sábado, 20 de dezembro de 2008

Por outras palavras...


Só hoje senti
que o rumo a seguir
levava pra longe
senti que este chão
já não tinha espaço

pra tudo o que foge
não sei o motivo pra ir
só sei que não posso ficar
não sei o que vem a seguir
mas quero procurar


e hoje deixei
de tentar erguer
os planos de sempre

aqueles que são
pra outro amanhã
que há-de ser diferente

não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu

só hoje esperei
já sem desespero

que a noite caísse
nenhuma palavra
foi hoje diferente

do que já se disse
e há qualquer coisa a nascer
bem dentro no fundo de mim
e há uma força a vencer
qualquer outro fim


não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu

[Um pouco de céu - Mafalda Veiga]


[Por vezes, um pouco de céu, nosso, é o suficiente!]

Nas linhas anteriores...


[Por outras palavras – Mafalda Veiga]

Ninguém disse que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
Mais uma madrugada
Ninguém disse que o riso nos pertence
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
Mais uma gargalhada
E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar-me no mundo

E morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim

[Balançar - Mafalda Veiga]

Pedes-me um tempo para balanço de vida
mas eu sou de letras não me sei dividir
para mim um balanço é mesmo balançar
balançar até dar balanço e sair


Pedes-me um sonho para fazer de chão
mas eu desses não tenho
só dos de voar
e agarras a minha mão com a tua mão
e prendes-me a dizer que me estás a salvar

De quê? De viver o perigo? De quê? De rasgar o peito com o quê?
De morrer mas de que paixão?
De quê? Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde e não ter,
nem sentir o vento ardente a soprar o coração



["O Imprevisível acaba por se tornar (sempre) mais um vicio"]

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

(Re)começar,encontrar,definir



A vantagem de vivermos muito tempo é podermos começar de novo sempre que quisermos. Sinto sempre que cada vez que tentar fazer um "re-start" que não vou conseguir e que vou cometer sempre os mesmos erros, porque sou especialista em bater com a cabeça na parede duas, três, quatro vezes..etc. No entanto, não deixo de tentar fazer tudo novamente só porque já fracassei algumas vezes."Aquilo que não nos mata,só nos torna mais fortes". Foi com o meu primeiro fracasso que aprendi a saber fracassar, aprendendo no momento seguinte a limpar as lágrimas e seguir em frente,a erguer-me. Estamos sempre a mudar e tentar adaptar nos a essas mudanças,constantemente, pelo que, é perfeitamente legitimo querermos (re)começar muitas vezes,para tentar fazer tudo "certinho". O pior é que quando nos apercebemos de que nunca o fizemos nem o vamos fazer, que aquele momento já passou,que não volta atrás e que temos de aprender a viver com ele e com as suas consequências, por mais dores de cabeça que isso nos cause, por mais lágrimas que nos roubem,por mais raiva que nos provoquem, por mais insegurança que nos transmita. São eles que nos fazem aprender,são eles que nos fazem evoluir.
O tempo deu-me a hipótese de recomeçar tudo de novo,de andar um pouco para trás levando comigo as lições presentes e ver em cada sorriso uma nova cor,em cada gesto uma intenção diferente,em cada olhar um novo alcance...mostrou-me os erros,as faltas cometidas,os maus julgamentos,os sentimentos que são/eram verdadeiros ou não e desenhou-me um novo caminho, uma nova oportunidade...

Re-começar um novo caminho para um destino diferente...
Re-encontrar a essência que deixei em algum lugar,por segundos...
Re-definir objectivos,percursos,atitudes...

"Viver a vida que eu não vivi da forma que eu não imaginei,que eu não escolhi!!"

domingo, 14 de dezembro de 2008

O verdadeiro anjo.


"Há quanto tempos nos conhecemos? Parece que desde sempre fizeste parte da minha vida!"

"Há 2 anos e meio..."

"Por mais gente que mude na minha vida... tu estás sempre lá"



O verdadeiro anjo. Aquele que sempre me levantou e que eu sempre consegui fazer sorrir, uns dias tu, outros dias eu, aquele com quem partilhei muitos bons e maus momentos da minha vida. Não importa há quanto tempo nos conhecemos, importa sim, tudo o que conseguimos construir até hoje, sempre tão "perto". Importa sim todas as noites e tardes e dias inteiros que não nos "largávamos" sempre com as nossas brincadeiras e parvoíces. Somos muito iguais, sempre fomos, ao ponto de pensarmos sermos almas gémeas lembraste? Até era a tua namorada via telefónica :P. Parecíamos duas crianças a brincar com o fogo, mas tudo isso nos fez compreender o quanto gostamos um do outro, o quanto valeu a pena tudo o que passámos, o quanto a distância fortaleceu este tão grande sentimento. Sempre tão verdadeiro, tão doce e tão intenso...assim são as VERDADEIRAS AMIZADES!

Uma guitarra e uma rosa. A rosa pelo respeito que sempre tivemos e mantemos um pelo outro, todos os dias. A guitarra porque foi a música que nos uniu. A música interior, a musica das palavras, a musica dos sons e até a música do silêncio.A música. A nossa música...

Parabéns a Nós <3 @


sábado, 13 de dezembro de 2008

"Cinderela"


"Como eu disse, não é nada de especial ou pelo menos não é a minha intenção que o seja, quero apenas deixar-te algo que acho que já merecias ao fim de todo este tempo de dedicação a mim e a este grupinho que (re)encontramos! Foi uma noite sem dúvida muito interessante! Por entre sabores desconhecidos e comidas novas viajámos nas nossas recordações, naquilo que foi e é a nossa vida, os nossos sonhos, os nossos desejos, as nossas aspirações. Por entre vozes que se juntaram para cantar sobre a tristeza que emana das saudades do antes descobri uma pessoa espectacular, ou melhor, tive a certeza de que és uma pessoa na qual posso mesmo confiar e construir aquela amizade, como se diz, incondicional? para toda a vida? algo do género... Por entre acordes e notas de ontem e de hoje revivemos a nossa infância, por entre maça-canela descobrimos como é bom "estar" com o outro, escutando o seu silencio, com uma voz magnifica como fundo! Por entre horas e minutos que voaram conheci a menina da primária e a mulher que se transformou, que chorou, que gritou de raiva mas que continua a saber sorrir e saber amar os amigos com esse gostinho doce de um gelado frito! Quero mais do mesmo,muitas e muitas vezes! Aqui <3"

por: Niz para Ela" :)

As melhores amizades são aquelas que guardamos desde a nossa meninice

"Hoje apetece.me dizer coisa bonita :)"

13 de Dezembro 2008-> o dia das recordações

Recortes anónimos...

"...Há pessoas que se apaixonam várias vezes por ano, outras que só se apaixonam uma ou duas vezes numa década, outras ainda que só se apaixonaram uma vez na vida e algumas, as mais tristes, que nunca se apaixonaram. E há ainda aquelas pessoas que estão sempre apaixonadas, como se o amor fosse uma droga dura. E é.
Por isso é muito frequente que toxicodependentes em pleno programa de recuperação se apaixonem. As drogas criam dependência, o amor também. As drogas dão às pessoas momentos de felicidade e de bem estar, o amor também. A privação dá grandes ressacas e um desgosto de amor também.
Demora-se mais tempo a esquecer do que seria desejável. As nossas células não são racionais nem passíveis de lavagens cerebrais. É uma dor que fica no peito e que dói e que dura.

Mas um dia passa. E quando passa, podemos começar tudo outra vez do zero: o desgoverno dos batimentos cardíacos, as palmas das mãos suadas, a garganta seca, a falta de sono e de apetite e uma vontade imensa de conquistar o mundo. As mensagens parvas, os emails apaixonados, carregados de MP3 para cada momento, estradas e rotas, aviões, carros e comboios que são como asas do nosso desejo e as cores do mundo mais nítidas sob o nosso olhar enfeitiçado.
O estado de graça pode ser temporário, mas a memória é eterna e será sempre perfeita. É preciso acreditar como da primeira vez, é preciso confiar, é preciso pensar que a tal pessoa certa para nós existe mesmo e que todos podemos ter sorte na vida.

É claro que não há receitas mágicas, mas manter o espírito aberto, o optimismo e o romantismo ajudam à festa. E depois, é como na cozinha, use a sua imaginação. Doses q.b. de sal e pimenta, de açúcar e de ovos, de mimo e de respeito, de cama e de conversa, de profundidade e de risota, de amor e de humor, de desejo e de paz.
Dá trabalho, mas também dá prazer. E quem corre por gosto nunca se cansa, mesmo quando pensa que já não consegue correr. Consegue sempre, basta querer!!"

Vai na volta e até faz sentido... ;)

Vai na volta e algumas coisas ainda valem a pena!=P

Deficiente! =P @



[Só porque gosto dos teus dias lamechas...em que mostras coisas bonitas@]

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Walking away.


I'm walking away from the troubles in my life...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Esta noite..

Não.
Não quero adormecer mais uma noite sem ti.
Não.
Não quero que esta noite acabe igual a todas as outras, sozinha.
Não.
Não hoje, não esta noite, não agora, por favor…
Não.
Quero poder-te ouvir a tua voz perto do meu ouvido.
Quero poder sentir-te arder diante de mim.
Quero poder dizer-te em silencio tudo aquilo que fica por dizer.
Não.
Não quero adormecer nesta cama fria e grande para uma pessoa só.
Não.
Não quero deixar de sentir que também estás comigo.
Não.
Não quero dizer-te tudo o vai dentro de mim, não hoje.

