Naquele dia ela acordou diferente, enfiou-se dentro do autocarro e partiu em busca de aventura. Não esperava o que encontrou, aquilo que a distancia tinha aproximado, o sentimento que se tinha construído naquelas duas semanas desvanecia-se agora em minutos, horas, numa tarde que tinha tudo para ser perfeita. Mas não foi, nem perto.
A praia e a música acompanharam aqueles dias, aquelas tardes, aquelas madrugadas libertinosas. Mas algo se mexeu, algo que não devia, a desilusão surgiu do lado que não era esperado. E essa mesma desilusão fez surgir a dura realidade: que há momentos felizes mas realidades impossíveis. Então, ela sedenta dele, decidiu aproveitar apenas esses momentos, que conseguíram mudar todas as perspectivas anteriores e a fizeram sentir-se como há muito não sentia. Os últimos minutos daquela madrugada foram recheados de tantos momentos inesquecíveis que se tornaram únicos. Com a praia como cenário, aquelas duas pessoas agarradas, unidas, quase pareciam inseparáveis. No entanto, é esse quase que faz toda a diferença. Ela precisa de mais, de muito mais do que momentos, de muito mais que meras palavras.
Ela precisa de atitudes, de provas verdadeiras de amor, de sentimento verdadeiro. Neste momento ela não acredita apenas em palavras, em olhares ternos, em carinhos físicos, ela precisa de mais, de muito mais. Ela precisa de um homem que tenha sempre uma palavra a dizer quando necessário, que a entenda como ela é, que goste dos seus defeitos acima de tudo, que a compreenda, que a oiça, que a estime, que lhe seja fiel, que realmente a saiba amar com tudo o que tem durante o tempo necessário para uma felicidade quase perfeita. Neste momento, ela não pode nem quer viver de ilusões, de amores passageiros, de minutos perfeitos e muito menos de tardes de desilusão.
Ela é muito mais do que isso e precisa de muito mais do que apenas isso. Por tudo isto, ela abre a mão das ilusões e agarra os momentos agradáveis, quase perfeitos que existiram. E contínua, livre, solteira, o seu longo caminho…
segunda-feira, 28 de julho de 2008
terça-feira, 22 de julho de 2008
Querer-te
Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.
Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.
(Pablo Neruda)
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.
Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.
(Pablo Neruda)
terça-feira, 15 de julho de 2008
Peligro
Quero de volta aquela madrugada…
O teu beijo, os teus olhos, o teu abraço…
Quero de volta aquela sensação…
Desejada, amada, acarinhada, preciosa…
Quero de volta aquele brilho nos olhos…
A doçura da tua voz, a ternura das tuas palavras, a verdade do teu olhar…
Não quero a despedida, as memorias, as saudades…
Quero encontrar-te de novo para me reencontrar…
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Reflexão
Mais uma noite, sim sonhei contigo. Não sei que mensagem é que a minha mente me quer transmitir, mas já me dava descanso, praticamente não há uma noite que não entres nos meus sonhos, não há uma noite que eu não te sinta. Gostava de fiar a dormir todo o dia, na esperança de que aqueles sonhos continuassem. Esta noite foi o mais bonito de todos, finalmente nos beijámos, finalmente te senti na minha pele, finalmente senti aquele fogo no peito, que tudo consome e que sabe tão bem…Que sonho! Estávamos tão perto um do outro, dei-te as mãos e tu não disseste nada, fizeste um olhar de quem não está minimamente interessado e eu, ávida de ti, olhei-te no olhos, tímida como um gato pequeno que acabou de sair da barriga da mãe, ainda consigo ouvir o som da tua voz “o que eide eu fazer contigo rapariga?”, disseste isto com tanta ternura que não resisti, cheguei-me mais perto e beijei-te, e tu beijas-te-me e eu senti-me no paraíso, os teus lábios, doces, a tua língua quente, aquela magia toda a nossa volta, e estava tão bem ali contigo, nitidamente era o meu sonho realizado, até que o carteiro me bate a porta e tu desvaneces-te no ar, como sempre, os meus sonhos acabam sempre interrompidos por alguém. Mas já voltei a realidade do costume, não te poder ter.
