisava dele e que ele iria entender, de certeza, o que ela tinha e abriria as suas longas asas curando a sua tristeza. Porém naquele dia o anjo não se moveu, não levantou a cara, não sorriu, os seus olhos não brilharam. Naquele dia o anjo não abriu as suas asas à menina e ela voltou costas e chorou sozinha, sentada naquele deserto escuro de emoções…
Como era bonito aquele anjo! Os seus longos cabelos castanhos, os seus caracóis ondulados como as ondas do mar que devasta uma essência, o seu porte, a sua postura, estava com a cabeça baixa e os olhos choravam o sangue que corria nas suas veias até ela chegar perto dele. Quando a menina se aproximou daquele ser, as suas lágrimas secaram, o seu sorriso apareceu, e os seus olhos ganharam um brilho diferente.
A menina apaixonou-se por aquele anjo protector, que cuidava dela todos os dias, uma paixão diferente de todas as outras, no entanto, uma paixão intensa. E sempre que a menina chegava perto dele, ele abria as suas longas asas negras e abraçava-a acabando com o seu sofrimento. E a menina vivia feliz porque tinha um anjo sempre com ela, que a protegia, que voava com ela, que dançava no silêncio com ela, aquelas danças que mais ninguém iria entender. Mas um dia, a menina apareceu, naquele deserto escuro e quente,e como sempre, olhou para o anjo, esperando que ele olhasse para ela e entendesse que, mais uma vez, ela precisava dele e que ele iria entender, de certeza, o que ela tinha e abriria as suas longas asas curando a sua tristeza. Porém naquele dia o anjo não se moveu, não levantou a cara, não sorriu, os seus olhos não brilharam. Naquele dia o anjo não abriu as suas asas à menina e ela voltou costas e chorou sozinha, sentada naquele deserto escuro de emoções…
segunda-feira, 2 de junho de 2008
A Descoberta.
Existem pessoas que passam na nossa vida, que deixam marcas em determinados momentos e que acabam por se desvanecer ficando uma leve recordação na nossa vida, existem outras que existem todos os dias, mas que, por alguma razão, não conseguem chegar ao coração, por mais que tentem. Por fim, existem outras, que aparecerem na nossa vida de forma inesperada e que naquele momento se sente que aquela pessoa é realmente especial e que vai ficar para sempre dentro de nós. Porque? Porque há coisas que não se descrevem, por mais palavras que arranjemos temos mesmo de sentir as coisas, de coração aberto. Essas pessoas especiais são especiais, na sua essência, pelas atitudes que têm, pela forma como se comportam, a forma como cativam ou não as pessoas e até pelo seu sorriso. Ás vezes, sem esperarmos, essas pessoas tropeçam na nossa vida. E ai começa a descoberta. A descoberta de que temos os mesmos desejos, as mesmas atitudes, a mesma forma de gostar e até o mesmo tipo de dor. Costumo dizer que não são os momentos bons que juntam as pessoas mas sim aqueles em que partilhamos o sofrimento e um ombro amigo para chorar. Parece que ambas padecemos do mesmo tipo de doença, amar demais, pensar demais, planear demais e querer demais? Será que realmente queremos demais? Ou não queremos apenas aquilo que nos é devido? Temos o direito à felicidade e acima de tudo ás respostas aos nossos problemas, que por mais volta que lhes demos, não achamos solução. E é nesta partilha que descobrimos o ser que está diante de nós, que tal como nós, é frágil e sensível, mesmo que escondido por muralhas de aço, mesmo com uma capa e uma mascara a esconder o rosto, por vezes, a máscara cai, e o teatro desfaz-se. E é quando encontramos esse olhar tão sofrido e semelhante ao nosso e quando as mãos se dão, que se gera um sentimento demasiado bonito para se falar nele, é quando descobrimos que não estamos sozinhas, que existe alguém que nos entende na perfeição, tão perto de nós. Eu descobri essa pessoa, que me diz que gosta de mim com o sorriso rasgados e que me sabe aconchegar o coração quando ele se sente mais machucado e ferido. Descobri-te a ti gémea. Obrigado por tudo.
sábado, 26 de abril de 2008
domingo, 20 de abril de 2008
O Trauma

Por vezes surgem pessoas na nossa vida que nem esperamos, nem muito menos pensamos que possam ter algo a ver connosco. Tudo isto porque ambos temos um trauma e ambos nao o conseguimos esquecer,sao diferentes é verdade, mas o mecanismo de defesa é exactamente o mesmo. E entre os seus textos e o seu passado, encontrei este pedaço de letras que me fez imediatamente recordar, quase que sentir, o que já vivi, o que ja senti e que me acompanha dia após dia,sem que eu queira, sem que eu mande, sem que eu consiga coordenar isso, ainda.
Nao foi escrito por mim mas as minhas memórias e maneira de sentir assemelha-se em tudo a ele.
"Desde o primeiro dia em que coloquei os pés nesta instituição fui sempre bem tratado, foi me sempre inculcado o espírito de camaradagem, duma que nunca encontrarei cá fora.Dos dias passados ao relento na semana de campo, do nada ter a que me agarrar a não ser o sorriso dos meus camaradas quando o meu corpo se encontrava gelado. O de sentir que se caísse me ajudariam. O aprender o básico do comportamento militar. O disparar da G3, o sentir o medo dos aspirantes e instruendos no ar. O campo de tiro, O som da culatra atrás. O encostar a arma ao ombro, Apontar, suster a respiração, apontar, e disparar. Sentir o coice da arma que os nossos antepassados levavam consigo para as nossas colónias no ultramar. Saber que tudo isso termina, saber que tudo isso acaba, que terei que colocar um ponto final na minha vida militar.