Hoje apenas não quero adormecer e ter mais um dia normal, sem ti.
Ocupaste-me.

No image. No feelings.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

p.s I love you



O mais importante fica sempre por dizer...




"Sabes como é que eu sei que vai resultar? Porque todas as manhas quando acordo o primeiro impulso que tenho é o de olhar para o teu rosto"

"Eu não vou a lado nenhum!"

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Dia Internacional do Voluntário






Ser voluntário é....

É regar todos os dias seres para conseguirem ter a capacidade de semearem brincadeiras e florirem sorrisos. É tornar radiantes os dias de chuva e colorir momentos marcantes.

Ser voluntário é ser uma torrada quente que salta todos os dias numa linda manhã para alimentar quem mais necessita. É fantasiar um mundo feliz e alegre para evitar medos e receios e criar felicidade. É mostrar que voar, pular, brincar e ajudar é importante.

É partilhar um coração com vários coraçõezinhos, é despertar o bom que há em nós e nos outros, é ajudar e ser ajudado, é estar presente, é dedicar e aprender.

Ser voluntário é ser responsável, interessado e corajoso, é ter sentimentos, é demonstrar que se pode ter valor e ser um diamante nos bolsos dos outros, é ser bondoso sem receber nada em troca, é ter um coração GIGANTE, é sentir-se útil.

Ser voluntário é ter alguém com quem falar e ajudar, é uma maneira de relativizar os próprios problemas e dar atenção a outros mais graves. É tentar dar o dia de amanhã, ontem ou hoje.

Ser esta fantástica pessoa é mostrar que quem espera sempre alcança e que nesse dia irá estar presente sem perder a esperança, sonhando com o final feliz que todos esperam a cada segundo que passa.


Retirado do Blog “Outros Caminhos”
http://outroscaminhos.blogs.sapo.pt/32405.html

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Os dados estão lançados..

"Tu olhas para uma pessoa, uma pessoa que sabes que não é uma pessoa qualquer, porque o teu olhar fixa-se nela e quando ela olha para ti e sente o mesmo que tu, sentes que alguma coisa vai acontecer. Não sabes nada ainda, mas intuis, intuis com os teus sentidos, com o teu corpo e às vezes com o teu coração que aquela pessoa pode ter qualquer coisa para te dar, que não sabes o que é, mas sabes que um dia vais descobrir e que esse dia pode ser nesse momento, e é então que tiras os dados do bolso e os lanças para cima da mesa.
Quando nos interessamos por alguém, nunca sabemos no que vai dar. Lançamos os dados como quem os deixa cair quase por acaso e muitas vezes nem queremos saber quanto deram: um e um, dois e quatro, três e três, cinco e dois, é sempre um mistério, porque a sorte também manda na vida, manda mais do que queríamos e menos do que gostávamos, por isso desconfiamos dela sempre que nos é favorável, mas aceitamos as suas traições como a ordem natural das coisas, por mais absurdas que sejam."


Margarida Rebelo Pinto - "Seis e seis"

domingo, 30 de novembro de 2008

Passagens...

Quero dançar contigo e com as palavras perdidas numa noite fria e escura em que dormimos agarrados aos momentos fugazes que aconteceram...

As Duas camas.
As Mãos dadas.
As Horas.
O Anjo que dormia.
O Beijo de Bom dia.

Saudade que aperta...

sábado, 29 de novembro de 2008

Floresta de Emoções

"Dávamo-nos as mãos e os nossos olhares perguntavam-se o que seria o ser sensual e o querer realizar em carne a ilusão do amor...
Desconhecíamo-nos, como se houvéssemos aparecido às nossas almas depois de uma viagem através de sonhos..."



Fernando Pessoa in "Floresta do Alheamento".

Faz mais sentido ser assim...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Da próxima vez..


Porque há letras, palavras, que fazem todo em sentido em determinados momentos da nossa vida...

" Da próxima vez, vou estar atento à tua fisgada
Encruzilhar-me na tua bancada
Ficar num canto e não me mexer

Da próxima vez vou querer toda a tua atenção
Vou esperar que me estendas a mão
E que me deixes cair a seguir

Mais que uma vez puseste à prova o teu sexto sentido
Depois dás o dito por não dito
Como eu gostava de te compreender...

Queria ter, só um pouco desse teu talento
Tiro as vogais e ponho os acentos
Estou preparado pro que der e vier"




Uma coisa é aprender a esperar. Outra é ignorar.
Uma coisa é ir com calma. Outra é não ir, de forma alguma.
Uma coisa é tentar conhecer. Outra é esperar que já conheçamos.
Uma coisa é respeitar. Outra coisa é brincar com o respeito.
Uma coisa é mentir com as palavras. Outra coisa é brincar com as atitudes.
Uma coisa é dizer o que se pensa. Outra é esconder-se o que (não se) sente.
Uma coisa é ser sincero. Outra coisa é inventar desculpas.
Uma coisa é falar no futuro. Outra coisa é pensar nele.
Uma coisa é dar um beijo. Outra é dar mais que isso.


Uma coisa é sentir algo por alguém.
Quando o palhaço acorda do mundo de fantasia, o circo acaba!
The End.



"Deito fora todas as pautas que escrevi para ti um dia"...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

20 de Novembro de 2006


2 anos.
Ela entrou dentro daquele autocarros, pelas 7horas da manha, despediu-se da família, que tinha o maior sorriso de orgulho do mundo e levou com elas todos os sonhos, medos, dúvidas e incertezas que sentia. Os 18 anos de vida revelavam a cada segundo a sua inexperiência, a sua insegurança, o medo de não conseguir, de falhar, de desiludir todos aqueles que amava e que acreditavam nela. Era tudo tão novo, tão diferente, tão adulto. Sentia-se pequenina no meio daqueles homens todos, vestidos da mesma maneira e que se comportavam todos da mesma forma. Mas, á medida que o tempo foi passando deixou de se sentir pequena sentiu-se progressivamente, do mesmo tamanho que todos os outros. Aprendeu que as pessoas não se medem pela sua patente, embora ela conte, mas sim pelas suas atitudes. Aprendeu também a valorizar a amizade, o amor, a camaradagem, a saudade e a independência. Cresceu. Durante três messes não aprendeu apenas a disparar uma arma, a formar-se em grupo, a comportar-se de forma adequada, a ajudar quem precisava, a liderar alguém, não! As lições que retirou desses messes não se escrevem em meras palavras, tem de ser vividas, na pele, com o suor que derramamos, com o nosso corpo que range, com tudo aquilo que somos, em pleno. E sem saber, tudo aquilo que se aprende lá dentro acabamos por aplicar no nosso quotidiano, com as pessoas que conhecemos, sem nos lembrarmos do local onde aprendemos.

Resta a saudade daqueles tempos ingénuos…
Dos domingos…em que ficamos todos na conversa até as tantas!
Das sextas feiras…em que vínhamos para casa
Do juramento de bandeira…em que me senti tão orgulhosa de tudo…
Da semana de campo…
Da marcha de 12 quilómetros…que fiz depois de 4 dias sem dormir, comer…

Do dia 27 de Fevereiro: o dia em que sai daquele mundo que tanto me ensinou…

“Onde há glória todo o perigo é doce”
“Vontade e Valor”


CFGCPE0607
Carregueira.
RI1.

domingo, 16 de novembro de 2008

Momentos nocturnos



"You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out"

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Seguindo o silêncio...

Poderia dizer-te que te adoro. Poderia dizer-te que adoro a textura do teu cabelo. Poderia dizer-te que os teus olhos são os mais misteriosos que já conheci. Poderia dizer-te que a tua voz tem um poder embriagante em mim. Poderia dizer-te que quando me agarras o mundo pára. Poderia dizer-te que o teu beijo me faz estremecer. Poderia dizer-te que me perco no tempo quando olho para ti. Poderia dizer-te que me fascinas e que fico sem saber o que fazer, sinto-me tola perto de ti. Poderia dizer-te que há muitas alturas em que fico roída de ciúmes. Poderia dizer-te que sinto muito mais do que aquilo que te digo geralmente. Poderia dizer-te que apesar de sermos dois, há alturas que nos sinto como um. Poderia dizer-te que sinto a ausência das palavras embora tenha sempre presente as atitudes. Poderia dizer-te que me conheces demasiadamente bem e isso assusta-me. Poderia dizer-te tanta coisa, mas prefiro o silêncio. Prefiro que não me descubras mais do que já conheces. Prefiro andar cada dia com um movimento próprio e esperar…

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Sem amarras.


“ Deixa-se o tempo aprender, em algo no interior arder, absorvem-se pensamentos rígidos e duros, para voar bem longe destes fortes e longos muros”

Suaves e doces passagens na memória.
Descoordenamentos.
Recordações.

Hoje sinto-me livre…
Hoje sinto-me pronta para, quem sabe, amar novamente…
Hoje não quero pensar no amanha nem no ontem…
Hoje quero viver este exacto minuto…sozinha…

[ 13.11.2008 ]

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Surda.