Decidi parar para pensar no que ando a fazer á minha vida, quais as minhas verdadeiras necessidades e o que se passa no meu peito mas para isso preciso de estar sozinha e refletir bem no que realmente quero e preciso, ter mesmo a certeza que é isto que quero. Hoje sei o que sinto, sei quem quero mas não tenho forças para nada, por isso vou ficar no meu canto, no silencio, a refletir sobres as verdades da minha vida…
Decidi parar para pensar no que ando a fazer á minha vida, quais as minhas verdadeiras necessidades e o que se passa no meu peito mas para isso preciso de estar sozinha e refletir bem no que realmente quero e preciso, ter mesmo a certeza que é isto que quero. Hoje sei o que sinto, sei quem quero mas não tenho forças para nada, por isso vou ficar no meu canto, no silencio, a refletir sobres as verdades da minha vida…
terça-feira, 8 de julho de 2008
Cobardia.
Dentro de mim por estes dois anos apenas resta raiva…pela tua cobardia e fraqueza.
No entanto foi a melhor coisa que me aconteceu este ano, finalmente abri os olhos para a realidade, para a pessoa que eras e o que sempre foste e eu, cega, não via. Hoje digo que tenho a consciência tranquila porque nunca foi desonesta contigo, nunca te escondi nada e nunca te disse “coisas minhas” quando essas coisas era apenas uma única coisa, uma pessoa. O resto que está dentro de mim é demasiado para por aqui e nem sequer merece palavras. Amigos ?. Não. Não consigo ser amiga de cobardes. Lamento. Esta página destes dois anos (desperdiçados contigo) é agora fechada, aqui, sem reticências, apenas com uma grande ponto final como tu já merecias há muito tempo.
No entanto foi a melhor coisa que me aconteceu este ano, finalmente abri os olhos para a realidade, para a pessoa que eras e o que sempre foste e eu, cega, não via. Hoje digo que tenho a consciência tranquila porque nunca foi desonesta contigo, nunca te escondi nada e nunca te disse “coisas minhas” quando essas coisas era apenas uma única coisa, uma pessoa. O resto que está dentro de mim é demasiado para por aqui e nem sequer merece palavras. Amigos ?. Não. Não consigo ser amiga de cobardes. Lamento. Esta página destes dois anos (desperdiçados contigo) é agora fechada, aqui, sem reticências, apenas com uma grande ponto final como tu já merecias há muito tempo.
Como?
Porque por momentos é complicado explicar por palavras aquilo que nos vai na mente, toda a raiva, toda a mágoa, toda a ausência de sentimentos positivos acerca de alguém. Porque, por vezes, a vida é injusta e mostra-nos que existe sempre outro lado, outra maneira de ver as coisas. Não sei como entrar nesta luta, nunca fui de fazer armadilhas, nem lançar o mistério e desaparecer, esperando uma busca. Nunca fui de fazer as coisas premeditadas, é certo que quando se entra numa guerra deve fazer-se o plano de ataque e eu sei muito bem disso mas sinto que hoje já não conheço o “inimigo” e isso deixa-me sem saber como agir, como pensar ou o que fazer. A única coisa que te posso dar é o que sempre fui contigo e os sentimentos que por sinto, não sou de esquemas, sou honesta e aquilo que te posso dar é isto. É tudo o que sou, tudo o que tenho para dar, tudo o que provavelmente nunca fiz por ninguém. Continuas comigo, mas hoje estou sem forças, com vontade de estar com ninguém, pensar em ninguém, suspirar por ninguém. Hoje gostava de ser algo que nunca fui…
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Strange Feeling
Arrepio-me. Tremo. Estas sensações são novas, tremo por todo o lado quando falo em ti, quando penso em ti, quando imagino a tua presença, sinto-me parva, não sei lidar com isto. Oiço a musica que me faz sentir mais perto de ti e tu surges, de novo, aqui, pertinho de mim, e estas comigo. Quando ela acaba, olhas para mim e sorris, aquele teu sorriso que diz tudo quando não é preciso dizer nada. A musica, aquilo que nos entrelaçou as mãos e nos mexeu cá dentro, que me fez sentir-me a arder por dentro, cheia de borboletas e as vezes um jardim zoológico inteiro. Tenho saudades sabes, tenho saudades de te dar as mãos, quando era proibido, de te sentir mesmo quando não estavas, de adormecer contigo no pensamento, de acordar do teu lado, de estar contigo o dia inteiro. Sim, tu hoje estás comigo o dia inteiro mas é diferente: estás comigo porque vives dentro de mim, dentro daquele músculo preso do lado esquerdo, supostamente ligado ás emoções, o seu espaço é teu. O que eu queria é mais do que isso, mais do que a tua presença apenas dentro de mim, gostava que um dia estivesse presente em ti e estivéssemos juntos, mais do que te sinto hoje. Talvez um dia..quem sabe…
Dreaming...