É incomportável para já eu conseguir sequer conceptualizar, imaginar como será o vazio da minha vida, no momento em que passar á disponibilidade. Mas eu estou me a habituar á ideia, é que não é nada que eu já não soubesse quando entrei para o Exército. O tempo encarrega-se de me roubar as horas. Encarrega-se de as desfazer, de puxar umas vezes lentamente o novelo, outras tão velozmente que parece que o fio do tempo está a voar não a passar normalmente.
Se gosto destes minutos onde a tomada de consciência me pesa? Gosto e não gosto, creio que é inevitável porque me levará a pensar irremediavelmente em qual será o rumo da minha vida. Não gosto porque me lembra que o relógio de Areia que se encontra umas vezes visível outras invisível, me leva inexoravelmente á perda. A vida é uma sucessão de Perdas e de Vitórias.
A tropa fez-me crescer. Tornou-me diferente, e por isso quero me envolver no dia á dia da vida militar até á altura em que deixarei de o ser no papel, porque sempre serei militar. Sempre, até o sangue deixar de correr nas minhas veias."
Marco.
Porque ha coisas na vida que nunca passam,vivem connosco.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Saudades...muitas!!

"Onde há glória todo o perigo é doce"
Saudades de me sentir eu, de me sentir alguém, de me sentir especial, de me sentir importante, de sentir que sim, a minha vida fazia mais sentid naquele meio, saudades da gama e nao da nadja, saudades de chorar de dor, saudades de rir das parvoices da cardoso e da morais, saudades de nao ter voz para gritar, saudades de me doerem as pernas nas formaturas, saudades de ter orgulho em tudo o que estava a fazer, saudades de discutir com a machado porque ela era negativa e tinha a mania, saudades dos serviços, saudades de levar na cabeça do furriel porque na vi os galoes do tenente de espada,saudades da semana de campo, saudades de ter fome, saudades da comida de merda daquele regimento, saudades até da silvas, saudades dos "camaradas", saudades do "gaminha", saudades de chorar quando nao aguentava mais, saudades das aulas em que quase todos adormeciam de cansaço e eu tambem, saudades das aulas de justiça, saudades das cambalhotas, saudades de rastejar, saudades das tendinites e das bolhas, saudades da enfermaria, saudades das saudades de casa, saudades do meu camuflado, saudades das minhas botas, muitas saudades de usar a minha boina, saudades dos planos que tinha para o futuro, saudades de arranhar até nao poder mais, saudades dos primeiros dias, saudades dos ultimos dias, saudades das formaturas da manha, saudades do corpo ranger de frio, saudades dos poli-chinelos,das flexoes, dos pulos de galo, saudades de limpar armas, saudades de desmontar a minha namorada, saudades de acordar durante a noite numa cama que nao era a minha, saudades de mim, da inocencia e dos 18 anos, saudades do comboio onde dormia a viagem inteira, saudades dos olhares das pessoas no comboio e no expresso,saudades do sotaque nortenho do meu furriel que trocava suspensorios por supositorios, saudades das musicas da formatura que me fazia tremer de orgulho, saudades de me arrepiar ao som do hino nacional, saudades até de ver a desgraça do convento de mafra, saudades do dia do meu juramento, saudades do orgulho e do brilho nos olhos dos meus pais, saudades do meu namorado que nao sabia o que dizer, saudades desse dia, saudades de todos os outros, saudades do dia em que fiz 10 jarros de sangria, saudades da cozinha do regimento, saudades de servir nas linhas o pequeno almoço, saudades de dormir 3 a 4 horas por dentro, saudades de me irritar com a minha cama, de lençois brancos e esticados, saudades de me levantar as 6.30 e saber que valeria a pena e nunca valeu, saudades das sextas feiras e dos risos na nossa caserna na hora da revista, saudades de tudo, saudades de infantaria...saudades do passado que esta gravado em mim e nao vai voltar,nunca mais...
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Tudo no meio do Nada.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Tempestade
Sinto o mundo a fugir-me entre os dedos: as cores começam, lentamente a transformar-se, os perfumes começam a desaparecer, os ventos mudaram a sua direcção e o mar está agitado, cada vez mais agitado. O músculo alojado do lado esquerdo do corpo deixa de dar sinal, as emoções começam a perder a intensidade e o meu mundo está a voltar a ser preenchido a preto e branco novamente, porque eu gosto dele assim, porque é a minha maneira de lidar com a alienação da minha mente, porque é a forma que o meu ser tem de se equilibrar. O mundo pintado a preto e branco é o mundo onde eu estou sempre, mas sempre bem, independentemente de os outros estarem mal ou não, porque nada me abala, porque, simplesmente, não acredito em nada, apago essa capacidade de ver e sentir outros seres como eu, pessoas, acho. Porque quando conheci esse mundo encontrei a minha melhor amiga, a solidão. Aquela que me acolhia de braços abertos, aquela que me dava força sempre que estava deprimida, que me fazia levantar e me mostrava a beleza do mundo, do meu jeito. Esse mundo foi aquele onde fui a mais feliz e mais triste de sempre, feliz porque aprendi a estar sozinha, a ter apenas os essenciais, os do coração, perto de mim e os outros, os outros teriam muito que fazer para chegar a mim, porque eu simplesmente não deixava que entrassem nesse mundo e era tão mais feliz assim. A razão de toda essa minha felicidade é o facto de me proibir de “sentir”, ou seja, o desprezo e a despreocupação eram as minhas aliadas, as minhas irmãs, e o “barulho” exterior era musica que eu simplesmente não ouvia, porque não queria.