Quero ser surda. Não quero ouvir-vos, não quero ouvir quando me dizem mesmo sem falar que é isto ou aquilo, quero descobrir por mim. Quero conhecer, quero ver com o meu coração, com o meu corpo, quero saber a que sabe este ser que inunda a minha vida de emoções que não se gastam com o tempo. Estou farta de ouvir falar de ti, que és isto ou aquilo, que fizeste, no passado, que andas a fazer no presente. Deixem-me conhecer por mim, por favor. Deixei-me desenhar o seu perfil nas minhas memórias, deixei-me saber de cor os seus passos, deixem-me observar a sua sombra, os seus dois lados, três lados, quatro lados, seja. Quero ser eu a ver com os meus olhos, quero ser eu a descobrir que não valemos a pena. Quero ser eu a descobrir que estou totalmente enganada. Quero ser eu a descobrir as tuas cores e o teu perfume. Só eu. Sozinha, com os meus sentidos e a minha pouca experiência, não interessa. Deixem-me ser eu a tomar as rédeas da minha vida, sem a bengalinha por detrás…

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

@



Quero-te. Confesso que te quero, muito.

domingo, 26 de outubro de 2008

Saber esperar...

Emoções, é aquilo que rodopia na minha mente neste momento. A minha mente é um mar de recordações, de uma imensidão de recortes da minha vida que não estão ainda catalogados e arrumados nas gavetas. A minha memória parece pregar-me partidas quando menos espero e trazer a minha mente pedaços de um passado já esquecido, abandonado, ou pelo menos seria esse o meu desejo, esquecê-lo. Queria esquecer que um dia sofri por alguém, que um dia chorei por quem nunca mereceu, que um dia lutei em vão quando a saída era só uma e só eu não conseguia ver. Queria guardar essas memórias tão longe quanto o necessário para poder ocupar esse espaço com uma cor nova, uma cor diferente, que a vida me esta a dar a oportunidade de descobrir. Esta cor tem um nome, tem um cheiro, tem os traços definidos e eu quero saber qual é o seu sabor. Quero provar dessa cor e beber aquilo que ela me quiser transmitir. Calma. É aquela palavra que agora esta mais presente, serenidade e calma. Saber esperar, é uma virtude. Saber ouvir, saber observar, saber olhar, saber aprender. E esperar. O tempo que for necessário, o tempo que o tempo precisar para se entender nele mesmo. Saber esperar, quem sabe... por ti. Deixo as ondas irem e virem, sem tentar apanhar nada pelo meio, deixo as pegadas na areia se apagarem sozinhas e espero para ver se alguém volta a passar lá, deixo as cor mudarem a tonalidade e espero para ver se continuam a ser deslumbrantes.
É uma lição a aprender...contigo!.

Queres ensinar-me?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Musicalmente Sentindo.


The Story.
Love and music.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Omissing me



Fazes-me falta.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

I'm a Bitch.



"I hate the world today
You're so good to me
I know but I can't change
tried to tell you but you look at me like maybe I'm an angel underneath
innocent and sweet
Yesterday I cried
You must have been relieved to see the softer side
I can understand how you'd be so confused
I don't envy you
I'm a little bit of everything
all rolled into one

I'm a bitch, I'm a lover
I'm a child, I'm a mother
I'm a sinner, I'm a saint
I do not feel ashamed
I'm your hell, I'm your dream
I'm nothing in between
You know you wouldn't want it any other way

So take me as I am
This may mean you'll have to be a stronger man
Rest assured that when I start to make you nervous
and I'm going to extremes
tomorrow I will change
and today won't mean a thing

Just when you think you've got me figured out
the season's already changing
I think it's cool you do what you do
and don't try to save me

I'm a bitch, I'm a tease
I'm a goddess on my knees
when you hurt, when you suffer
I'm your angel undercover
I've been numbed, I'm revived
can't say I'm not alive
You know I wouldn't want it any other way"


Alanis Morissette.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sentimentos

"Senti-me saltar para fora da pele marcada pelo sol e assistir a tudo, como a espectadora de uma peça que não compreende o que se passa em palco. Os olhos rasos de água foram mais persistentes que a vontade de esconder sentimentos. E percebi. Percebi que evitavas tocar-me com medo de te perderes em mim. Percebi a tua falta de expressão como quem grita por um abraço. E o abraço encontrou-se em ti, como quem não precisa de nada mais. Respiraste no meu peito, aconchegaste-me no teu colo e juntos percebemos que o nosso mundo estava ali."


[ Compreendes tão bem o que sinto, obrigada por este miminho...a realidade! @]

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

The Choice

Naquela sala não haviam cores, não haviam janelas, não haviam direcções. Existiam apenas portas e uma menina, que olhava para todas elas, exactamente iguais, espalhadas ao longo dos vastos corredores daquela sala gigante. Naquela sala não havia tempo, não haviam pessoas, não haviam sentimentos, havia apenas uma escolha por fazer. Ela ficou parada, com os seus olhos grandes e expressivos, a olhar individualmente para cada uma daquelas portas, tentando encontrar algo que se destacasse em alguma que pudesse de alguma maneira, facilitar a sua escolha. Todas as portas eram geometricamente iguais, com a mesma cor, textura, desenho, e até a mesma maçaneta mas aquilo que estava por detrás de cada uma era completamente diferente. A menina sabia que a escolha de uma porta evitaria descobrir aquilo que as outras escondiam, os mundos por explorar que poderiam ser melhores que tudo aquilo que ela ia conhecer com a sua escolha mas ela sabia que quando se fazem escolhas nunca se sabe o que se perde e o que fica por descobrir, apenas se sabe aquilo que se escolheu. Pode um dia nascer um grande arrependimento e ser tarde de mais para voltar atrás mas aquela escolha tinha que ser feita e aquela confusão e desorientação tinha que acabar. Dependeria única e exclusivamente da menina. E ela, levantou-se do banco de pedra vermelho, cor de azul camuflado e escolheu…



"E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio e ouve o teu coração."

Better in Time...

domingo, 28 de setembro de 2008

Redefine me...

First sight
Turns me around again
Brings me face to face with my sin
I've got it, always had it
A reason to look within now
Take flight
To your sun again
Burns the sin straight from my hands
I've got it, always had it
A reason to live within now

Every time i fall
You catch me
And every time i lose control
You help me, you save me
And every time i lose myself
You find me, redefine me

My god
How stained my hands have been
Makes me sick from inside out again
I've got it, always had it
A reason to look within now
Stand close
To my side again
Never stuck a knife in my back, friend
I've got it, always had it
A reason to live within now

Every time i fall
You catch me
And every time i lose control
You help me, you save me
And every time i lose myself
You find me, redefine me



Somebody to make me feel whole again
(my life gets better)
Somebody to make me want to love again
(my life gets better)
Somebody to make me see the sun again
(my life gets better)
Somebody to hold me, hold me
Until this life feels better
Every time i fall

And every time i lose control
You help me, you save me
And every time i lose myself
You find me, redefine me
And every time i hate myself
You love me, forgive me
And every time i lose myself
You find me, redefine me



[ o anjo abriu as suas longas asas, cheia de cicatrizes e ela, sentindo-se pequenina e ao mesmo tempo protegida, avançou na sua direcção, e ele fechou as suas asas, envolvendo-a nos seus braços, com o tempo como cenário principal...@ <3 ]

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Circles.

Escuridão. Ela olha a sua volta e a única coisa que consegue ver são caminhos, muitos caminhos por onde escolher, mas não tem saída, não tem uma luz que indique qual é o mais seguro a escolher. Começa a andar em círculos, primeiro num que lhe tira todo o fôlego possível, que a faz tremer sem pensar em mais nada, que a faz desejar tudo e mais alguma coisa mas que parece ser o mais destrutivo possivel, depois passa para o circulo a seguir mais simples que o primeiro mas completamente descontinuo, sem se entender rigorosamente nada do que ali esta e, por fim, sobram dois círculos: um mais perfeito que todos os outros e outro completamente desconhecido, mas com uma continuidade quase mágica. E ela, continua, a fazer malabarismos com aquela coisa pequena que se encontra alojada de um lado de o corpo, que ela própria já não se sabe se realmente bate ou não, se realmente esta vivo ou não. Andando em círculos, ela fica cada vez mais cansada de tudo isso, cada vez mais cansada da confusão instalada na sua cabeça, e sem aguentar mais a pressão sedutora na sua vida, PARA.
É necessário parar, de uma vez por todas, assentar as ideias, e sentir-se livre de fazer o seu próprio caminho, sem andar aos círculos, sem se sentir cansada, confusa, magoada e pouco receptiva. O medo invade-lhe as entranhas e quase que consegue, por segundos, retirar-lhe tudo aquilo que pode existir de bom, porque ela própria já não sabe o que é bom ou mau, é tudo tão relativo, tão vago, tão vazio…
O cansaço consome tudo aquilo que ela construiu para si e a frieza começa, lentamente, a instalar-se em si, fechando numa concha que ela sempre procurou abrir nos outros mas que hoje começa a ver a sua verdadeira essência, apenas hoje. Ela já vê essa concha como limitadora mas sim como a maior protecção que ela podia encontrar neste momento de tanta instabilidade. É altura de reflectir sobre tudo, sozinha, dentro da concha que se começa a elevar…é altura de parar de girar em círculos que não levam a lado nenhum. E lentamente essa concha começa a fechar-se e ela fica lá, enrolada sobre si própria, á espera do momento certo para voltar a (re) nascer…

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Esgoto do Amor...