Hoje acordei contigo. Sim, contigo. Hoje acordei e pensei que estava um dia maravilhoso, cheio de sol, de luz, de explendor suficiente para me arrancar um sorriso e a janela ainda estava fechada. Mas eu sabia que estava um dia maravilhoso, senti-o a partir do momento em que abri os olhos e te senti ali, do meu lado. Sabia que iria sorrir ao olhar para ti e que sim, o dia estaria completamente mágico e cheio de sol.
Levantei-me, cheguei á janela e vi-te novamente, em cada partícula que viajava pelo ar, em cada raio de sol, em cada pássaro que voava sobre a minha janela, em que pessoa que passava, em cada pedra da calcada, lá em baixo, em que cada nuvem, em cada rasgo de vento, tu estavas presente. Olhava para todo o lado e só te via a ti, o teu sorriso que sorria para mim, os teus braços que pediam um aconchego e os teus olhos que mostravam a mais ternurenta paisagem que já tinha visto. Em cada passo que dava tu estavas ali comigo, em cada sorriso tu sorrias também afinal de contas a “distância” que nos separa está a distancia de um sorriso para te ter, porque quando sorrio, quando penso, quando escrevo, quando estudo, quando como, quando durmo, quando vagueio dentro de mim, tu estás lá, comigo. Como sempre estiveste e muitas vezes nem olhava para ti, com medo de cometer actos de loucura e deixar de lado o respeito.
Quantas vezes tive vontade de agarrar tudo aquilo que em estavas presente só para te poder sentir perto de mim? Quantas vezes, quando te via cada vez mais longe desejei ardentemente que estivesses mais perto? E hoje mesmo tão longe de mim, tão disperso de “nós” sinto-te aqui, comigo. Como ontem, como hoje e provavelmente como amanha…
Levantei-me, cheguei á janela e vi-te novamente, em cada partícula que viajava pelo ar, em cada raio de sol, em cada pássaro que voava sobre a minha janela, em que pessoa que passava, em cada pedra da calcada, lá em baixo, em que cada nuvem, em cada rasgo de vento, tu estavas presente. Olhava para todo o lado e só te via a ti, o teu sorriso que sorria para mim, os teus braços que pediam um aconchego e os teus olhos que mostravam a mais ternurenta paisagem que já tinha visto. Em cada passo que dava tu estavas ali comigo, em cada sorriso tu sorrias também afinal de contas a “distância” que nos separa está a distancia de um sorriso para te ter, porque quando sorrio, quando penso, quando escrevo, quando estudo, quando como, quando durmo, quando vagueio dentro de mim, tu estás lá, comigo. Como sempre estiveste e muitas vezes nem olhava para ti, com medo de cometer actos de loucura e deixar de lado o respeito.
Quantas vezes tive vontade de agarrar tudo aquilo que em estavas presente só para te poder sentir perto de mim? Quantas vezes, quando te via cada vez mais longe desejei ardentemente que estivesses mais perto? E hoje mesmo tão longe de mim, tão disperso de “nós” sinto-te aqui, comigo. Como ontem, como hoje e provavelmente como amanha…
domingo, 6 de julho de 2008
Carpe Omnius
Sonho-te. Estás aqui comigo, como sempre estiveste. O brilho dos teus olhos ainda permanece em mim, durante todo este tempo. O teu sorriso tem acompanhado os meus dias, tristes de não te ver, tristes de não te ter por perto, como antes. Mostraste-me as lições mais bonitas e a maneira mais bonita de sentir, em silêncio, sem dizer uma palavra, observando de longe cada um dos meus movimentos, cada gesto, cada palavra. Antes tu apreciavas-me, quando o azul era verde e o amarelo era vermelho, quando tudo era descoordenado. Hoje, sinto que mudaste, que ambos mudámos, que uma árvore não é uma flor e uma flor não é uma cor, hoje vejo coordenamento em ti..ou pelo menos aparentas não te descoordenar facilmente. Sinto-te comigo, em cada passo que dou e que quero continuar a dar nesta estrada que decidi voltar a pisar..por ti, por um “nós” que um dia existiu e eu não soube agarrar…
“"Nada vale a pena, ó meu amor longínquo, senão o saber como é suave saber que nada vale a pena..." – Fernando Pessoa
“"Nada vale a pena, ó meu amor longínquo, senão o saber como é suave saber que nada vale a pena..." – Fernando Pessoa
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Amor ao som do crepitar de uma vela
"A nossa vida era toda a vida... O nosso amor era o perfume do amor... Vivíamos horas impossíveis, cheias de sermos nós... E isto porque sabíamos, com toda a carne da nossa carne, que não éramos uma realidade...