Claro que nesse mundo estava presa a muitos ideais de vida, que tantas pessoas à minha volta não entenderam, nem entenderão, porque há coisas que só sentido, só passando por elas, para se dar o valor. Há momentos, há dores tão profundas que nos fazem criar defesas, às vezes, ate de nós mesmos. A diferença das pessoas está, na altura em que as devem ou não baixar. As pedras que destrui com orgulho continuam lá, prontas a construir um novo castelo, apenas com janelas altas, o suficiente para alguém se colocar em bicos de pés e espreitar lá para dentro, porque o seu interior, ficará apenas reservado aos verdadeiros, aos essenciais, aos que merecem mesmo entrar.
Claro que nesse mundo estava presa a muitos ideais de vida, que tantas pessoas à minha volta não entenderam, nem entenderão, porque há coisas que só sentido, só passando por elas, para se dar o valor. Há momentos, há dores tão profundas que nos fazem criar defesas, às vezes, ate de nós mesmos. A diferença das pessoas está, na altura em que as devem ou não baixar. As pedras que destrui com orgulho continuam lá, prontas a construir um novo castelo, apenas com janelas altas, o suficiente para alguém se colocar em bicos de pés e espreitar lá para dentro, porque o seu interior, ficará apenas reservado aos verdadeiros, aos essenciais, aos que merecem mesmo entrar.
terça-feira, 25 de março de 2008
Janela de mim..
Hoje quero, por momentos, deixar de ser eu, quero, por momentos, sair de mim e observar-me. Hoje quero ver aquela menina que vive dentro de mim, aquela menina que adora sonhar, que adora pintar a vida dela com desenhos a preto e branco, que ouve musicas tristes que, para ela, são odes ao equilíbrio. Aquela criança que sorri, de forma inocente, que se faz de ingénua porque não quer ver maldade em nada, porque enquanto assim é, pode imaginar o mundo das cores que quiser.
Tenho saudades da criança que desarrumava o quarto todo para brincar com as bonecas, da criança que sempre que recebia alguma coisa nova pulava louca de felicidade, mesmo que fosse uma simples caixa de papel, com cores. Porque para ela não lhe interessava o que era o presente, interessava-lhe que se lembravam dela, que lhe davam alguma coisa, por mais insignificante, que faziam sentir-se especial.
Tenho saudades da criança, que as vezes, por momentos, consegue rir-se de tudo e de nada e consegue ser feliz com nada perto de tudo o que tem.
Porque essa criança gosta de se aproximar das pessoas, de chegar-se devagarinho e de se sentir em “casa”, de sentir que aquele é o seu lugar, a sua nova casa, gosta de sentir que é especial, gosta de um abraço forte, no silêncio, gosta da saudade daquela pessoa que não vê há um dia ou dois, gosta de sentir a dor no peito da ausência, das palavras, dos actos, dos sorrisos e das gargalhadas daquele anjo que enche a sua vida de amor.
A criança do sorriso de 5 anos é o melhor de mim.
Tenho saudades da criança que desarrumava o quarto todo para brincar com as bonecas, da criança que sempre que recebia alguma coisa nova pulava louca de felicidade, mesmo que fosse uma simples caixa de papel, com cores. Porque para ela não lhe interessava o que era o presente, interessava-lhe que se lembravam dela, que lhe davam alguma coisa, por mais insignificante, que faziam sentir-se especial.
Tenho saudades da criança, que as vezes, por momentos, consegue rir-se de tudo e de nada e consegue ser feliz com nada perto de tudo o que tem.
Porque essa criança gosta de se aproximar das pessoas, de chegar-se devagarinho e de se sentir em “casa”, de sentir que aquele é o seu lugar, a sua nova casa, gosta de sentir que é especial, gosta de um abraço forte, no silêncio, gosta da saudade daquela pessoa que não vê há um dia ou dois, gosta de sentir a dor no peito da ausência, das palavras, dos actos, dos sorrisos e das gargalhadas daquele anjo que enche a sua vida de amor.
A criança do sorriso de 5 anos é o melhor de mim.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Utopias..
Sinto-me estranha hoje, não sei o que vai dentro de mim, não sei o que pensar com tanta coisa que me esta a encher a cabeça neste momento!. Não sei se é bom, se é mau, se me faz sorrir ou se me faz ter vontade de chorar, sinto falta de alguma coisa que não sei dar nome porque nem eu sei o que é. São aqueles dias em que sei que existo, simplesmente porque sim. Sem razão aparente, sem motivo suficientemente forte, apenas porque sim.
Sinto necessidade de outras coisas na minha vida, que não me façam estar sempre a pensar, que me façam parar a cabeça por momentos, preciso de me voltar a sentir útil mas não encontro forma de o atingir. Não encontro forma de arrancar este vazio que se voltou a instalar em mim novamente. Parece que a vida é uma droga, as coisas que antes nos fascinavam e nos preenchiam deixam de ser suficientes para nos curar os buracos fundos no caminho que queremos percorrer.
Não me sinto útil em nenhum aspecto neste momento, não sinto que haja alguma coisa que me faça sentir útil. E sim, sinto-me estúpida e sinto-me sozinha, sinto que preciso mais da vida do que o que possuo neste momento. Preciso de viver, preciso de me sentir viva, preciso de me sentir eu, preciso de trabalhar a sério, em alguma coisa que eu goste, preciso de alguma coisa, que me faça sentir eu mesma.