"Vamos beijar o amor, numa rua mais lenta"...

sábado, 13 de setembro de 2008

Stop and Think...




"Insana a jangada que me sustem, ainda assim...livre"

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Alerta Mental

"Ao virar a esquina, nunca sabemos se vamos voltar a virar aquela esquina. Quando viramos costas a alguém, não sabemos se vamos voltar a ver essa pessoa. A vida é tão incerta, e vivemos sempre como se houvesse um amanhã. Mas um dia deixa de haver o amanhã, e hoje pode ser hoje, um hoje sem amanhã. Não existe o passado nem o futuro, existe apenas o hoje, o agora. Então porque deixamos tantas reticências?
Então porque deixamos tanto por dizer?
Simples, porque vivemos com a ideia pré-concebida que vai haver um futuro, um amanhã. Na realidade ele não existe, e na realidade não sabemos e não podemos afirmar que vai haver. E deixamos tanta coisa passar por nós, e perdemos tantas oportunidades pensando que um dia podemos voltar atrás.
Se não houvesse um amanhã, e houve apenas o hoje, o agora. O que faria?
Então faça, porque pode não haver um amanhã, nem um depois."

Daniela Parra.

[Porque as tuas palavras chegam sempre no momento certo - Obrigada por tudo linda @]

domingo, 10 de agosto de 2008

Ondas da vida

Adoro o mar, acho que é das poucas coisas que me consegue verdadeiramente acalmar e dar-me toda a paz e serenidade que preciso. Gosto de ver a fúria das ondas a bater nas rochas, o sol que se esconde ao entardecer, as pegadas na areia, as brincadeiras das crianças e os castelos de sonhos feitos no ar. Quando me sento com os pés na areia e escrevo algo, o mar vem com toda a sua força e apaga tudo aquilo que escrevi e sempre achei um bocado assustador a forma como uma frase inteira em segundos poderia desaparecer. No entanto, também os sentimentos, por vezes, precisam de ser apagados de forma rápida e eficaz, mas não encontramos maneira de isso acontecer. Tal como as ondas do mar, as ondas da vida, da minha vida, começaram a apagar aquilo que tenho escrito, dia após dia, momento após momento, emoção após emoção.
Furiosamente, os traços do teu rosto desfiguram-se, o verde dos teus olhos perde a cor, o teu sorriso já não me faz tremer, o teu corpo perde o seu perfume embriegante, as tuas poucas atitudes resumem-se a nada e as tuas palavras, essas, já não tem qualquer impacto na minha vida. Lentamente a tua imagem em mim esta a ser apagada pelas ondas da vida, mesmo no momento certo da reconstrução de mim mesma.

Essas ondas vão e vem como as ondas do mar e colocam à descoberta novos caminhos, que posso querer ou não percorrer, que posso querer ou não descobrir, no entanto, são caminhos bem mais saudáveis e compensadores, de diversas formas, em que se pode sonhar e realizar o sonho no momento seguinte, em que se pode viver e ser realmente feliz, que me fazem acreditar que foi melhor assim!

Lentamente estás a ser apagado de mim e isso, isso liberta-me

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Ás vezes.

"Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a dizer.

Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizémos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor.

Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último combóio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.

Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar."

Margarida Rebelo Pinto.

domingo, 3 de agosto de 2008

Um pouco de Luz!

"Sinto cheiros de flores que não posso tocar
Tento marcar pontos... mas sei que não vou ganhar
Há coisas que não controlo... tenho que aceitar
Vejo reflexos de pessoas que nunca esqueci

Ardem feridas não curadas apesar de o tempo tentar
Resumo o que sinto a um sincero olhar
Um quadro cheio não é uma pintura completa
A vitória nem sempre vem depois de cortar a meta!"



Reflect.

sábado, 2 de agosto de 2008

Sms Nocturnas.

"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisares passar, para atravessar o rio da vida, ninguém, excepto tu. Existem por certo, atalhos sem números, pontes e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio, mas isso custaria a tua própria pessoa, tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o.!

Nietzsche.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Palavras soltas.

Ela diz que não!. Que não dá, que não ia resultar, que não ia dar em nada, que é tudo muito recente, que a distancia não ajuda, que falta maturidade…os medos acumulam-se. Ela já não sabe se são esses medos disfarçados que falam se é a sua racionalidade total. A verdade é que ela diz que não, que não pode ser, mas não se afasta. Porque que, talvez, no fundo dela exista um pequeno traço de um “sim”. Mas ela não o quer ver, não o quer sentir, não o quer agora, é cedo demais, seria doloroso demais se tudo falhasse, novamente. Ela ainda não se levantou da queda anterior, ainda não esta pronta para se partir em mil pedaços novamente, ainda não se reconstruiu e não quer nada com ninguém, por enquanto. Precisa de saber quem é, o que quer, o que faz realmente parte de si, precisa de esclarecer todos os porquês, comos e quandos. É a sua necessidade mais imediata. No entanto, dia após dias, aqueles olhos acompanham a sua alma, a esperança de notícias dele fá-la desesperar quando não diz nada. As memórias começam a ser suficientes para sentir ainda mais a sua falta. Ela sabe que não há hipótese ou não quer que haja. Mas sente-o com ela. Será Paixão? Não, não pode ser. Ela não quer que seja, ela não quer que a conquistem, ela não quer sentir-se a levitar por dentro, ela não quer sentir-se a tremer quando ele diz que a adora. Não, é tudo um sonho. Não, ela não quer e isso não vai acontecer. Porque ela já se deixou levar uma vez e não se permite sofrer mais, pela 3ª vez. Não. O tempo vai ajudá-la a superar as dúvidas e as indecisões. Não, não há dúvidas, não pode ser, é impossível, ela quer colocar um ponto final, mas ele não sai, de maneira nenhuma. Tem de sair, irá sair, brevemente. A mudança das estações e do futuro ditará o destino deste músculo estúpido que bate mais forte sempre a presença dele se torna mais evidente. Tudo se vai resolver, as reticencias vão transformar-se no gigante ponto final e o sonho começará a desfazer-se…Será?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Des (ilusão)

Naquele dia ela acordou diferente, enfiou-se dentro do autocarro e partiu em busca de aventura. Não esperava o que encontrou, aquilo que a distancia tinha aproximado, o sentimento que se tinha construído naquelas duas semanas desvanecia-se agora em minutos, horas, numa tarde que tinha tudo para ser perfeita. Mas não foi, nem perto.
A praia e a música acompanharam aqueles dias, aquelas tardes, aquelas madrugadas libertinosas. Mas algo se mexeu, algo que não devia, a desilusão surgiu do lado que não era esperado. E essa mesma desilusão fez surgir a dura realidade: que há momentos felizes mas realidades impossíveis. Então, ela sedenta dele, decidiu aproveitar apenas esses momentos, que conseguíram mudar todas as perspectivas anteriores e a fizeram sentir-se como há muito não sentia. Os últimos minutos daquela madrugada foram recheados de tantos momentos inesquecíveis que se tornaram únicos. Com a praia como cenário, aquelas duas pessoas agarradas, unidas, quase pareciam inseparáveis. No entanto, é esse quase que faz toda a diferença. Ela precisa de mais, de muito mais do que momentos, de muito mais que meras palavras.

Ela precisa de atitudes, de provas verdadeiras de amor, de sentimento verdadeiro. Neste momento ela não acredita apenas em palavras, em olhares ternos, em carinhos físicos, ela precisa de mais, de muito mais. Ela precisa de um homem que tenha sempre uma palavra a dizer quando necessário, que a entenda como ela é, que goste dos seus defeitos acima de tudo, que a compreenda, que a oiça, que a estime, que lhe seja fiel, que realmente a saiba amar com tudo o que tem durante o tempo necessário para uma felicidade quase perfeita. Neste momento, ela não pode nem quer viver de ilusões, de amores passageiros, de minutos perfeitos e muito menos de tardes de desilusão.
Ela é muito mais do que isso e precisa de muito mais do que apenas isso. Por tudo isto, ela abre a mão das ilusões e agarra os momentos agradáveis, quase perfeitos que existiram. E contínua, livre, solteira, o seu longo caminho…

terça-feira, 22 de julho de 2008

Querer-te

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.