Éramos impessoais, ocos de nós, outra coisa qualquer... Éramos aquela paisagem esfumada em consciência de si própria... E assim como ela era duas - de realidade que era, a ilusão - assim éramos nós obscuramente dois, nenhum de nós sabendo bem se o outro não ele próprio, se o incerto outro viveria..."
Floresta do Alheamento - Fernando Pessoa
Éramos impessoais, ocos de nós, outra coisa qualquer... Éramos aquela paisagem esfumada em consciência de si própria... E assim como ela era duas - de realidade que era, a ilusão - assim éramos nós obscuramente dois, nenhum de nós sabendo bem se o outro não ele próprio, se o incerto outro viveria..."
Floresta do Alheamento - Fernando Pessoa
terça-feira, 1 de julho de 2008
...
INQUEBRAVEIS.
IN-QUE-BRA-VEIS.
I-N-Q-U-E-B-R-A-V-E-I-S.
Q-U-E-B-R-A-V-E-I-S.
QUE-BRA-VEIS.
QUEBRAVEIS.
...
IN-QUE-BRA-VEIS.
I-N-Q-U-E-B-R-A-V-E-I-S.
Q-U-E-B-R-A-V-E-I-S.
QUE-BRA-VEIS.
QUEBRAVEIS.
...
sábado, 28 de junho de 2008
Silêncio
Deito-me no silêncio, ele abraça-me e envolve-me na sua imensa tristeza, nas suas lágrimas invisíveis mas destruidoras, no seu desespero, na sua lenta morte espiritual.
Os meus olhos fecham-se, o corpo encolhe-se, o coração começa a deixar de bater lentamente e as lágrimas caem sem direcção, cheias de dor, tanta dor que à medida que caem vão queimando tudo por onde passam.
O silêncio sempre me fez confusão, como se um dia, sem eu estar à espera, me engolisse totalmente e eu ficasse assim, no desespero, sem reacção, sem forma de ser ou estar, sem capacidade de pensar e de agir, desesperada na imensidão do meu sofrimento. Lentamente ele vai-me abraçando mortiferamente, como se me quisesse espetar as farpas mais bicudas no coração, como se fazem aos touros nas arenas, sem piedade. O silêncio, que muitas vezes me acompanhou com sorrisos felizes, com abraços quentes e sensações agradáveis, hoje abraça-me a chorar, a desesperar, a morrer aos bocados.
O silencio, aquele que poderia ser o meu mais fiel companheiro é hoje o mais fiel dos demónios, que me deixa sem respostas, sem perguntas, sem saber o que dizer ou como dizer, que me atormenta a cada segundo que passa, em que não sinto nada.
Eis que chega a altura deste silêncio se desfazer e de tomar uma atitude, de vez…
Quero sentir os meus gritos no ar, quero gritar até que nada sinta, quer gritar de desespero, de tristeza, quero que todos oiçam os meus gritos, tão altos e estridentes que ninguém conseguiria ficar indiferente. Gostava de gritar de raiva e de ódio, que são as poucas coisas que me tem acompanhado, nestas horas de horror. Mas nem eu consigo gritar nem a voz me saem, nem as palavras fazem sentido, já nem eu própria faço algum sentido. No chão do meu quarto, deitadas na minha cama, na atmosfera do meu quarto, estão todas as peças deste novelo de incertezas, espalhadas e descoordenadas, negras como o meu espírito, perfumadas como um esgoto, e nada faz sentido…nada encaixa e tal como elas, também as minhas pelas ficam espalhas e descoordenadas, sem fazer sentido…
Os meus olhos fecham-se, o corpo encolhe-se, o coração começa a deixar de bater lentamente e as lágrimas caem sem direcção, cheias de dor, tanta dor que à medida que caem vão queimando tudo por onde passam.