Porque, ás vezes, esqueço-me que não tenho só deveres mas também que tenho direitos. Tenho o direito de viver, de gritar, de falar, de estar com os mais importantes, de fazer alguma coisa por mim e não de me sentir inútil como me tenho sentido ultimamente. Sinto-me perdida dentro de uma ilusão, da qual, simplesmente, não estou a conseguir sair. A cada dia que passa, sinto-me a perder qualidades, sinto-me a perder fôlego, sinto-me cansada. Cansada de tudo. Cansada desta cidade, das pessoas que conheço desde que nasci, pessoas com quem nunca falei mas só as suas caras familiares já me enjoam. Sinto falta de alguma coisa nova, preciso de algo novo, preciso de fazer alguma coisa que me ajude a tapar estes buracos que começam a aumentar todos os dias mais um bocadinho e que eu, não querendo, acabo por deixar fugir, de mim. Tenho necessidades de sentir saudades de casa, de sentir saudades de tudo, se me sentir em casa quando volto após tempos que parecem anos longe do meu mundo.
O ser humano é sem dúvida um ser estranho, há pessoas que o que mais desejam é estar junto dos que amam, e eu, que tenho tudo á minha disposição, que sou privilegiada quero é estar longe de todos, o porquê, eu não sei, mas fazia-me bem, sentia-me livre, sentia-me eu mesma. Eu preciso de sentir saudades dos que amo, preciso de sentir saudades da minha casa, do meu quarto, dos meus amigos, da minha alma, preciso de me afastar de tudo e de todos.
Mas eu sei que o que desejo neste momento, é uma utopia, por enquanto. Neste momento, nada posso fazer por isso, nada posso fazer por este desejo enorme de desaparecer daqui, de ver outras caras, outras pessoas, outras paixões, outros locais.
Sinto saudades de me sentir perto, estando cada vez mais longe.
Sinto necessidade de outras coisas na minha vida, que não me façam estar sempre a pensar, que me façam parar a cabeça por momentos, preciso de me voltar a sentir útil mas não encontro forma de o atingir. Não encontro forma de arrancar este vazio que se voltou a instalar em mim novamente. Parece que a vida é uma droga, as coisas que antes nos fascinavam e nos preenchiam deixam de ser suficientes para nos curar os buracos fundos no caminho que queremos percorrer.
Não me sinto útil em nenhum aspecto neste momento, não sinto que haja alguma coisa que me faça sentir útil. E sim, sinto-me estúpida e sinto-me sozinha, sinto que preciso mais da vida do que o que possuo neste momento. Preciso de viver, preciso de me sentir viva, preciso de me sentir eu, preciso de trabalhar a sério, em alguma coisa que eu goste, preciso de alguma coisa, que me faça sentir eu mesma.
Porque, ás vezes, esqueço-me que não tenho só deveres mas também que tenho direitos. Tenho o direito de viver, de gritar, de falar, de estar com os mais importantes, de fazer alguma coisa por mim e não de me sentir inútil como me tenho sentido ultimamente. Sinto-me perdida dentro de uma ilusão, da qual, simplesmente, não estou a conseguir sair. A cada dia que passa, sinto-me a perder qualidades, sinto-me a perder fôlego, sinto-me cansada. Cansada de tudo. Cansada desta cidade, das pessoas que conheço desde que nasci, pessoas com quem nunca falei mas só as suas caras familiares já me enjoam. Sinto falta de alguma coisa nova, preciso de algo novo, preciso de fazer alguma coisa que me ajude a tapar estes buracos que começam a aumentar todos os dias mais um bocadinho e que eu, não querendo, acabo por deixar fugir, de mim. Tenho necessidades de sentir saudades de casa, de sentir saudades de tudo, se me sentir em casa quando volto após tempos que parecem anos longe do meu mundo.
O ser humano é sem dúvida um ser estranho, há pessoas que o que mais desejam é estar junto dos que amam, e eu, que tenho tudo á minha disposição, que sou privilegiada quero é estar longe de todos, o porquê, eu não sei, mas fazia-me bem, sentia-me livre, sentia-me eu mesma. Eu preciso de sentir saudades dos que amo, preciso de sentir saudades da minha casa, do meu quarto, dos meus amigos, da minha alma, preciso de me afastar de tudo e de todos.
Mas eu sei que o que desejo neste momento, é uma utopia, por enquanto. Neste momento, nada posso fazer por isso, nada posso fazer por este desejo enorme de desaparecer daqui, de ver outras caras, outras pessoas, outras paixões, outros locais.
Sinto saudades de me sentir perto, estando cada vez mais longe.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Gostava...
Gostava de estar abraçada a alguém que me fizesse festas e me desse força. Gostava que um dia alguém me limpasse estas lágrimas que teimo em esconder e fazer de conta que não existem. Gostava que alguém me tirasse este peso que sinto dentro de mim. Gostava que neste momento não sentisse vontade de desaparecer para bem longe e nunca mais ninguém me metesse a vista em cima. Gostava de conseguir sorrir como se a vida fosse perfeita. Gostava de poder resolver os problemas de toda a gente que eu amo. Gostava de não me sentir inútil quando sei que nada posso fazer, que nada posso dizer e o silencio que existe, em determinadas alturas, sufoca-me. Gostava que esse mesmo silencio por vezes não me tirasse o ar, as palavras e deixasse os meus pensamentos em paz.