(Pablo Neruda)

terça-feira, 15 de julho de 2008

Peligro




Quero de volta aquela madrugada…
O teu beijo, os teus olhos, o teu abraço…
Quero de volta aquela sensação…
Desejada, amada, acarinhada, preciosa…
Quero de volta aquele brilho nos olhos…
A doçura da tua voz, a ternura das tuas palavras, a verdade do teu olhar…
Não quero a despedida, as memorias, as saudades…
Quero encontrar-te de novo para me reencontrar…

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Reflexão

Mais uma noite, sim sonhei contigo. Não sei que mensagem é que a minha mente me quer transmitir, mas já me dava descanso, praticamente não há uma noite que não entres nos meus sonhos, não há uma noite que eu não te sinta. Gostava de fiar a dormir todo o dia, na esperança de que aqueles sonhos continuassem. Esta noite foi o mais bonito de todos, finalmente nos beijámos, finalmente te senti na minha pele, finalmente senti aquele fogo no peito, que tudo consome e que sabe tão bem…Que sonho! Estávamos tão perto um do outro, dei-te as mãos e tu não disseste nada, fizeste um olhar de quem não está minimamente interessado e eu, ávida de ti, olhei-te no olhos, tímida como um gato pequeno que acabou de sair da barriga da mãe, ainda consigo ouvir o som da tua voz “o que eide eu fazer contigo rapariga?”, disseste isto com tanta ternura que não resisti, cheguei-me mais perto e beijei-te, e tu beijas-te-me e eu senti-me no paraíso, os teus lábios, doces, a tua língua quente, aquela magia toda a nossa volta, e estava tão bem ali contigo, nitidamente era o meu sonho realizado, até que o carteiro me bate a porta e tu desvaneces-te no ar, como sempre, os meus sonhos acabam sempre interrompidos por alguém. Mas já voltei a realidade do costume, não te poder ter.
Decidi parar para pensar no que ando a fazer á minha vida, quais as minhas verdadeiras necessidades e o que se passa no meu peito mas para isso preciso de estar sozinha e refletir bem no que realmente quero e preciso, ter mesmo a certeza que é isto que quero. Hoje sei o que sinto, sei quem quero mas não tenho forças para nada, por isso vou ficar no meu canto, no silencio, a refletir sobres as verdades da minha vida…

terça-feira, 8 de julho de 2008

Cobardia.

Dentro de mim por estes dois anos apenas resta raiva…pela tua cobardia e fraqueza.
No entanto foi a melhor coisa que me aconteceu este ano, finalmente abri os olhos para a realidade, para a pessoa que eras e o que sempre foste e eu, cega, não via. Hoje digo que tenho a consciência tranquila porque nunca foi desonesta contigo, nunca te escondi nada e nunca te disse “coisas minhas” quando essas coisas era apenas uma única coisa, uma pessoa. O resto que está dentro de mim é demasiado para por aqui e nem sequer merece palavras. Amigos ?. Não. Não consigo ser amiga de cobardes. Lamento. Esta página destes dois anos (desperdiçados contigo) é agora fechada, aqui, sem reticências, apenas com uma grande ponto final como tu já merecias há muito tempo.

Como?

Porque por momentos é complicado explicar por palavras aquilo que nos vai na mente, toda a raiva, toda a mágoa, toda a ausência de sentimentos positivos acerca de alguém. Porque, por vezes, a vida é injusta e mostra-nos que existe sempre outro lado, outra maneira de ver as coisas. Não sei como entrar nesta luta, nunca fui de fazer armadilhas, nem lançar o mistério e desaparecer, esperando uma busca. Nunca fui de fazer as coisas premeditadas, é certo que quando se entra numa guerra deve fazer-se o plano de ataque e eu sei muito bem disso mas sinto que hoje já não conheço o “inimigo” e isso deixa-me sem saber como agir, como pensar ou o que fazer. A única coisa que te posso dar é o que sempre fui contigo e os sentimentos que por sinto, não sou de esquemas, sou honesta e aquilo que te posso dar é isto. É tudo o que sou, tudo o que tenho para dar, tudo o que provavelmente nunca fiz por ninguém. Continuas comigo, mas hoje estou sem forças, com vontade de estar com ninguém, pensar em ninguém, suspirar por ninguém. Hoje gostava de ser algo que nunca fui…

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Strange Feeling

Arrepio-me. Tremo. Estas sensações são novas, tremo por todo o lado quando falo em ti, quando penso em ti, quando imagino a tua presença, sinto-me parva, não sei lidar com isto. Oiço a musica que me faz sentir mais perto de ti e tu surges, de novo, aqui, pertinho de mim, e estas comigo. Quando ela acaba, olhas para mim e sorris, aquele teu sorriso que diz tudo quando não é preciso dizer nada. A musica, aquilo que nos entrelaçou as mãos e nos mexeu cá dentro, que me fez sentir-me a arder por dentro, cheia de borboletas e as vezes um jardim zoológico inteiro. Tenho saudades sabes, tenho saudades de te dar as mãos, quando era proibido, de te sentir mesmo quando não estavas, de adormecer contigo no pensamento, de acordar do teu lado, de estar contigo o dia inteiro. Sim, tu hoje estás comigo o dia inteiro mas é diferente: estás comigo porque vives dentro de mim, dentro daquele músculo preso do lado esquerdo, supostamente ligado ás emoções, o seu espaço é teu. O que eu queria é mais do que isso, mais do que a tua presença apenas dentro de mim, gostava que um dia estivesse presente em ti e estivéssemos juntos, mais do que te sinto hoje. Talvez um dia..quem sabe…

Dreaming...

Hoje acordei contigo. Sim, contigo. Hoje acordei e pensei que estava um dia maravilhoso, cheio de sol, de luz, de explendor suficiente para me arrancar um sorriso e a janela ainda estava fechada. Mas eu sabia que estava um dia maravilhoso, senti-o a partir do momento em que abri os olhos e te senti ali, do meu lado. Sabia que iria sorrir ao olhar para ti e que sim, o dia estaria completamente mágico e cheio de sol.
Levantei-me, cheguei á janela e vi-te novamente, em cada partícula que viajava pelo ar, em cada raio de sol, em cada pássaro que voava sobre a minha janela, em que pessoa que passava, em cada pedra da calcada, lá em baixo, em que cada nuvem, em cada rasgo de vento, tu estavas presente. Olhava para todo o lado e só te via a ti, o teu sorriso que sorria para mim, os teus braços que pediam um aconchego e os teus olhos que mostravam a mais ternurenta paisagem que já tinha visto. Em cada passo que dava tu estavas ali comigo, em cada sorriso tu sorrias também afinal de contas a “distância” que nos separa está a distancia de um sorriso para te ter, porque quando sorrio, quando penso, quando escrevo, quando estudo, quando como, quando durmo, quando vagueio dentro de mim, tu estás lá, comigo. Como sempre estiveste e muitas vezes nem olhava para ti, com medo de cometer actos de loucura e deixar de lado o respeito.
Quantas vezes tive vontade de agarrar tudo aquilo que em estavas presente só para te poder sentir perto de mim? Quantas vezes, quando te via cada vez mais longe desejei ardentemente que estivesses mais perto? E hoje mesmo tão longe de mim, tão disperso de “nós” sinto-te aqui, comigo. Como ontem, como hoje e provavelmente como amanha…

domingo, 6 de julho de 2008

Carpe Omnius

Sonho-te. Estás aqui comigo, como sempre estiveste. O brilho dos teus olhos ainda permanece em mim, durante todo este tempo. O teu sorriso tem acompanhado os meus dias, tristes de não te ver, tristes de não te ter por perto, como antes. Mostraste-me as lições mais bonitas e a maneira mais bonita de sentir, em silêncio, sem dizer uma palavra, observando de longe cada um dos meus movimentos, cada gesto, cada palavra. Antes tu apreciavas-me, quando o azul era verde e o amarelo era vermelho, quando tudo era descoordenado. Hoje, sinto que mudaste, que ambos mudámos, que uma árvore não é uma flor e uma flor não é uma cor, hoje vejo coordenamento em ti..ou pelo menos aparentas não te descoordenar facilmente. Sinto-te comigo, em cada passo que dou e que quero continuar a dar nesta estrada que decidi voltar a pisar..por ti, por um “nós” que um dia existiu e eu não soube agarrar…

“"Nada vale a pena, ó meu amor longínquo, senão o saber como é suave saber que nada vale a pena..." – Fernando Pessoa

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Amor ao som do crepitar de uma vela

"A nossa vida era toda a vida... O nosso amor era o perfume do amor... Vivíamos horas impossíveis, cheias de sermos nós... E isto porque sabíamos, com toda a carne da nossa carne, que não éramos uma realidade...

Éramos impessoais, ocos de nós, outra coisa qualquer... Éramos aquela paisagem esfumada em consciência de si própria... E assim como ela era duas - de realidade que era, a ilusão - assim éramos nós obscuramente dois, nenhum de nós sabendo bem se o outro não ele próprio, se o incerto outro viveria..."



Floresta do Alheamento - Fernando Pessoa

terça-feira, 1 de julho de 2008

...

INQUEBRAVEIS.

IN-QUE-BRA-VEIS.

I-N-Q-U-E-B-R-A-V-E-I-S.

Q-U-E-B-R-A-V-E-I-S.

QUE-BRA-VEIS.

QUEBRAVEIS.