O silêncio sempre me fez confusão, como se um dia, sem eu estar à espera, me engolisse totalmente e eu ficasse assim, no desespero, sem reacção, sem forma de ser ou estar, sem capacidade de pensar e de agir, desesperada na imensidão do meu sofrimento. Lentamente ele vai-me abraçando mortiferamente, como se me quisesse espetar as farpas mais bicudas no coração, como se fazem aos touros nas arenas, sem piedade. O silêncio, que muitas vezes me acompanhou com sorrisos felizes, com abraços quentes e sensações agradáveis, hoje abraça-me a chorar, a desesperar, a morrer aos bocados.
O silencio, aquele que poderia ser o meu mais fiel companheiro é hoje o mais fiel dos demónios, que me deixa sem respostas, sem perguntas, sem saber o que dizer ou como dizer, que me atormenta a cada segundo que passa, em que não sinto nada.
Eis que chega a altura deste silêncio se desfazer e de tomar uma atitude, de vez…
Quero sentir os meus gritos no ar, quero gritar até que nada sinta, quer gritar de desespero, de tristeza, quero que todos oiçam os meus gritos, tão altos e estridentes que ninguém conseguiria ficar indiferente. Gostava de gritar de raiva e de ódio, que são as poucas coisas que me tem acompanhado, nestas horas de horror. Mas nem eu consigo gritar nem a voz me saem, nem as palavras fazem sentido, já nem eu própria faço algum sentido. No chão do meu quarto, deitadas na minha cama, na atmosfera do meu quarto, estão todas as peças deste novelo de incertezas, espalhadas e descoordenadas, negras como o meu espírito, perfumadas como um esgoto, e nada faz sentido…nada encaixa e tal como elas, também as minhas pelas ficam espalhas e descoordenadas, sem fazer sentido…
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Memórias.
Ela estava a andar pelas ruas, sozinha como sempre, com os papéis na mão, daqueles textos que tanto tinha gostado e que guardava como se da própria vida se tratasse, mas aqueles textos andavam sempre com ela, as suas memórias. Os seus longos e negros cabelos voavam e ondulavam à velocidade do vento e o céu estava negro, coberto de nuvens, prontas a explodir. Ela continuava, pelas ruas vazias, sozinha, como sempre esteve e como sempre se sentiu, com as folhas das suas memórias ao vento e com o céu negro mesmo por cima de si, sentindo-se cada vez mais pequena.
Pelas ruas vazias apenas conseguia distinguir as árvores tristes, sem folhas, como que chorando uma perda, talvez igual á sua, que começavam a abanar cada vez mais na negra noite em se instalava. Subitamente, começou-se a sentir viva, sentiu uma pequena grande gota de água na sua face, e após aquela, cada vez mais gotas caíam, mais rápidas, mais geladas, mais vivas. O seu corpo começou-se a sentir cada vez mais vivo, como nunca antes se sentira, e aquela tempestade inundou-a completamente. Inundou a sua alma, o seu corpo e as suas memórias. Ao saborear a doce tempestade esqueceu-se das suas memórias que começaram, lentamente, a desvanecer-se. No entanto, ela continuava a andar, com o corpo ensopado, a roupa com um tom mais escuro e uma sensação enorme de liberdade. Enquanto isso, as suas memórias foram perdendo cor, e cada passo que ela dava, mais os papéis voltavam a sua cor original e ela continuava a saborear aquele momento. E sem sentir nada, á medida que as suas memorias perdiam cor, também o seu cabelo perdia um pouco mais a sua cor, bem como o seu corpo, os seus olhos, a sua mão começaram, lentamente, a perder a essência, ela começou a desvanecer-se também, tal como os papeis que voltaram a ficar brancos. A chuva começou a ser ainda mais forte e a cair com mais força e quanto mais força ela caía nas ruas mais os papeis perdiam a cor azul bem como ela se ia, lentamente, desvanecendo. A chuva parou, as árvores deixaram de abanar e a única coisa que restou daquele momento foram os papéis, completamente secos, em branco, como novos, prontos a serem escritos novamente.