Gostava que pudesses estar sempre perto e ver-te todos os dias. Gostava de poder ir sair contigo quando saiu das aulas, gostava de passear contigo pela cidade sempre que nos fosse possível, no fundo gostava que de vez em quando alguma coisa me fosse dada sem ter que lutar por ela e fazer tantos sacrifícios como já fiz. Gostava que estivesses mais presente na minha vida, de todos os dias. Mas nunca estiveste tao presente quanto eu gostaria e será que algum dia vais estar?.Hoje precisava do teu abraço quente e doce, do teu sorriso, do teu carinho. Hoje mais do que nunca precisava de ti. Estás presente em mim mas ausente ao mesmo tempo. Amo-te e tento ganhar forças, para mim e por nós, porque merecemos estar bem, porque nos amamos e eu acredito que juntos podemos vencer. Hoje só quero estar sozinha.
Gostava que pudesses estar sempre perto e ver-te todos os dias. Gostava de poder ir sair contigo quando saiu das aulas, gostava de passear contigo pela cidade sempre que nos fosse possível, no fundo gostava que de vez em quando alguma coisa me fosse dada sem ter que lutar por ela e fazer tantos sacrifícios como já fiz. Gostava que estivesses mais presente na minha vida, de todos os dias. Mas nunca estiveste tao presente quanto eu gostaria e será que algum dia vais estar?.Hoje precisava do teu abraço quente e doce, do teu sorriso, do teu carinho. Hoje mais do que nunca precisava de ti. Estás presente em mim mas ausente ao mesmo tempo. Amo-te e tento ganhar forças, para mim e por nós, porque merecemos estar bem, porque nos amamos e eu acredito que juntos podemos vencer. Hoje só quero estar sozinha.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Explosão de emoções.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Vocês
Este texto é especial porque fala de pessoas especiais, de pessoas novas na minha vida mas que parece que fazem parte dela há séculos. Pessoas totalmente diferentes de mim e que todos os dias me ensinam algo novo, pessoas que tem dificuldades, pessoas que se tornaram mais fortes devido a elas e que eu admiro por isso mesmo, por não se deixarem vencer quando as dificuldades surgem, por ganharem forças para resistir aos obstáculos e por ainda conseguirem transmitir sentimentos de segurança e de estabilidade aos outros, mesmo quando não os sentem dentro de si.
Amizade. Esta palavra que sempre esteve sempre muito presente na minha vida, no entanto nunca soube o seu verdadeiro significado, nunca lhe senti o sabor, nunca a souber ver, nunca a soube sentir. Se alguma vez ela existiu foi de forma tão leve que nem soube saborear. Até que vos conheci. E tive medo, porque era uma sensação desconhecida e que supostamente eu deveria conhecer. Porque não sabia como lidar com vocês, como me mostrar, como vos tratar. Porque o que me faziam sentir diariamente era tão bonito que tinha medo de me habituar e depois de tudo se desvanecer, como anteriormente já me tinha acontecido.
Lentamente, ensinara-me a respeitar as vossas diferenças, os vossos momentos, as vossas opiniões e as vossas maneiras de ser e de viver. Aprendi que o verdadeiro amigo não é o que diz “podes contar comigo” mas sim aquele que fica com a pessoa, de mãos dadas num momento de silêncio, sem dizer uma palavra porque elas nem sequer são necessárias, tudo é dito e sentido em silêncio. Aprendi que o verdadeiro amigo é aquele nos faz chorar com as verdades e não o que nos diz o que queremos ouvir.
Cada um de vocês me preenche de diversas maneiras. Uma com o seu olhar profundo e escuro mas tão doce e meigo que se torna irresistível, com uma frontalidade que chega a doer dizendo as palavras certas nos momentos correctos, que é dura nas palavras mas amiga nos actos e que tem um sorriso que ilumina o mundo. A outra, tão semelhante à primeira e ao mesmo tempo tão diferente, esta com um sorriso que me faz cócegas no interior que tem o poder nas palavras que diz e que enchem todos os momentos de boa disposição e de alegria, aquela que admiro por tudo e por quem tenho um fascínio inexplicável. A terceira é a doçura em pessoa, a ingenuidade nos actos, o humor nas palavras mas também o carinho dos abraços, do momentos, a paciência que tem para ouvir vezes sem conta a mesma historia e dizer vezes sem conta os mesmos conselhos. E por fim, a última pessoa com uma importância diferente, que me ensinou a ver os mundos ocultos, o mistério das palavras e a escutar as vibrações entre as pessoas.
Este último foi aquele que mais me ajudou a tomar a decisão correcta na minha vida e a ganhar forças para enfrentar as consequências dos meus actos.
Preciso de todos, de maneiras diferentes. Preciso todos os dias porque me completam, porque me aturam, porque me incentivam a ser cada vez melhor, porque me ajudam a seguir o caminho que devo seguir, porque me ouvem, porque me proporcionam momentos inesquecíveis e acima de tudo porque gostam de mim, como eu sou, com os defeitos e as qualidades que tenho. E isso para mim, já é um mundo.
Vocês, os imbatíveis do meu coração.
Amizade. Esta palavra que sempre esteve sempre muito presente na minha vida, no entanto nunca soube o seu verdadeiro significado, nunca lhe senti o sabor, nunca a souber ver, nunca a soube sentir. Se alguma vez ela existiu foi de forma tão leve que nem soube saborear. Até que vos conheci. E tive medo, porque era uma sensação desconhecida e que supostamente eu deveria conhecer. Porque não sabia como lidar com vocês, como me mostrar, como vos tratar. Porque o que me faziam sentir diariamente era tão bonito que tinha medo de me habituar e depois de tudo se desvanecer, como anteriormente já me tinha acontecido.