...

sábado, 28 de junho de 2008

Silêncio

Deito-me no silêncio, ele abraça-me e envolve-me na sua imensa tristeza, nas suas lágrimas invisíveis mas destruidoras, no seu desespero, na sua lenta morte espiritual.
Os meus olhos fecham-se, o corpo encolhe-se, o coração começa a deixar de bater lentamente e as lágrimas caem sem direcção, cheias de dor, tanta dor que à medida que caem vão queimando tudo por onde passam.
O silêncio sempre me fez confusão, como se um dia, sem eu estar à espera, me engolisse totalmente e eu ficasse assim, no desespero, sem reacção, sem forma de ser ou estar, sem capacidade de pensar e de agir, desesperada na imensidão do meu sofrimento. Lentamente ele vai-me abraçando mortiferamente, como se me quisesse espetar as farpas mais bicudas no coração, como se fazem aos touros nas arenas, sem piedade. O silêncio, que muitas vezes me acompanhou com sorrisos felizes, com abraços quentes e sensações agradáveis, hoje abraça-me a chorar, a desesperar, a morrer aos bocados.
O silencio, aquele que poderia ser o meu mais fiel companheiro é hoje o mais fiel dos demónios, que me deixa sem respostas, sem perguntas, sem saber o que dizer ou como dizer, que me atormenta a cada segundo que passa, em que não sinto nada.
Eis que chega a altura deste silêncio se desfazer e de tomar uma atitude, de vez…

Quero sentir os meus gritos no ar, quero gritar até que nada sinta, quer gritar de desespero, de tristeza, quero que todos oiçam os meus gritos, tão altos e estridentes que ninguém conseguiria ficar indiferente. Gostava de gritar de raiva e de ódio, que são as poucas coisas que me tem acompanhado, nestas horas de horror. Mas nem eu consigo gritar nem a voz me saem, nem as palavras fazem sentido, já nem eu própria faço algum sentido. No chão do meu quarto, deitadas na minha cama, na atmosfera do meu quarto, estão todas as peças deste novelo de incertezas, espalhadas e descoordenadas, negras como o meu espírito, perfumadas como um esgoto, e nada faz sentido…nada encaixa e tal como elas, também as minhas pelas ficam espalhas e descoordenadas, sem fazer sentido…

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;

era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.


Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.

E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.


Não temos já nada para dar.

Dentro de ti
não há nada que me peça água.

O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Memórias.

Ela estava a andar pelas ruas, sozinha como sempre, com os papéis na mão, daqueles textos que tanto tinha gostado e que guardava como se da própria vida se tratasse, mas aqueles textos andavam sempre com ela, as suas memórias. Os seus longos e negros cabelos voavam e ondulavam à velocidade do vento e o céu estava negro, coberto de nuvens, prontas a explodir. Ela continuava, pelas ruas vazias, sozinha, como sempre esteve e como sempre se sentiu, com as folhas das suas memórias ao vento e com o céu negro mesmo por cima de si, sentindo-se cada vez mais pequena.
Pelas ruas vazias apenas conseguia distinguir as árvores tristes, sem folhas, como que chorando uma perda, talvez igual á sua, que começavam a abanar cada vez mais na negra noite em se instalava. Subitamente, começou-se a sentir viva, sentiu uma pequena grande gota de água na sua face, e após aquela, cada vez mais gotas caíam, mais rápidas, mais geladas, mais vivas. O seu corpo começou-se a sentir cada vez mais vivo, como nunca antes se sentira, e aquela tempestade inundou-a completamente. Inundou a sua alma, o seu corpo e as suas memórias. Ao saborear a doce tempestade esqueceu-se das suas memórias que começaram, lentamente, a desvanecer-se. No entanto, ela continuava a andar, com o corpo ensopado, a roupa com um tom mais escuro e uma sensação enorme de liberdade. Enquanto isso, as suas memórias foram perdendo cor, e cada passo que ela dava, mais os papéis voltavam a sua cor original e ela continuava a saborear aquele momento. E sem sentir nada, á medida que as suas memorias perdiam cor, também o seu cabelo perdia um pouco mais a sua cor, bem como o seu corpo, os seus olhos, a sua mão começaram, lentamente, a perder a essência, ela começou a desvanecer-se também, tal como os papeis que voltaram a ficar brancos. A chuva começou a ser ainda mais forte e a cair com mais força e quanto mais força ela caía nas ruas mais os papeis perdiam a cor azul bem como ela se ia, lentamente, desvanecendo. A chuva parou, as árvores deixaram de abanar e a única coisa que restou daquele momento foram os papéis, completamente secos, em branco, como novos, prontos a serem escritos novamente.

O deserto.

E a menina pequenina com um sorriso de 5 anos desfeito, a alma coberta de lágrimas e o corpo machucado de tantas cicatrizes, lentamente, chegou perto do anjo das asas negras, e olhou para ele e para o seu sorriso que sempre a acompanhara em pensamento.
Como era bonito aquele anjo! Os seus longos cabelos castanhos, os seus caracóis ondulados como as ondas do mar que devasta uma essência, o seu porte, a sua postura, estava com a cabeça baixa e os olhos choravam o sangue que corria nas suas veias até ela chegar perto dele. Quando a menina se aproximou daquele ser, as suas lágrimas secaram, o seu sorriso apareceu, e os seus olhos ganharam um brilho diferente.
A menina apaixonou-se por aquele anjo protector, que cuidava dela todos os dias, uma paixão diferente de todas as outras, no entanto, uma paixão intensa. E sempre que a menina chegava perto dele, ele abria as suas longas asas negras e abraçava-a acabando com o seu sofrimento. E a menina vivia feliz porque tinha um anjo sempre com ela, que a protegia, que voava com ela, que dançava no silêncio com ela, aquelas danças que mais ninguém iria entender. Mas um dia, a menina apareceu, naquele deserto escuro e quente,e como sempre, olhou para o anjo, esperando que ele olhasse para ela e entendesse que, mais uma vez, ela precisava dele e que ele iria entender, de certeza, o que ela tinha e abriria as suas longas asas curando a sua tristeza. Porém naquele dia o anjo não se moveu, não levantou a cara, não sorriu, os seus olhos não brilharam. Naquele dia o anjo não abriu as suas asas à menina e ela voltou costas e chorou sozinha, sentada naquele deserto escuro de emoções…

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A Descoberta.

Existem pessoas que passam na nossa vida, que deixam marcas em determinados momentos e que acabam por se desvanecer ficando uma leve recordação na nossa vida, existem outras que existem todos os dias, mas que, por alguma razão, não conseguem chegar ao coração, por mais que tentem. Por fim, existem outras, que aparecerem na nossa vida de forma inesperada e que naquele momento se sente que aquela pessoa é realmente especial e que vai ficar para sempre dentro de nós. Porque? Porque há coisas que não se descrevem, por mais palavras que arranjemos temos mesmo de sentir as coisas, de coração aberto. Essas pessoas especiais são especiais, na sua essência, pelas atitudes que têm, pela forma como se comportam, a forma como cativam ou não as pessoas e até pelo seu sorriso. Ás vezes, sem esperarmos, essas pessoas tropeçam na nossa vida. E ai começa a descoberta. A descoberta de que temos os mesmos desejos, as mesmas atitudes, a mesma forma de gostar e até o mesmo tipo de dor. Costumo dizer que não são os momentos bons que juntam as pessoas mas sim aqueles em que partilhamos o sofrimento e um ombro amigo para chorar. Parece que ambas padecemos do mesmo tipo de doença, amar demais, pensar demais, planear demais e querer demais? Será que realmente queremos demais? Ou não queremos apenas aquilo que nos é devido? Temos o direito à felicidade e acima de tudo ás respostas aos nossos problemas, que por mais volta que lhes demos, não achamos solução. E é nesta partilha que descobrimos o ser que está diante de nós, que tal como nós, é frágil e sensível, mesmo que escondido por muralhas de aço, mesmo com uma capa e uma mascara a esconder o rosto, por vezes, a máscara cai, e o teatro desfaz-se. E é quando encontramos esse olhar tão sofrido e semelhante ao nosso e quando as mãos se dão, que se gera um sentimento demasiado bonito para se falar nele, é quando descobrimos que não estamos sozinhas, que existe alguém que nos entende na perfeição, tão perto de nós. Eu descobri essa pessoa, que me diz que gosta de mim com o sorriso rasgados e que me sabe aconchegar o coração quando ele se sente mais machucado e ferido. Descobri-te a ti gémea. Obrigado por tudo.

sábado, 26 de abril de 2008

Pergunta

O que é a verdadeira amizade?

domingo, 20 de abril de 2008

O Trauma



Por vezes surgem pessoas na nossa vida que nem esperamos, nem muito menos pensamos que possam ter algo a ver connosco. Tudo isto porque ambos temos um trauma e ambos nao o conseguimos esquecer,sao diferentes é verdade, mas o mecanismo de defesa é exactamente o mesmo. E entre os seus textos e o seu passado, encontrei este pedaço de letras que me fez imediatamente recordar, quase que sentir, o que já vivi, o que ja senti e que me acompanha dia após dia,sem que eu queira, sem que eu mande, sem que eu consiga coordenar isso, ainda.
Nao foi escrito por mim mas as minhas memórias e maneira de sentir assemelha-se em tudo a ele.