Pelas ruas vazias apenas conseguia distinguir as árvores tristes, sem folhas, como que chorando uma perda, talvez igual á sua, que começavam a abanar cada vez mais na negra noite em se instalava. Subitamente, começou-se a sentir viva, sentiu uma pequena grande gota de água na sua face, e após aquela, cada vez mais gotas caíam, mais rápidas, mais geladas, mais vivas. O seu corpo começou-se a sentir cada vez mais vivo, como nunca antes se sentira, e aquela tempestade inundou-a completamente. Inundou a sua alma, o seu corpo e as suas memórias. Ao saborear a doce tempestade esqueceu-se das suas memórias que começaram, lentamente, a desvanecer-se. No entanto, ela continuava a andar, com o corpo ensopado, a roupa com um tom mais escuro e uma sensação enorme de liberdade. Enquanto isso, as suas memórias foram perdendo cor, e cada passo que ela dava, mais os papéis voltavam a sua cor original e ela continuava a saborear aquele momento. E sem sentir nada, á medida que as suas memorias perdiam cor, também o seu cabelo perdia um pouco mais a sua cor, bem como o seu corpo, os seus olhos, a sua mão começaram, lentamente, a perder a essência, ela começou a desvanecer-se também, tal como os papeis que voltaram a ficar brancos. A chuva começou a ser ainda mais forte e a cair com mais força e quanto mais força ela caía nas ruas mais os papeis perdiam a cor azul bem como ela se ia, lentamente, desvanecendo. A chuva parou, as árvores deixaram de abanar e a única coisa que restou daquele momento foram os papéis, completamente secos, em branco, como novos, prontos a serem escritos novamente.
O deserto.
E a menina pequenina com um sorriso de 5 anos desfeito, a alma coberta de lágrimas e o corpo machucado de tantas cicatrizes, lentamente, chegou perto do anjo das asas negras, e olhou para ele e para o seu sorriso que sempre a acompanhara em pensamento.
Como era bonito aquele anjo! Os seus longos cabelos castanhos, os seus caracóis ondulados como as ondas do mar que devasta uma essência, o seu porte, a sua postura, estava com a cabeça baixa e os olhos choravam o sangue que corria nas suas veias até ela chegar perto dele. Quando a menina se aproximou daquele ser, as suas lágrimas secaram, o seu sorriso apareceu, e os seus olhos ganharam um brilho diferente.
A menina apaixonou-se por aquele anjo protector, que cuidava dela todos os dias, uma paixão diferente de todas as outras, no entanto, uma paixão intensa. E sempre que a menina chegava perto dele, ele abria as suas longas asas negras e abraçava-a acabando com o seu sofrimento. E a menina vivia feliz porque tinha um anjo sempre com ela, que a protegia, que voava com ela, que dançava no silêncio com ela, aquelas danças que mais ninguém iria entender. Mas um dia, a menina apareceu, naquele deserto escuro e quente,e como sempre, olhou para o anjo, esperando que ele olhasse para ela e entendesse que, mais uma vez, ela precisava dele e que ele iria entender, de certeza, o que ela tinha e abriria as suas longas asas curando a sua tristeza. Porém naquele dia o anjo não se moveu, não levantou a cara, não sorriu, os seus olhos não brilharam. Naquele dia o anjo não abriu as suas asas à menina e ela voltou costas e chorou sozinha, sentada naquele deserto escuro de emoções…
Como era bonito aquele anjo! Os seus longos cabelos castanhos, os seus caracóis ondulados como as ondas do mar que devasta uma essência, o seu porte, a sua postura, estava com a cabeça baixa e os olhos choravam o sangue que corria nas suas veias até ela chegar perto dele. Quando a menina se aproximou daquele ser, as suas lágrimas secaram, o seu sorriso apareceu, e os seus olhos ganharam um brilho diferente.