Lentamente, ensinara-me a respeitar as vossas diferenças, os vossos momentos, as vossas opiniões e as vossas maneiras de ser e de viver. Aprendi que o verdadeiro amigo não é o que diz “podes contar comigo” mas sim aquele que fica com a pessoa, de mãos dadas num momento de silêncio, sem dizer uma palavra porque elas nem sequer são necessárias, tudo é dito e sentido em silêncio. Aprendi que o verdadeiro amigo é aquele nos faz chorar com as verdades e não o que nos diz o que queremos ouvir.
Cada um de vocês me preenche de diversas maneiras. Uma com o seu olhar profundo e escuro mas tão doce e meigo que se torna irresistível, com uma frontalidade que chega a doer dizendo as palavras certas nos momentos correctos, que é dura nas palavras mas amiga nos actos e que tem um sorriso que ilumina o mundo. A outra, tão semelhante à primeira e ao mesmo tempo tão diferente, esta com um sorriso que me faz cócegas no interior que tem o poder nas palavras que diz e que enchem todos os momentos de boa disposição e de alegria, aquela que admiro por tudo e por quem tenho um fascínio inexplicável. A terceira é a doçura em pessoa, a ingenuidade nos actos, o humor nas palavras mas também o carinho dos abraços, do momentos, a paciência que tem para ouvir vezes sem conta a mesma historia e dizer vezes sem conta os mesmos conselhos. E por fim, a última pessoa com uma importância diferente, que me ensinou a ver os mundos ocultos, o mistério das palavras e a escutar as vibrações entre as pessoas.
Este último foi aquele que mais me ajudou a tomar a decisão correcta na minha vida e a ganhar forças para enfrentar as consequências dos meus actos.
Preciso de todos, de maneiras diferentes. Preciso todos os dias porque me completam, porque me aturam, porque me incentivam a ser cada vez melhor, porque me ajudam a seguir o caminho que devo seguir, porque me ouvem, porque me proporcionam momentos inesquecíveis e acima de tudo porque gostam de mim, como eu sou, com os defeitos e as qualidades que tenho. E isso para mim, já é um mundo.
Vocês, os imbatíveis do meu coração.
Guerreiros
Desde menina que me ensinaram a lutar pelo que queria, a nunca desistir do meu objectivo até o conquistar. E até hoje sempre lutei por mim, pelos que amo, pelo meu futuro, pelas minhas ambições e fui bem sucedida. Mas estas palavras não seriam tão significantes senão houvesse uma luta que se distinguisse no meio de todas as outras.
A luta que se destacou pelos seus obstáculos, pelas suas vivências, pelas mudanças e por fim, pela nossa evolução pessoal. Porque quando te conheci era bem diferente, não sabia bem o que significava o nosso sentimento, acho que a própria noção de relação me era estranha mas tu com o teu jeitinho conseguiste com que entendesse muitas coisas e me tornasse na tua namorada. A verdadeira. Cometi muitos erros, disse muitas palavras em vão, discuti muitas vezes por coisas mínimas mas aprendi muitas lições importantes. Aprendi a esperar que te apercebesses dos teus erros, mesmo quando tinha vontade de desistir de nós, mesmo quando achava que nunca poderíamos resultar, mesmo quando via que o fim estava próximo. Aprendi a entender as tuas necessidades bem como os teus medos. Aprendi a conhecer-te através do conhecimento de mim própria. Aprendi que são as diferenças que nos unem e não o contrário. Aprendemos a fazer sacrifícios por quem amamos, a ceder de forma saudável mas acima tudo aprendemos a nos respeitar enquanto pessoas, amigos e namorados. E essas, na minha opinião são as lições mais verdadeiras e significativas que poderia aprender e que te poderia ensinar.
Fomos guerreiros desde o início, lutámos sempre por nos melhorar e por melhorar a nossa relação, lutei contra todos os obstáculos que se entrepunham e quando começamos a lutar juntos a vitória chegou ainda mais depressa. E hoje consigo ver que todos os momentos maus que tivemos foram necessários, que as lágrimas foram a ponte, que a dor foi o mecanismo e que todas as palavras soltas foram o caminho para vermos o que era essencial: o amor que nos tem unido e nos continua a unir, dia após dia, que fortifica gesto após gesto e que se intensifica momento após momento.
Hoje sei que durante todo este tempo fomos guerreiros, usámos diversas armas mas vencemos a guerra e atingimos a vitória, de mãos dadas.
A luta que se destacou pelos seus obstáculos, pelas suas vivências, pelas mudanças e por fim, pela nossa evolução pessoal. Porque quando te conheci era bem diferente, não sabia bem o que significava o nosso sentimento, acho que a própria noção de relação me era estranha mas tu com o teu jeitinho conseguiste com que entendesse muitas coisas e me tornasse na tua namorada. A verdadeira. Cometi muitos erros, disse muitas palavras em vão, discuti muitas vezes por coisas mínimas mas aprendi muitas lições importantes. Aprendi a esperar que te apercebesses dos teus erros, mesmo quando tinha vontade de desistir de nós, mesmo quando achava que nunca poderíamos resultar, mesmo quando via que o fim estava próximo. Aprendi a entender as tuas necessidades bem como os teus medos. Aprendi a conhecer-te através do conhecimento de mim própria. Aprendi que são as diferenças que nos unem e não o contrário. Aprendemos a fazer sacrifícios por quem amamos, a ceder de forma saudável mas acima tudo aprendemos a nos respeitar enquanto pessoas, amigos e namorados. E essas, na minha opinião são as lições mais verdadeiras e significativas que poderia aprender e que te poderia ensinar.