"Desde o primeiro dia em que coloquei os pés nesta instituição fui sempre bem tratado, foi me sempre inculcado o espírito de camaradagem, duma que nunca encontrarei cá fora.Dos dias passados ao relento na semana de campo, do nada ter a que me agarrar a não ser o sorriso dos meus camaradas quando o meu corpo se encontrava gelado. O de sentir que se caísse me ajudariam. O aprender o básico do comportamento militar. O disparar da G3, o sentir o medo dos aspirantes e instruendos no ar. O campo de tiro, O som da culatra atrás. O encostar a arma ao ombro, Apontar, suster a respiração, apontar, e disparar. Sentir o coice da arma que os nossos antepassados levavam consigo para as nossas colónias no ultramar. Saber que tudo isso termina, saber que tudo isso acaba, que terei que colocar um ponto final na minha vida militar.
É incomportável para já eu conseguir sequer conceptualizar, imaginar como será o vazio da minha vida, no momento em que passar á disponibilidade. Mas eu estou me a habituar á ideia, é que não é nada que eu já não soubesse quando entrei para o Exército. O tempo encarrega-se de me roubar as horas. Encarrega-se de as desfazer, de puxar umas vezes lentamente o novelo, outras tão velozmente que parece que o fio do tempo está a voar não a passar normalmente.
Se gosto destes minutos onde a tomada de consciência me pesa? Gosto e não gosto, creio que é inevitável porque me levará a pensar irremediavelmente em qual será o rumo da minha vida. Não gosto porque me lembra que o relógio de Areia que se encontra umas vezes visível outras invisível, me leva inexoravelmente á perda. A vida é uma sucessão de Perdas e de Vitórias.
A tropa fez-me crescer. Tornou-me diferente, e por isso quero me envolver no dia á dia da vida militar até á altura em que deixarei de o ser no papel, porque sempre serei militar. Sempre, até o sangue deixar de correr nas minhas veias."


Marco.


Porque ha coisas na vida que nunca passam,vivem connosco.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Saudades...muitas!!




"Onde há glória todo o perigo é doce"


Saudades de me sentir eu, de me sentir alguém, de me sentir especial, de me sentir importante, de sentir que sim, a minha vida fazia mais sentid naquele meio, saudades da gama e nao da nadja, saudades de chorar de dor, saudades de rir das parvoices da cardoso e da morais, saudades de nao ter voz para gritar, saudades de me doerem as pernas nas formaturas, saudades de ter orgulho em tudo o que estava a fazer, saudades de discutir com a machado porque ela era negativa e tinha a mania, saudades dos serviços, saudades de levar na cabeça do furriel porque na vi os galoes do tenente de espada,saudades da semana de campo, saudades de ter fome, saudades da comida de merda daquele regimento, saudades até da silvas, saudades dos "camaradas", saudades do "gaminha", saudades de chorar quando nao aguentava mais, saudades das aulas em que quase todos adormeciam de cansaço e eu tambem, saudades das aulas de justiça, saudades das cambalhotas, saudades de rastejar, saudades das tendinites e das bolhas, saudades da enfermaria, saudades das saudades de casa, saudades do meu camuflado, saudades das minhas botas, muitas saudades de usar a minha boina, saudades dos planos que tinha para o futuro, saudades de arranhar até nao poder mais, saudades dos primeiros dias, saudades dos ultimos dias, saudades das formaturas da manha, saudades do corpo ranger de frio, saudades dos poli-chinelos,das flexoes, dos pulos de galo, saudades de limpar armas, saudades de desmontar a minha namorada, saudades de acordar durante a noite numa cama que nao era a minha, saudades de mim, da inocencia e dos 18 anos, saudades do comboio onde dormia a viagem inteira, saudades dos olhares das pessoas no comboio e no expresso,saudades do sotaque nortenho do meu furriel que trocava suspensorios por supositorios, saudades das musicas da formatura que me fazia tremer de orgulho, saudades de me arrepiar ao som do hino nacional, saudades até de ver a desgraça do convento de mafra, saudades do dia do meu juramento, saudades do orgulho e do brilho nos olhos dos meus pais, saudades do meu namorado que nao sabia o que dizer, saudades desse dia, saudades de todos os outros, saudades do dia em que fiz 10 jarros de sangria, saudades da cozinha do regimento, saudades de servir nas linhas o pequeno almoço, saudades de dormir 3 a 4 horas por dentro, saudades de me irritar com a minha cama, de lençois brancos e esticados, saudades de me levantar as 6.30 e saber que valeria a pena e nunca valeu, saudades das sextas feiras e dos risos na nossa caserna na hora da revista, saudades de tudo, saudades de infantaria...saudades do passado que esta gravado em mim e nao vai voltar,nunca mais...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Tudo no meio do Nada.




"Um mundo onde muitos so desejam ver o fundo do copo"


"Estou perdida. Estou perdida no meio do nada e tenho tanto!"

3.04.08

quarta-feira, 26 de março de 2008

Tempestade

Sinto o mundo a fugir-me entre os dedos: as cores começam, lentamente a transformar-se, os perfumes começam a desaparecer, os ventos mudaram a sua direcção e o mar está agitado, cada vez mais agitado. O músculo alojado do lado esquerdo do corpo deixa de dar sinal, as emoções começam a perder a intensidade e o meu mundo está a voltar a ser preenchido a preto e branco novamente, porque eu gosto dele assim, porque é a minha maneira de lidar com a alienação da minha mente, porque é a forma que o meu ser tem de se equilibrar. O mundo pintado a preto e branco é o mundo onde eu estou sempre, mas sempre bem, independentemente de os outros estarem mal ou não, porque nada me abala, porque, simplesmente, não acredito em nada, apago essa capacidade de ver e sentir outros seres como eu, pessoas, acho. Porque quando conheci esse mundo encontrei a minha melhor amiga, a solidão. Aquela que me acolhia de braços abertos, aquela que me dava força sempre que estava deprimida, que me fazia levantar e me mostrava a beleza do mundo, do meu jeito. Esse mundo foi aquele onde fui a mais feliz e mais triste de sempre, feliz porque aprendi a estar sozinha, a ter apenas os essenciais, os do coração, perto de mim e os outros, os outros teriam muito que fazer para chegar a mim, porque eu simplesmente não deixava que entrassem nesse mundo e era tão mais feliz assim. A razão de toda essa minha felicidade é o facto de me proibir de “sentir”, ou seja, o desprezo e a despreocupação eram as minhas aliadas, as minhas irmãs, e o “barulho” exterior era musica que eu simplesmente não ouvia, porque não queria.

Claro que nesse mundo estava presa a muitos ideais de vida, que tantas pessoas à minha volta não entenderam, nem entenderão, porque há coisas que só sentido, só passando por elas, para se dar o valor. Há momentos, há dores tão profundas que nos fazem criar defesas, às vezes, ate de nós mesmos. A diferença das pessoas está, na altura em que as devem ou não baixar. As pedras que destrui com orgulho continuam lá, prontas a construir um novo castelo, apenas com janelas altas, o suficiente para alguém se colocar em bicos de pés e espreitar lá para dentro, porque o seu interior, ficará apenas reservado aos verdadeiros, aos essenciais, aos que merecem mesmo entrar.

terça-feira, 25 de março de 2008

Janela de mim..

Hoje quero, por momentos, deixar de ser eu, quero, por momentos, sair de mim e observar-me. Hoje quero ver aquela menina que vive dentro de mim, aquela menina que adora sonhar, que adora pintar a vida dela com desenhos a preto e branco, que ouve musicas tristes que, para ela, são odes ao equilíbrio. Aquela criança que sorri, de forma inocente, que se faz de ingénua porque não quer ver maldade em nada, porque enquanto assim é, pode imaginar o mundo das cores que quiser.
Tenho saudades da criança que desarrumava o quarto todo para brincar com as bonecas, da criança que sempre que recebia alguma coisa nova pulava louca de felicidade, mesmo que fosse uma simples caixa de papel, com cores. Porque para ela não lhe interessava o que era o presente, interessava-lhe que se lembravam dela, que lhe davam alguma coisa, por mais insignificante, que faziam sentir-se especial.
Tenho saudades da criança, que as vezes, por momentos, consegue rir-se de tudo e de nada e consegue ser feliz com nada perto de tudo o que tem.

Porque essa criança gosta de se aproximar das pessoas, de chegar-se devagarinho e de se sentir em “casa”, de sentir que aquele é o seu lugar, a sua nova casa, gosta de sentir que é especial, gosta de um abraço forte, no silêncio, gosta da saudade daquela pessoa que não vê há um dia ou dois, gosta de sentir a dor no peito da ausência, das palavras, dos actos, dos sorrisos e das gargalhadas daquele anjo que enche a sua vida de amor.
A criança do sorriso de 5 anos é o melhor de mim.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Utopias..