A menina apaixonou-se por aquele anjo protector, que cuidava dela todos os dias, uma paixão diferente de todas as outras, no entanto, uma paixão intensa. E sempre que a menina chegava perto dele, ele abria as suas longas asas negras e abraçava-a acabando com o seu sofrimento. E a menina vivia feliz porque tinha um anjo sempre com ela, que a protegia, que voava com ela, que dançava no silêncio com ela, aquelas danças que mais ninguém iria entender. Mas um dia, a menina apareceu, naquele deserto escuro e quente,e como sempre, olhou para o anjo, esperando que ele olhasse para ela e entendesse que, mais uma vez, ela precisava dele e que ele iria entender, de certeza, o que ela tinha e abriria as suas longas asas curando a sua tristeza. Porém naquele dia o anjo não se moveu, não levantou a cara, não sorriu, os seus olhos não brilharam. Naquele dia o anjo não abriu as suas asas à menina e ela voltou costas e chorou sozinha, sentada naquele deserto escuro de emoções…
segunda-feira, 2 de junho de 2008
A Descoberta.
Existem pessoas que passam na nossa vida, que deixam marcas em determinados momentos e que acabam por se desvanecer ficando uma leve recordação na nossa vida, existem outras que existem todos os dias, mas que, por alguma razão, não conseguem chegar ao coração, por mais que tentem. Por fim, existem outras, que aparecerem na nossa vida de forma inesperada e que naquele momento se sente que aquela pessoa é realmente especial e que vai ficar para sempre dentro de nós. Porque? Porque há coisas que não se descrevem, por mais palavras que arranjemos temos mesmo de sentir as coisas, de coração aberto. Essas pessoas especiais são especiais, na sua essência, pelas atitudes que têm, pela forma como se comportam, a forma como cativam ou não as pessoas e até pelo seu sorriso. Ás vezes, sem esperarmos, essas pessoas tropeçam na nossa vida. E ai começa a descoberta. A descoberta de que temos os mesmos desejos, as mesmas atitudes, a mesma forma de gostar e até o mesmo tipo de dor. Costumo dizer que não são os momentos bons que juntam as pessoas mas sim aqueles em que partilhamos o sofrimento e um ombro amigo para chorar. Parece que ambas padecemos do mesmo tipo de doença, amar demais, pensar demais, planear demais e querer demais? Será que realmente queremos demais? Ou não queremos apenas aquilo que nos é devido? Temos o direito à felicidade e acima de tudo ás respostas aos nossos problemas, que por mais volta que lhes demos, não achamos solução. E é nesta partilha que descobrimos o ser que está diante de nós, que tal como nós, é frágil e sensível, mesmo que escondido por muralhas de aço, mesmo com uma capa e uma mascara a esconder o rosto, por vezes, a máscara cai, e o teatro desfaz-se. E é quando encontramos esse olhar tão sofrido e semelhante ao nosso e quando as mãos se dão, que se gera um sentimento demasiado bonito para se falar nele, é quando descobrimos que não estamos sozinhas, que existe alguém que nos entende na perfeição, tão perto de nós. Eu descobri essa pessoa, que me diz que gosta de mim com o sorriso rasgados e que me sabe aconchegar o coração quando ele se sente mais machucado e ferido. Descobri-te a ti gémea. Obrigado por tudo.
sábado, 26 de abril de 2008
domingo, 20 de abril de 2008
O Trauma

Por vezes surgem pessoas na nossa vida que nem esperamos, nem muito menos pensamos que possam ter algo a ver connosco. Tudo isto porque ambos temos um trauma e ambos nao o conseguimos esquecer,sao diferentes é verdade, mas o mecanismo de defesa é exactamente o mesmo. E entre os seus textos e o seu passado, encontrei este pedaço de letras que me fez imediatamente recordar, quase que sentir, o que já vivi, o que ja senti e que me acompanha dia após dia,sem que eu queira, sem que eu mande, sem que eu consiga coordenar isso, ainda.
Nao foi escrito por mim mas as minhas memórias e maneira de sentir assemelha-se em tudo a ele.
"Desde o primeiro dia em que coloquei os pés nesta instituição fui sempre bem tratado, foi me sempre inculcado o espírito de camaradagem, duma que nunca encontrarei cá fora.Dos dias passados ao relento na semana de campo, do nada ter a que me agarrar a não ser o sorriso dos meus camaradas quando o meu corpo se encontrava gelado. O de sentir que se caísse me ajudariam. O aprender o básico do comportamento militar. O disparar da G3, o sentir o medo dos aspirantes e instruendos no ar. O campo de tiro, O som da culatra atrás. O encostar a arma ao ombro, Apontar, suster a respiração, apontar, e disparar. Sentir o coice da arma que os nossos antepassados levavam consigo para as nossas colónias no ultramar. Saber que tudo isso termina, saber que tudo isso acaba, que terei que colocar um ponto final na minha vida militar.