Fomos guerreiros desde o início, lutámos sempre por nos melhorar e por melhorar a nossa relação, lutei contra todos os obstáculos que se entrepunham e quando começamos a lutar juntos a vitória chegou ainda mais depressa. E hoje consigo ver que todos os momentos maus que tivemos foram necessários, que as lágrimas foram a ponte, que a dor foi o mecanismo e que todas as palavras soltas foram o caminho para vermos o que era essencial: o amor que nos tem unido e nos continua a unir, dia após dia, que fortifica gesto após gesto e que se intensifica momento após momento.
Hoje sei que durante todo este tempo fomos guerreiros, usámos diversas armas mas vencemos a guerra e atingimos a vitória, de mãos dadas.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Living on a Prayer
“She says weve got to hold on to what weve got
cause it doesnt make a difference
If we make it or not
Weve got each other and thats a lot
For love - well give it a shot
Take my hand and well make it - I swear
Livin on a prayer”
Há pequenos pedaços de breves frases que nos fazem voar exactamente no instante em que as lemos. Porque são pequenas frases como estas que me mostram todos os dias que valemos a pena, que a nossa luta não foi em vão, que quando nos temos apenas um ao outro, isso já preenche uma vida.
Porque me orgulhas todos os dias mais e quando penso que não me podes surpreender dás-me “prendinhas destas” que fico sem saber o que dizer. Porque me encantas com coisinhas mágicas que descobriste há pouco tempo, por me fascinas com momentos inesperados. Porque sinto em mim algo diferente, algo que me diz que somos um só.
És o meu paraíso.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Porquê?
Porquê? É esta a pergunta que me faço de todas as vezes que sinto esta dor em mim. Mesmo que finja que está tudo bem, nunca está tudo bem porque há coisas que por mais que pense ou tente nunca serão superadas. Porquê tenho de carregar este peso nas minhas costas há tanto tempo? Porque não posso simplesmente deixar de viver com esta angústia sempre que vejo algo relacionado, porque me irrito tanto?
Porque é que tenho vontade de chorar e o coração se cola ao meu peito tentando evitar que nem uma lágrima caia? Porquê?
Eu tento esquecer, tento ultrapassar mas parece que há coisas que nos perseguem, parece que é impossível…parece que mereço isto de alguma maneira, parece que é o meu destino sofrer com esta terrível e maravilhosa esperança. Porquê?
Porque não pode este sentimento, este novelo de emoções, esta dor profunda sempre que me lembro do assunto ir-se embora de vez?
Sinto-me desesperada, por mais que tente ignorar, dói-me, dói-me sempre e cada vez mais fundo, tento fazer que não me importo, que não mexe comigo, que já passou, tento respirar fundo mas parece que não me ajuda em nada, tenho ataques de raiva constantes e sinto ódio dentro de mim, mas porque? Qual é o motivo de tanta dor e de tanto sofrimento? Qual o motivo pelo qual sofro desta maneira tão estúpida mas que deixou tantas marcas e continua a abrir fendas em mim as vezes grandes de mais para se poderem suportar?
Há caminhos nos quais nunca devemos entrar, mas deveríamos ao menos conseguir sair deles, se são errados, se não são para nós, então porque continuar a sofrer por eles? Porque me caem as lágrimas ao escrever sobre isto? Porque é que o meu corpo entra em incêndio? Porque é que as minhas costas perdem força, porque é que os meus olhos não brilham e estão cheios de escuridão? Porque continuo a fazer este sorriso estúpido e idiota sempre que algo me lembra do assunto? Porquê?
Parece que foi ontem que tudo aconteceu, que me deram a noticia, que me tiraram as asas, que me cortaram as pernas, que me fizeram o maior golpe no coração até aquela altura, parece que ainda vejo o olhar e as lágrimas de alguns, as lágrimas que não paravam de cair, os abraços repetidos, o medo de tanta coisa e eu lá com o queixo bem levantado, com a cabeça bem erguida como me ensinaram. Até hoje nunca mais baixei a cabeça por motivo algum, como se diz, não devo nada a ninguém!
Talvez alguém me deva algo a mim, algo demasiado valioso, algo que não se compra, algo que não se adquire, alguém tentou um dia roubar-me a dignidade, só espero que viva com isso na consciência durante muito tempo.
“A personalidade é a chave de muitas portas mas é o carácter que as mantém abertas”
Infelizmente há pessoas que nem tem uma nem outra, pobres coitados, doentes de espírito, enfermos de viver…
Porque é que tenho vontade de chorar e o coração se cola ao meu peito tentando evitar que nem uma lágrima caia? Porquê?
Eu tento esquecer, tento ultrapassar mas parece que há coisas que nos perseguem, parece que é impossível…parece que mereço isto de alguma maneira, parece que é o meu destino sofrer com esta terrível e maravilhosa esperança. Porquê?
Porque não pode este sentimento, este novelo de emoções, esta dor profunda sempre que me lembro do assunto ir-se embora de vez?
Sinto-me desesperada, por mais que tente ignorar, dói-me, dói-me sempre e cada vez mais fundo, tento fazer que não me importo, que não mexe comigo, que já passou, tento respirar fundo mas parece que não me ajuda em nada, tenho ataques de raiva constantes e sinto ódio dentro de mim, mas porque? Qual é o motivo de tanta dor e de tanto sofrimento? Qual o motivo pelo qual sofro desta maneira tão estúpida mas que deixou tantas marcas e continua a abrir fendas em mim as vezes grandes de mais para se poderem suportar?