Sinto-me estranha hoje, não sei o que vai dentro de mim, não sei o que pensar com tanta coisa que me esta a encher a cabeça neste momento!. Não sei se é bom, se é mau, se me faz sorrir ou se me faz ter vontade de chorar, sinto falta de alguma coisa que não sei dar nome porque nem eu sei o que é. São aqueles dias em que sei que existo, simplesmente porque sim. Sem razão aparente, sem motivo suficientemente forte, apenas porque sim.
Sinto necessidade de outras coisas na minha vida, que não me façam estar sempre a pensar, que me façam parar a cabeça por momentos, preciso de me voltar a sentir útil mas não encontro forma de o atingir. Não encontro forma de arrancar este vazio que se voltou a instalar em mim novamente. Parece que a vida é uma droga, as coisas que antes nos fascinavam e nos preenchiam deixam de ser suficientes para nos curar os buracos fundos no caminho que queremos percorrer.
Não me sinto útil em nenhum aspecto neste momento, não sinto que haja alguma coisa que me faça sentir útil. E sim, sinto-me estúpida e sinto-me sozinha, sinto que preciso mais da vida do que o que possuo neste momento. Preciso de viver, preciso de me sentir viva, preciso de me sentir eu, preciso de trabalhar a sério, em alguma coisa que eu goste, preciso de alguma coisa, que me faça sentir eu mesma.
Porque, ás vezes, esqueço-me que não tenho só deveres mas também que tenho direitos. Tenho o direito de viver, de gritar, de falar, de estar com os mais importantes, de fazer alguma coisa por mim e não de me sentir inútil como me tenho sentido ultimamente. Sinto-me perdida dentro de uma ilusão, da qual, simplesmente, não estou a conseguir sair. A cada dia que passa, sinto-me a perder qualidades, sinto-me a perder fôlego, sinto-me cansada. Cansada de tudo. Cansada desta cidade, das pessoas que conheço desde que nasci, pessoas com quem nunca falei mas só as suas caras familiares já me enjoam. Sinto falta de alguma coisa nova, preciso de algo novo, preciso de fazer alguma coisa que me ajude a tapar estes buracos que começam a aumentar todos os dias mais um bocadinho e que eu, não querendo, acabo por deixar fugir, de mim. Tenho necessidades de sentir saudades de casa, de sentir saudades de tudo, se me sentir em casa quando volto após tempos que parecem anos longe do meu mundo.
O ser humano é sem dúvida um ser estranho, há pessoas que o que mais desejam é estar junto dos que amam, e eu, que tenho tudo á minha disposição, que sou privilegiada quero é estar longe de todos, o porquê, eu não sei, mas fazia-me bem, sentia-me livre, sentia-me eu mesma. Eu preciso de sentir saudades dos que amo, preciso de sentir saudades da minha casa, do meu quarto, dos meus amigos, da minha alma, preciso de me afastar de tudo e de todos.
Mas eu sei que o que desejo neste momento, é uma utopia, por enquanto. Neste momento, nada posso fazer por isso, nada posso fazer por este desejo enorme de desaparecer daqui, de ver outras caras, outras pessoas, outras paixões, outros locais.
Sinto saudades de me sentir perto, estando cada vez mais longe.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Gostava...

Gostava de estar abraçada a alguém que me fizesse festas e me desse força. Gostava que um dia alguém me limpasse estas lágrimas que teimo em esconder e fazer de conta que não existem. Gostava que alguém me tirasse este peso que sinto dentro de mim. Gostava que neste momento não sentisse vontade de desaparecer para bem longe e nunca mais ninguém me metesse a vista em cima. Gostava de conseguir sorrir como se a vida fosse perfeita. Gostava de poder resolver os problemas de toda a gente que eu amo. Gostava de não me sentir inútil quando sei que nada posso fazer, que nada posso dizer e o silencio que existe, em determinadas alturas, sufoca-me. Gostava que esse mesmo silencio por vezes não me tirasse o ar, as palavras e deixasse os meus pensamentos em paz.

Gostava que pudesses estar sempre perto e ver-te todos os dias. Gostava de poder ir sair contigo quando saiu das aulas, gostava de passear contigo pela cidade sempre que nos fosse possível, no fundo gostava que de vez em quando alguma coisa me fosse dada sem ter que lutar por ela e fazer tantos sacrifícios como já fiz. Gostava que estivesses mais presente na minha vida, de todos os dias. Mas nunca estiveste tao presente quanto eu gostaria e será que algum dia vais estar?.Hoje precisava do teu abraço quente e doce, do teu sorriso, do teu carinho. Hoje mais do que nunca precisava de ti. Estás presente em mim mas ausente ao mesmo tempo. Amo-te e tento ganhar forças, para mim e por nós, porque merecemos estar bem, porque nos amamos e eu acredito que juntos podemos vencer. Hoje só quero estar sozinha.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Explosão de emoções.



“ A melhor maneira de não nos desiludirmos com as pessoas é simplesmente não criarmos espectactivas sobre elas”

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Vocês

Este texto é especial porque fala de pessoas especiais, de pessoas novas na minha vida mas que parece que fazem parte dela há séculos. Pessoas totalmente diferentes de mim e que todos os dias me ensinam algo novo, pessoas que tem dificuldades, pessoas que se tornaram mais fortes devido a elas e que eu admiro por isso mesmo, por não se deixarem vencer quando as dificuldades surgem, por ganharem forças para resistir aos obstáculos e por ainda conseguirem transmitir sentimentos de segurança e de estabilidade aos outros, mesmo quando não os sentem dentro de si.
Amizade. Esta palavra que sempre esteve sempre muito presente na minha vida, no entanto nunca soube o seu verdadeiro significado, nunca lhe senti o sabor, nunca a souber ver, nunca a soube sentir. Se alguma vez ela existiu foi de forma tão leve que nem soube saborear. Até que vos conheci. E tive medo, porque era uma sensação desconhecida e que supostamente eu deveria conhecer. Porque não sabia como lidar com vocês, como me mostrar, como vos tratar. Porque o que me faziam sentir diariamente era tão bonito que tinha medo de me habituar e depois de tudo se desvanecer, como anteriormente já me tinha acontecido.
Lentamente, ensinara-me a respeitar as vossas diferenças, os vossos momentos, as vossas opiniões e as vossas maneiras de ser e de viver. Aprendi que o verdadeiro amigo não é o que diz “podes contar comigo” mas sim aquele que fica com a pessoa, de mãos dadas num momento de silêncio, sem dizer uma palavra porque elas nem sequer são necessárias, tudo é dito e sentido em silêncio. Aprendi que o verdadeiro amigo é aquele nos faz chorar com as verdades e não o que nos diz o que queremos ouvir.
Cada um de vocês me preenche de diversas maneiras. Uma com o seu olhar profundo e escuro mas tão doce e meigo que se torna irresistível, com uma frontalidade que chega a doer dizendo as palavras certas nos momentos correctos, que é dura nas palavras mas amiga nos actos e que tem um sorriso que ilumina o mundo. A outra, tão semelhante à primeira e ao mesmo tempo tão diferente, esta com um sorriso que me faz cócegas no interior que tem o poder nas palavras que diz e que enchem todos os momentos de boa disposição e de alegria, aquela que admiro por tudo e por quem tenho um fascínio inexplicável. A terceira é a doçura em pessoa, a ingenuidade nos actos, o humor nas palavras mas também o carinho dos abraços, do momentos, a paciência que tem para ouvir vezes sem conta a mesma historia e dizer vezes sem conta os mesmos conselhos. E por fim, a última pessoa com uma importância diferente, que me ensinou a ver os mundos ocultos, o mistério das palavras e a escutar as vibrações entre as pessoas.
Este último foi aquele que mais me ajudou a tomar a decisão correcta na minha vida e a ganhar forças para enfrentar as consequências dos meus actos.
Preciso de todos, de maneiras diferentes. Preciso todos os dias porque me completam, porque me aturam, porque me incentivam a ser cada vez melhor, porque me ajudam a seguir o caminho que devo seguir, porque me ouvem, porque me proporcionam momentos inesquecíveis e acima de tudo porque gostam de mim, como eu sou, com os defeitos e as qualidades que tenho. E isso para mim, já é um mundo.
Vocês, os imbatíveis do meu coração.

Guerreiros

Desde menina que me ensinaram a lutar pelo que queria, a nunca desistir do meu objectivo até o conquistar. E até hoje sempre lutei por mim, pelos que amo, pelo meu futuro, pelas minhas ambições e fui bem sucedida. Mas estas palavras não seriam tão significantes senão houvesse uma luta que se distinguisse no meio de todas as outras.
A luta que se destacou pelos seus obstáculos, pelas suas vivências, pelas mudanças e por fim, pela nossa evolução pessoal. Porque quando te conheci era bem diferente, não sabia bem o que significava o nosso sentimento, acho que a própria noção de relação me era estranha mas tu com o teu jeitinho conseguiste com que entendesse muitas coisas e me tornasse na tua namorada. A verdadeira. Cometi muitos erros, disse muitas palavras em vão, discuti muitas vezes por coisas mínimas mas aprendi muitas lições importantes. Aprendi a esperar que te apercebesses dos teus erros, mesmo quando tinha vontade de desistir de nós, mesmo quando achava que nunca poderíamos resultar, mesmo quando via que o fim estava próximo. Aprendi a entender as tuas necessidades bem como os teus medos. Aprendi a conhecer-te através do conhecimento de mim própria. Aprendi que são as diferenças que nos unem e não o contrário. Aprendemos a fazer sacrifícios por quem amamos, a ceder de forma saudável mas acima tudo aprendemos a nos respeitar enquanto pessoas, amigos e namorados. E essas, na minha opinião são as lições mais verdadeiras e significativas que poderia aprender e que te poderia ensinar.
Fomos guerreiros desde o início, lutámos sempre por nos melhorar e por melhorar a nossa relação, lutei contra todos os obstáculos que se entrepunham e quando começamos a lutar juntos a vitória chegou ainda mais depressa. E hoje consigo ver que todos os momentos maus que tivemos foram necessários, que as lágrimas foram a ponte, que a dor foi o mecanismo e que todas as palavras soltas foram o caminho para vermos o que era essencial: o amor que nos tem unido e nos continua a unir, dia após dia, que fortifica gesto após gesto e que se intensifica momento após momento.
Hoje sei que durante todo este tempo fomos guerreiros, usámos diversas armas mas vencemos a guerra e atingimos a vitória, de mãos dadas.