É incomportável para já eu conseguir sequer conceptualizar, imaginar como será o vazio da minha vida, no momento em que passar á disponibilidade. Mas eu estou me a habituar á ideia, é que não é nada que eu já não soubesse quando entrei para o Exército. O tempo encarrega-se de me roubar as horas. Encarrega-se de as desfazer, de puxar umas vezes lentamente o novelo, outras tão velozmente que parece que o fio do tempo está a voar não a passar normalmente.
Se gosto destes minutos onde a tomada de consciência me pesa? Gosto e não gosto, creio que é inevitável porque me levará a pensar irremediavelmente em qual será o rumo da minha vida. Não gosto porque me lembra que o relógio de Areia que se encontra umas vezes visível outras invisível, me leva inexoravelmente á perda. A vida é uma sucessão de Perdas e de Vitórias.
A tropa fez-me crescer. Tornou-me diferente, e por isso quero me envolver no dia á dia da vida militar até á altura em que deixarei de o ser no papel, porque sempre serei militar. Sempre, até o sangue deixar de correr nas minhas veias."
Marco.
Porque ha coisas na vida que nunca passam,vivem connosco.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Saudades...muitas!!

"Onde há glória todo o perigo é doce"
Saudades de me sentir eu, de me sentir alguém, de me sentir especial, de me sentir importante, de sentir que sim, a minha vida fazia mais sentid naquele meio, saudades da gama e nao da nadja, saudades de chorar de dor, saudades de rir das parvoices da cardoso e da morais, saudades de nao ter voz para gritar, saudades de me doerem as pernas nas formaturas, saudades de ter orgulho em tudo o que estava a fazer, saudades de discutir com a machado porque ela era negativa e tinha a mania, saudades dos serviços, saudades de levar na cabeça do furriel porque na vi os galoes do tenente de espada,saudades da semana de campo, saudades de ter fome, saudades da comida de merda daquele regimento, saudades até da silvas, saudades dos "camaradas", saudades do "gaminha", saudades de chorar quando nao aguentava mais, saudades das aulas em que quase todos adormeciam de cansaço e eu tambem, saudades das aulas de justiça, saudades das cambalhotas, saudades de rastejar, saudades das tendinites e das bolhas, saudades da enfermaria, saudades das saudades de casa, saudades do meu camuflado, saudades das minhas botas, muitas saudades de usar a minha boina, saudades dos planos que tinha para o futuro, saudades de arranhar até nao poder mais, saudades dos primeiros dias, saudades dos ultimos dias, saudades das formaturas da manha, saudades do corpo ranger de frio, saudades dos poli-chinelos,das flexoes, dos pulos de galo, saudades de limpar armas, saudades de desmontar a minha namorada, saudades de acordar durante a noite numa cama que nao era a minha, saudades de mim, da inocencia e dos 18 anos, saudades do comboio onde dormia a viagem inteira, saudades dos olhares das pessoas no comboio e no expresso,saudades do sotaque nortenho do meu furriel que trocava suspensorios por supositorios, saudades das musicas da formatura que me fazia tremer de orgulho, saudades de me arrepiar ao som do hino nacional, saudades até de ver a desgraça do convento de mafra, saudades do dia do meu juramento, saudades do orgulho e do brilho nos olhos dos meus pais, saudades do meu namorado que nao sabia o que dizer, saudades desse dia, saudades de todos os outros, saudades do dia em que fiz 10 jarros de sangria, saudades da cozinha do regimento, saudades de servir nas linhas o pequeno almoço, saudades de dormir 3 a 4 horas por dentro, saudades de me irritar com a minha cama, de lençois brancos e esticados, saudades de me levantar as 6.30 e saber que valeria a pena e nunca valeu, saudades das sextas feiras e dos risos na nossa caserna na hora da revista, saudades de tudo, saudades de infantaria...saudades do passado que esta gravado em mim e nao vai voltar,nunca mais...
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Tudo no meio do Nada.
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