Há caminhos nos quais nunca devemos entrar, mas deveríamos ao menos conseguir sair deles, se são errados, se não são para nós, então porque continuar a sofrer por eles? Porque me caem as lágrimas ao escrever sobre isto? Porque é que o meu corpo entra em incêndio? Porque é que as minhas costas perdem força, porque é que os meus olhos não brilham e estão cheios de escuridão? Porque continuo a fazer este sorriso estúpido e idiota sempre que algo me lembra do assunto? Porquê?
Parece que foi ontem que tudo aconteceu, que me deram a noticia, que me tiraram as asas, que me cortaram as pernas, que me fizeram o maior golpe no coração até aquela altura, parece que ainda vejo o olhar e as lágrimas de alguns, as lágrimas que não paravam de cair, os abraços repetidos, o medo de tanta coisa e eu lá com o queixo bem levantado, com a cabeça bem erguida como me ensinaram. Até hoje nunca mais baixei a cabeça por motivo algum, como se diz, não devo nada a ninguém!
Talvez alguém me deva algo a mim, algo demasiado valioso, algo que não se compra, algo que não se adquire, alguém tentou um dia roubar-me a dignidade, só espero que viva com isso na consciência durante muito tempo.
“A personalidade é a chave de muitas portas mas é o carácter que as mantém abertas”
Infelizmente há pessoas que nem tem uma nem outra, pobres coitados, doentes de espírito, enfermos de viver…
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
The heart never lies
Some people laugh,
And some people cry,
And some people live,
And some people die,
And some people run,
Right into the fire,
And some people hide,
Their every desire
But we are the lovers,
If you don't believe me,
Then just look into my eyes,
Cause the heart never lies
And some people fight,
And some people fall,
Others pretend,
They don't care at all,
If you wanna fight,
I'll stand right beside you,
The day that you fall,
I'll be right behind you,
To pick up the pieces,
If you don't believe me,
Then just look into my eyes,
Cause the heart never lies
Woaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhooh
Woaaaaaaaaaaaaaaaaaaaoooooaaahhoooh
Another year over,
And we're still together,
It's not always easy,
But I'm here forever,
Yeah, we are the lovers,
I know you believe me,
When you look into my eyes,
Cause the heart never lies,
Cause the heart never lies, yeah,
Cause the heart never lies
Mcfly - The heart never lies
Porque há letras que dizem tudo e esta é uma delas.
And some people cry,
And some people live,
And some people die,
And some people run,
Right into the fire,
And some people hide,
Their every desire
But we are the lovers,
If you don't believe me,
Then just look into my eyes,
Cause the heart never lies
And some people fight,
And some people fall,
Others pretend,
They don't care at all,
If you wanna fight,
I'll stand right beside you,
The day that you fall,
I'll be right behind you,
To pick up the pieces,
If you don't believe me,
Then just look into my eyes,
Cause the heart never lies
Woaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhooh
Woaaaaaaaaaaaaaaaaaaaoooooaaahhoooh
Another year over,
And we're still together,
It's not always easy,
But I'm here forever,
Yeah, we are the lovers,
I know you believe me,
When you look into my eyes,
Cause the heart never lies,
Cause the heart never lies, yeah,
Cause the heart never lies
Mcfly - The heart never lies
Porque há letras que dizem tudo e esta é uma delas.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Realidade
Abri os olhos para o real, a minha realidade. Abri os olhos para ver o que se passa à minha volta, para conseguir ver para além do coração. Abri os olhos para ver o que realmente és. O que realmente significavas e significas. Abri os olhos para mim, para entender que eu preciso de mim, de cuidar de mim, de estar comigo, de tratar do meu futuro, acima de tudo. E contigo, meu amor. Porque tu sim, estiveste sempre do meu lado, este tempo todo, deitaste a minha cabeça no meu colo, fizeste-me festas ate eu parar de chorar, abraçaste-me quando tinha medo, acalmavas-me quando tinha provas, levantavas-me do sofá e arrastavas-me para cama quando já não aguentava o cansaço, foste tu que estiveste lá, nas derrotas mas principalmente nas vitórias.
Do teu lado, conquistei tanta coisa, lado a lado contigo, de mãos dadas, de corações unidos. Foste tu que me deste os parabéns quando finalmente consegui o que eu desejava. Foste tu que me deste força sempre meu amor. Foste tu que me deste tanta coisa, tanto amor, tanta dedicação, tanta compreensão e paciência e que por vezes eu não vi nem soube reconhecer. Por vezes, apenas soube criticar e ver o que estava mal em vez de reconhecer o bem que me fazias, mas hoje finalmente consegui abri os olhos. Ambos abrimos os olhos.
Sinto-me tão feliz porque finalmente aquilo que fecho de olhos abertos e ainda melhor do que aquilo que vejo de olhos fechados. Nós.
Orgulhas-me. És essencial.
Do teu lado, conquistei tanta coisa, lado a lado contigo, de mãos dadas, de corações unidos. Foste tu que me deste os parabéns quando finalmente consegui o que eu desejava. Foste tu que me deste força sempre meu amor. Foste tu que me deste tanta coisa, tanto amor, tanta dedicação, tanta compreensão e paciência e que por vezes eu não vi nem soube reconhecer. Por vezes, apenas soube criticar e ver o que estava mal em vez de reconhecer o bem que me fazias, mas hoje finalmente consegui abri os olhos. Ambos abrimos os olhos.
Sinto-me tão feliz porque finalmente aquilo que fecho de olhos abertos e ainda melhor do que aquilo que vejo de olhos fechados. Nós.
Orgulhas-me. És essencial.
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